Coordenadora do DER-MG teria recebido propina em obras do Anel Viario Sul de Uberlândia
Mensagens mostram orientação de Patrícia Metz para simular serviços de meio-fio e pagar imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão
Elementos da investigação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que levaram à prisão preventiva de Patrícia Metz, coordenadora do DER-MG (Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais) em Uberlândia, afastada por suspeita de improbidade administrativa, e que o Grupo Paranaíba teve acesso com exclusividade, revelam que a servidora teria recebido dinheiro de propina para influenciar as negociações envolvendo as obras de acesso ao Anel Viário Sul de Uberlândia. Os documentos anexados aos autos do processo, que segue sob sigilo de justiça, detalham de que maneira as transações supostamente irregulares aconteciam e que envolviam um imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão, localizado em um condomínio do grupo empresarial responsável pelas obras viárias não concluídas no Município.

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As investigações apontam que a coordenadora regional do DER-MG teve papel fundamental na negociação que alterou o projeto original das obras de acesso ao Anel Viário Sul de Uberlândia. A atuação teria se dado a partir de um ofício emitido um dia antes de uma audiência judicial, que serviu de base para o acordo que alterou a obrigação inicialmente imposta ao grupo empresarial responsável pela obra.
Segundo comunicado do MPMG, as investigações começaram a partir de inquérito civil. Contudo, o órgão alega que ao pedir ao DER-MG todos os processos administrativos a respeito do caso, em junho de 2026, teria recebido apenas parte desta documentação por determinação da própria servidora. A partir disso, foi instaurado um procedimento investigatório criminal.
As investigações do MPMG apontam que a servidora adquiriu, em 2024, um imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão em um condomínio do mesmo grupo empresarial envolvido no caso do Anel Viário Sul. Segundo o órgão, parte da dívida da compra teria sido paga por empresas ligadas ao grupo, com a emissão de recibos supostamente forjados para justificar os pagamentos.
Elementos que levaram à prisão preventiva da coordenadora do DER-MG
Documentos obtidos pelo Grupo Paranaíba, e que foram anexados aos autos do processo que corre em segredo de justiça, detalham a maneira com que a própria servidora participava na falsificação destes recibos que serviriam para justificar as transações que, segundo as investigações ainda em andamento, se tratam de pagamento de propina.
Em uma mensagem, atribuída à coordenadora do DER em diálogo com o dono do imóvel que ela comprou, Patrícia afirmava: “estarei enviando o modelo do recibo para ver se vc concorda. Sugeri que fosse recibo de meio fio pois vc tem pedreiros”. As orientações estariam sendo dadas para que não houvesse suspeitas relacionadas às transações, tendo em vista que o dono do imóvel possui uma empresa da área da construção civil.
Imovel adquirido por Patrícia Martz
As investigações do MPMG apontam que a servidora adquiriu, em 2024, um imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão em um condomínio do mesmo grupo empresarial envolvido no caso do Anel Viário Sul. Segundo o órgão, parte da dívida da compra teria sido paga por empresas ligadas ao grupo, com a emissão de recibos supostamente forjados para justificar os pagamentos.
A prestação do financiamento do imóvel é de cerca de R$ 25 mil por mês. De acordo com o Portal da Transparência do Estado de Minas Gerais, a média da renda mensal líquida de Patrícia Metz durante todo o ano de 2024 foi de R$ 11.520,13, com uma remuneração anual de R$ 138.241,60. Ainda segundo os dados do Governo do Estado, de janeiro de 2021 até agosto de 2026, a servidora recebeu R$ 759.746,86 em remuneração líquida.
Entenda o acordo que mudou obra de R$ 7 milhões para uma de R$ 2 milhões
A disputa sobre o acesso ao Anel Viário Sul começou em 2019, quando a Prefeitura de Uberlândia entrou na Justiça para cobrar a execução da infraestrutura viária prevista para o empreendimento GSP Life Botânico II.
O projeto original previa um trevo de acesso à LMG-503, com custo estimado em cerca de R$ 7 milhões. Em 2023, a Prefeitura e a empresa firmaram um acordo para substituí-lo por uma intervenção de pouco mais de R$ 2 milhões.
O Ministério Público passou a questionar a regularidade da alteração. Em setembro, a Justiça suspendeu os efeitos do acordo entre a empresa e o Município.
Conforme a decisão de afastamento divulgada em setembro, o projeto substitutivo ainda não tinha aprovação formal dos órgãos técnicos competentes do DER-MG quando a coordenadora assinou o documento. Ainda segundo a decisão, a redação do ofício teria transmitido a impressão de que a intervenção já poderia ser executada. O documento recomendava o início dos trabalhos após o período chuvoso.
O ofício foi apresentado na audiência do dia seguinte. O Ministério Público questiona seu uso para sustentar uma autorização que, naquele momento, ainda não existiria formalmente.
Afastamento buscou preservar documentos da investigação
Na decisão que afastou Patrícia do cargo de coordenadora, a 3ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Uberlândia apontou risco à preservação de documentos relacionados à investigação.
Entre os episódios citados está o envio ao Ministério Público de apenas 11 páginas de um processo administrativo mais extenso. Segundo a decisão, uma servidora relatou que Patrícia havia determinado a digitalização exclusivamente daquelas páginas.
A Justiça também destacou que o ofício de 2023 estava em uma pasta identificada como “GSP km 3”, embora a intervenção discutida ficasse no km 1,5 da LMG-503. Esses elementos fundamentaram o afastamento determinado em setembro.
Defesa diz que soube da prisão pela imprensa e questiona medida
Em nota, a defesa de Patrícia Metz Peixoto afirmou que soube pela imprensa da informação sobre a prisão nesta quinta-feira (15). Até a divulgação do posicionamento, os advogados disseram não ter recebido comunicação oficial, conseguido contato com a cliente ou acessado os autos.
A equipe de Claudio Fontoura questionou se Patrícia teve a oportunidade de entrar em contato com seus advogados e afirmou que apurará essa circunstância pelas vias próprias. Segundo a defesa, Patrícia é servidora pública de carreira, primária, tem endereço fixo e advogados constituídos no processo desde julho. Os advogados também afirmaram que ela compareceu a todos os atos para os quais foi convocada e está afastada das funções no DER-MG desde o fim de setembro.
A defesa declarou não identificar elementos que justifiquem a prisão, caso confirmada, e sustentou que medidas menos gravosas já se mostraram suficientes. “Se confirmada a notícia, a defesa, com o devido respeito às autoridades, não vislumbra elementos que justifiquem a medida extrema da privação de liberdade”, afirmou na nota.
Os advogados informaram ainda que já estavam em contato com as autoridades para tratar do caso. As suspeitas seguem sob investigação.
DER aciona Corregedoria-Geral do Estado
Em nota à imprensa, o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) informou que, “diante da possível gravidade dos fatos, acionou a Controladoria-Geral do Estado para adoção das providências para apuração de eventual responsabilidade administrativa, sem prejuízo das apurações paralelamente conduzidas pelas demais autoridades. A servidora citada é efetiva e está afastada de suas funções.
A autarquia teve ciência da existência de processo judicial criminal no fim de setembro de 2026. O processo tramita sob segredo de justiça, e o DER-MG não teve acesso aos demais autos judiciais. Desde as primeiras solicitações relacionadas ao caso, o DER-MG tem cooperado ativamente com as autoridades competentes, prestando esclarecimentos, e permanece à disposição para contribuir com a apuração dos fatos.
O DER-MG reafirma seu compromisso com uma atuação séria, ética e responsável, em observância ao processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. A instituição não compactua com eventuais desvios de conduta ou práticas incompatíveis com os princípios da administração pública.”
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![Boa tarde [Nome desfocado] , Tudo bem? Estarei enviando o modelo do recibo para ver se vc concorda. Sugeri que fosse recibo de meio fio pois vc tem pedreiros Se tiver cnpj e preferir pode colocar no cnpj. O que for mais adequado. Inclui a vinculação do recibo com o original do depósito pois o recibo terá que ir antes.](https://paranaibamais.com.br/wp-content/uploads/2026/10/mensagem-patricia-metz-suposta-propina.jpg)
![Mensagem :Patricia Metz RECIBO DE PAGAMENTO Eu, ..... , proprietário da empresa denominada ..., CNPJ: ... , venho por meio deste declarar que recebi nessa data a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reias) da empresa denominada GSP PROPERTIES S.A. , CNPJ: 20.729.319/0001-60, sediada à Rua Helena, 275, São Paulo - SP. Declaro também que o valor recebido refere-se à confecção de meio-fio. Dou plena e geral quitação pelos serviços prestados. Este recibo só é válido junto ao comprovante original do pagamento. Uberlândia, 25 de março de 2026 Recibo assinado pelo dono do imóvel: Eu, [Nome/Sobrenome desfocados], CPF: [Desfocado], proprietário da empresa denominada, [Razão Social desfocada], inscrita no CNPJ: [Desfocado], estabelecida a [Endereço desfocado], Bairro Novo Mundo, Uberlândia-MG, venho por meio deste declarar que recebi nessa data a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reias) da empresa denominada GSP PROPERTIES S.A. , CNPJ: 20.729.319/0001-60, sediada à Rua Helena, 275, São Paulo - SP. Declaro também que o valor recebido refere-se à confecção de meio-fio. Dou plena e geral quitação pelos serviços prestados. Este recibo só é válido junto ao comprovante original do pagamento. Uberlândia, 25 de março de 2026. (Assinatura digital via gov.br) gov.br — Documento assinado digitalmente Data: 17/03/2026 12:48:37-0300](https://paranaibamais.com.br/wp-content/uploads/2026/10/mensagem-patricia-metz-suposta-propina-1.jpg)