MP: coordenadora afastada do DER comprou imóvel de R$ 1,5 mi em transação suspeita

Servidora do DER-MG presa em Uberlândia comprou imóvel de R$ 1,5 milhão de grupo investigado, diz MPMG. Veja.

, em Uberlândia

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Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a coordenadora afastada do DER-MG (Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais) em Uberlândia e presa nesta quinta-feira (15), Patrícia Metz Peixoto, comprou, em 2024, um imóvel avaliado R$ 1,5 milhão em condomínio do mesmo grupo empresarial responsável pela obra não executada no acesso ao Anel Viário Sul de Uberlândia. Parte da dívida da compra teria sido quitada por empresas ligadas ao grupo, com emissão de recibos apenas para justificar os pagamentos. 

Patrícia Metz Peixoto, coordenadora afastada do der, é presa após afastamento do DER em Uberlândia
Patrícia Metz Peixoto teria tentado obstruir investigações do MPMG e adiquirido imóvel mílionário em condomínio de empresa envolvida no caso do Anel Viário Sul de Uberlândia – Crédito: Reprodução/TV Paranaíba

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A servidora já estava afastada do cargo por 90 dias por determinação judicial. A decisão também a proibiu de acessar a unidade regional, utilizar os sistemas internos e manter contato com servidores responsáveis pela guarda de documentos relacionados ao caso. 

O Ministério Público apura se Patrícia autorizou a substituição do trevo originalmente previsto por uma intervenção de menor custo. A promotoria também investiga a suspeita de que ela tenha recebido vantagens financeiras da empresa envolvida para viabilizar a mudança. A servidora teria tido papel fundamental na negociação que alterou o projeto de acesso ao Anel Viário Sul de Uberlândia, a partir de um ofício emitido por ela um dia antes de uma audiência judicial, que serviu de base para o acordo que alterou a obrigação inicialmente imposta ao grupo empresarial responsável pela obra. 

Investigação criminal e imóvel milionário 

Segundo o comunicado do MPMG, as investigações começaram em inquérito civil. Contudo, o órgão alega que ao pedir ao DER-MG todos os processos administrativos a respeito do caso, em junho de 2026, teria recebido apenas parte desta documentação por determinação da própria servidora. A partir disso, foi instaurado um procedimento investigatório criminal.

As investigações do MPMG apontam que a servidora adquiriu, em 2024, um imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão em um condomínio do mesmo grupo empresarial envolvido no caso do Anel Viário Sul. Segundo o órgão, parte da dívida da compra teria sido paga por empresas ligadas ao grupo, com a emissão de recibos supostamente forjados para justificar os pagamentos. 

A prestação do financiamento do imóvel é de cerca de R$ 25 mil por mês. De acordo com o Portal da Transparência do Estado de Minas Gerais, a média da renda mensal líquida de Patrícia Metz durante todo o ano de 2024 foi de R$ 11.520,13, com uma remuneração anual de R$ 138.241,60. Ainda segundo os dados do Governo do Estado, de janeiro de 2021 até agosto de 2026, a servidora recebeu R$ 759.746,86 em remuneração líquida. 

Veja remuneração líquida mês a mês da servidora:

Remuneração líquida de 2024: da coordenadora do DER, Patricia Metz Peixoto
Remuneração líquida de 2024 da servidora, de acordo com Portal da Transparência MG, relatório gerado em 15/10/2026 – Crédito: Reprodução

Acordo trocou trevo de R$ 7 milhões por intervenção de R$ 2 milhões

A disputa sobre o acesso ao Anel Viário Sul começou em 2019, quando a Prefeitura de Uberlândia entrou na Justiça para cobrar a execução da infraestrutura viária prevista para o empreendimento GSP Life Botânico II.

O projeto original previa um trevo de acesso à LMG-503, com custo estimado em cerca de R$ 7 milhões. Em 2023, a Prefeitura e a empresa firmaram um acordo para substituí-lo por uma intervenção de pouco mais de R$ 2 milhões.

O Ministério Público passou a questionar a regularidade da alteração. Em setembro, a Justiça suspendeu os efeitos do acordo entre a empresa e o Município.

Ofício assinado por coordenadora afastada do DER é alvo da investigação

Um dos pontos centrais da apuração é um ofício que Patrícia assinou em 23 de outubro de 2023, na véspera da audiência judicial em que foi homologado o acordo para substituir a obra.

Conforme a decisão de afastamento divulgada em setembro, o projeto substitutivo ainda não tinha aprovação formal dos órgãos técnicos competentes do DER-MG quando a coordenadora assinou o documento. Ainda segundo a decisão, a redação do ofício teria transmitido a impressão de que a intervenção já poderia ser executada. O documento recomendava o início dos trabalhos após o período chuvoso.

O ofício foi apresentado na audiência do dia seguinte. O Ministério Público questiona seu uso para sustentar uma autorização que, naquele momento, ainda não existiria formalmente.

Afastamento buscou preservar documentos da investigação

Na decisão que afastou Patrícia, a 3ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Uberlândia apontou risco à preservação de documentos relacionados à investigação.

Entre os episódios citados está o envio ao Ministério Público de apenas 11 páginas de um processo administrativo mais extenso. Segundo a decisão, uma servidora relatou que Patrícia havia determinado a digitalização exclusivamente daquelas páginas.

A Justiça também destacou que o ofício de 2023 estava em uma pasta identificada como “GSP km 3”, embora a intervenção discutida ficasse no km 1,5 da LMG-503. Esses elementos fundamentaram o afastamento determinado em setembro.

Defesa diz que soube da prisão pela imprensa e questiona medida

Em nota, a defesa de Patrícia Metz Peixoto afirmou que soube pela imprensa da informação sobre a prisão nesta quinta-feira (15). Até a divulgação do posicionamento, os advogados disseram não ter recebido comunicação oficial, conseguido contato com a cliente ou acessado os autos.

A equipe de Claudio Fontoura questionou se Patrícia teve a oportunidade de entrar em contato com seus advogados e afirmou que apurará essa circunstância pelas vias próprias. Segundo a defesa, Patrícia é servidora pública de carreira, primária, tem endereço fixo e advogados constituídos no processo desde julho. Os advogados também afirmaram que ela compareceu a todos os atos para os quais foi convocada e está afastada das funções no DER-MG desde o fim de setembro.

A defesa declarou não identificar elementos que justifiquem a prisão, caso confirmada, e sustentou que medidas menos gravosas já se mostraram suficientes. “Se confirmada a notícia, a defesa, com o devido respeito às autoridades, não vislumbra elementos que justifiquem a medida extrema da privação de liberdade”, afirmou na nota.

Os advogados informaram ainda que já estavam em contato com as autoridades para tratar do caso. As suspeitas seguem sob investigação.

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