El Niño pode causar até 13,3 mil mortes no Brasil até fevereiro, aponta estudo
Fenômeno climático deve provocar cerca de 8 mil mortes a mais que o esperado em um ano normal, revela levantamento da Universidade de Chicago sobre o país
O El Niño deste ano, classificado por pesquisadores como um dos mais intensos já registrados, deve provocar 13,3 mil mortes relacionadas ao calor no Brasil entre setembro e fevereiro. O número, apontado por um estudo do Laboratório de Impacto Climático (Climate Impact Lab), vinculado à Universidade de Chicago, representa aproximadamente 8 mil óbitos a mais do que o esperado em um período sem a influência do fenômeno.
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O levantamento coloca o país entre as nações com maior número estimado de mortes por calor no período. No total, a projeção global aponta para 451 mil mortes associadas ao calor extremo em todo o planeta nos próximos seis meses.
El Niño concentra impactos mais graves no Sul Global
Segundo o relatório, os efeitos mais severos do El Niño devem se concentrar em países do Sul Global. A região do Sahel, na África, que reúne Nigéria, Sudão, Níger e Chade, deve registrar 66,8 mil mortes adicionais no período analisado. A Nigéria isoladamente responde por quase metade desse total, com 31,4 mil óbitos projetados.
No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somam juntos 19,4 mil mortes esperadas, número próximo ao estimado para a Indonésia, de 19,3 mil. A Índia, por sua vez, deve contabilizar 15,8 mil mortes ligadas ao calor extremo. Na América do Sul, o Brasil aparece como o país mais afetado pelos efeitos do fenômeno.
Os cientistas do laboratório alertam ainda que esses números podem crescer caso o El Niño se estenda até 2027, cenário que ampliaria o período de exposição das populações a temperaturas anormalmente altas.
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Dias de calor extremo aumentam 44% com o El Niño
De acordo com o Laboratório de Impacto Climático, o número de dias de calor extremo deve crescer 44% em comparação com anos sem o fenômeno. A instituição descreveu o El Niño atual como um retrato antecipado do que deve se tornar comum nas próximas décadas, à medida que as mudanças climáticas avançam.
Michael Greenstone, economista da Universidade de Chicago e cofundador do laboratório, afirma que a pesquisa avançou de prever impactos nas colheitas para estimar o pior cenário possível. “Esse número é tão grande que pode ser assustador, mas inclui pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, diz o economista, referindo-se à projeção de 451 mil mortes nos próximos meses.
Para Greenstone, o relatório tem uma função prática além do diagnóstico. “Este relatório permite que os tomadores de decisão vejam exatamente onde ações emergenciais podem ser tomadas agora para salvar dezenas de milhares de vidas nos próximos meses”, completa.
Pesquisadores defendem resposta emergencial prioritária
O estudo recomenda que os esforços de resposta a emergências sejam direcionados às regiões classificadas como prioritárias, onde a combinação de calor extremo e vulnerabilidade social eleva o risco de mortalidade. Entre as medidas citadas pelo Inventário de Adaptação do laboratório estão sistemas de alerta precoce, centros de resfriamento e proteção para trabalhadores que atuam ao ar livre.
Tamma Carleton, chefe de pesquisa do laboratório e professora da Universidade da Califórnia em Berkeley, reforça a urgência de investimentos em planejamento de longo prazo. “Aumentar a capacidade de resposta a emergências e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas este ano. Mas daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem a nova normalidade, não queremos estar em constante estado de emergência”, afirma a pesquisadora.
Carleton defende que a mobilização de recursos comece agora, com foco em ferramentas de preparação e planejamento capazes de reduzir o número de vítimas nos próximos anos. Os pesquisadores do laboratório afirmam que devem atualizar periodicamente as projeções de mortes associadas ao fenômeno, à medida que o El Niño avança, e tornar os novos dados públicos.
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