El Niño ganha força e pode mudar o padrão de chuvas em Minas Gerais; veja o que esperar

Boletim da CNM aponta prejuízos bilionários provocados por desastres no Brasil e alerta para os efeitos de um El Niño que pode atingir intensidade muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027

, em Uberlândia

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Minas Gerais deve entrar no radar dos efeitos do El Niño nos próximos meses, com possibilidade de períodos mais quentes e de chuva abaixo da média em parte do estado. O alerta consta em um boletim divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) sobre o fenômeno climático, que aponta para um El Niño de forte intensidade entre o fim de 2026 e o início de 2027. No Triângulo Mineiro, o cenário exige atenção principalmente para a disponibilidade de água, agricultura e risco de incêndios.

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El Niño pode favorecer períodos de tempo mais seco e elevar o risco de queimadas em áreas de Minas Gerais – Crédito: Freepik/Reprodução

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O levantamento mostra que, somente entre 1º de julho e 31 de agosto, mais de 4,7 milhões de pessoas foram afetadas por desastres em 641 municípios brasileiros que tiveram decretos de situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos.

O que pode acontecer em Minas Gerais

A previsão climática para setembro, outubro e novembro aponta maior probabilidade de chuva abaixo da média em áreas do Brasil Central e do Sudeste, incluindo Minas Gerais. Ao mesmo tempo, as temperaturas tendem a ficar acima da média em grande parte do país.

Esse comportamento não significa que todos os municípios mineiros terão necessariamente menos chuva. O El Niño altera os padrões atmosféricos em escala ampla, mas a distribuição das precipitações pode variar de uma região para outra e de um episódio meteorológico para outro.

A nota técnica conjunta de órgãos federais no entanto, aponta indicativos de condições mais secas durante a primavera na região.

Sul e Sudoeste de Minas já aparecem entre áreas atingidas

O boletim da CNM também reúne os impactos que já ocorreram durante julho e agosto. Na Região Sudeste, vendavais e temporais provocaram mortes, feridos, danos em imóveis, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia.

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Chuva forte registrada em Sacramento provocou a queda de árvores em pontos do município nos últimos dias – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

Entre os locais destacados pela entidade estão municípios do Rio de Janeiro, da Região Metropolitana de Ribeirão Preto e da Baixada Santista, além do Sul e Sudoeste de Minas Gerais.

O dado é importante porque mostra que o comportamento associado a eventos extremos não se resume à possibilidade de seca. O El Niño pode favorecer diferentes tipos de extremos meteorológicos, dependendo da região e das condições atmosféricas.

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Mais de R$ 8,2 bilhões em prejuízos

Segundo a CNM, os desastres registrados entre julho e agosto provocaram mais de R$ 8,2 bilhões em prejuízos econômicos no país.

Desse total, aproximadamente:

  • R$ 6,5 bilhões correspondem a prejuízos privados;
  • R$ 1,6 bilhão são prejuízos públicos;
  • R$ 182,8 milhões estão relacionados a unidades habitacionais.

A agricultura concentrou a maior parcela das perdas, com cerca de R$ 4,16 bilhões, seguida pela pecuária, com R$ 978,7 milhões. Comércio, serviços e indústria também registraram prejuízos.

O levantamento aponta ainda que 27.278 unidades habitacionais foram danificadas e outras 573 foram destruídas. Ao todo, 49 mil pessoas precisaram deixar suas casas no período analisado e 11 mortes foram registradas.

O que muda para o Triângulo Mineiro

O impacto do El Niño no Triângulo não deve ser interpretado apenas pela ocorrência ou ausência de chuva. Uma sequência de temperaturas elevadas combinada a precipitações abaixo da média pode aumentar a demanda por água e pressionar atividades que dependem da regularidade das chuvas.

Na região, isso pode ter reflexos sobre a produção agropecuária e sobre a ocorrência de incêndios, especialmente caso o período seco se prolongue.

O Cemaden já aponta que a combinação entre temperaturas acima da média e chuvas abaixo da média em áreas do centro do país pode intensificar o déficit hídrico e elevar o risco de incêndios florestais.

Por isso, cidades do Triângulo e de outras áreas de Minas devem acompanhar as atualizações meteorológicas e os alertas oficiais, em vez de considerar o cenário climático como uma previsão fixa para toda a região.

El Niño pode ser um dos mais fortes desde 1950

O fenômeno foi confirmado no Pacífico Equatorial em junho de 2026 e vem apresentando intensificação.

A atualização mais recente do INMET, publicada em 10 de setembro, aponta probabilidade superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027. Para o trimestre outubro, novembro e dezembro, a NOAA estima 75% de probabilidade de que o episódio seja o mais forte registrado desde 1950.

A projeção anterior utilizada no boletim da CNM indicava 69% de probabilidade de intensidade histórica no período. As atualizações posteriores mostram que as estimativas continuam sendo revistas à medida que novos dados são incorporados.

Municípios precisam reforçar prevenção

Diante do cenário, a CNM recomenda que as prefeituras atualizem planos de contingência, façam o mapeamento das áreas de risco, organizem abrigos e rotas de evacuação e mantenham canais de comunicação com a população.

A preocupação também está relacionada ao número de municípios brasileiros considerados vulneráveis a desastres geológicos e hidrológicos. Segundo os dados reunidos pela entidade, 2.095 municípios, equivalentes a 37,6% do total do país, estão em situação considerada crítica.

Em Minas Gerais, o acompanhamento é especialmente relevante durante a primavera, quando as condições de chuva e temperatura podem influenciar a transição para o período chuvoso.

Recursos para prevenção e resposta

O boletim da CNM também chama atenção para a execução dos recursos destinados à Defesa Civil. Entre 2010 e agosto de 2026, a União teria prometido R$ 38,7 bilhões para ações municipais de defesa civil, mas R$ 10,6 bilhões foram efetivamente repassados às prefeituras, segundo o levantamento.

Para 2027, o Projeto de Lei Orçamentária Anual prevê R$ 1,8 bilhão para o programa Gestão de Riscos e de Desastres.

A CNM ressalta ainda que, apesar do anúncio federal de R$ 1,3 bilhão para ações relacionadas ao El Niño 2026/2027, não foi definida uma parcela específica desse valor para transferência direta aos municípios. Os recursos para resposta e recuperação continuam dependendo dos mecanismos próprios da Proteção e Defesa Civil.

Como acompanhar os próximos meses

A situação deve ser monitorada continuamente porque as previsões podem mudar conforme o comportamento do El Niño. Em Minas Gerais e no Triângulo Mineiro, os principais pontos de atenção são a evolução das chuvas, temperaturas, disponibilidade hídrica e risco de incêndios.

Órgãos como INMET, Cemaden, ANA e Defesa Civil vêm atualizando os dados do fenômeno. A ANA, por exemplo, disponibilizou um plano específico de preparação para os impactos do El Niño sobre os recursos hídricos brasileiros até março de 2027.

Continue acompanhando o Paranaíba Mais para conferir as atualizações sobre chuva, temperatura, alertas e os possíveis impactos do El Niño em Uberlândia, no Triângulo Mineiro e em outras cidades de Minas Gerais.