Minas Gerais concentra quase metade dos resgatados por trabalho escravo no Brasil
Entre os resgatados por trabalho escravo em todo o país estavam 75 mulheres, 13 crianças e 66 estrangeiros, vindos de países da América do Sul e da África
Minas Gerais concentrou quase metade dos trabalhadores resgatados por trabalho escravo durante a Operação Resgate VI, realizada em todo o Brasil ao longo do mês de agosto. Dos 479 trabalhadores libertados em todo o país, 208 estavam em Minas Gerais, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (09).
A operação foi coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF). Ao todo, foram realizadas 231 fiscalizações entre 1º e 31 de agosto.
Minas Gerais concentra quase metade dos resgatados por trabalho escravo no Brasil – Crédito: Reprodução/ MPT
Entre os trabalhadores resgatados em todo o país estavam 75 mulheres, 13 crianças e 66 estrangeiros, provenientes de países da América do Sul e da África.
Trabalhadores resgatados por estado
Os números completos mostram o estado mineiro com o maior índice de trabalho escravo no país: MG – 208/ SP – 58/ AM – 42/ PI – 40/ RN – 37/ PB – 20/ RS -15/ BA – 15/ PE – 14/ RR – 6/ MS – 6/ CE – 5/ MA – 4/ PA – 3/ MT – 2/ AC – 1/ DF – 1/ AP – 1/ RJ – 1.
Região sudeste lidera o ranking de trabalhadores resgatados na operação – Crédito: Reprodução/ MPT
Trabalho escravo no Triângulo Mineiro
Um dos principais casos registrados em Minas Gerais ocorreu em Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro, onde trabalhadores migrantes foram encontrados em condições degradantes durante a colheita manual de batatas em uma fazenda na zona rural.
Segundo a fiscalização, as condições encontradas em Estrela do Sul caracterizaram trabalho semelhante ao de escravo – Crédito: Reprodução/ MPT
A maioria das vítimas era formada por senegaleses e migrantes de Burkina Faso. Segundo a fiscalização, eles trabalhavam sem registro em carteira e enfrentavam diversas violações trabalhistas.
Entre os problemas identificados estavam a falta de água potável, ausência de instalações sanitárias, inexistência de espaço adequado para refeições e falta de equipamentos de proteção individual (EPIs).
Agricultura e construção civil concentram vítimas
O balanço da Operação Resgate VI também mostrou que o trabalho escravo permanece presente tanto no campo quanto nas cidades.
Mais da metade das fiscalizações ocorreu em áreas rurais, onde 292 trabalhadores foram resgatados. Entre os setores com maior número de vítimas estão a construção civil, com 85 resgates; o cultivo de café, com 53; o cultivo de cebola, com 47; e o cultivo de batata, com 44 trabalhadores resgatados.
Trabalho em área rural lidera o ranking – Crédito: Reprodução/ MPT
Para o MPT, os números apontam para um problema estrutural ligado à informalidade e à vulnerabilidade social.
Mais de mil trabalhadores estavam sem registro
Além dos 479 trabalhadores resgatados, as equipes de fiscalização encontraram 1.192 trabalhadores sem registro formal de emprego e identificaram outras irregularidades relacionadas ao trabalho infantil e ao descumprimento de normas de saúde e segurança.
Durante a operação, o MPT firmou três Termos de Ajuste de Conduta e ajuizou quatro ações civis públicas para responsabilizar empregadores e exigir a correção das irregularidades.
O Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG) conseguiu nesta semana um acordo judicial que garante o pagamento de indenizações aos trabalhadores resgatados em uma noza rural de Patos de Minas, estabelecendo medidas para impedir a repetição das irregularidades encontradas no local.
O acordo foi aprovado pela Justiça do Trabalho e determina o pagamento de R$ 11.336,07 em verbas salariais e rescisórias pendentes, além de R$ 10 mil por danos morais individuais aos trabalhadores resgatados.
Operação Resgate
Criada em 2021, a Operação Resgate reúne diferentes órgãos públicos para identificar e interromper situações de trabalho análogo à escravidão, garantir proteção às vítimas e adotar medidas trabalhistas, administrativas, civis e criminais contra os responsáveis.
Denúncias de situações semelhantes podem ser feitas de forma sigilosa ao Ministério Público do Trabalho.
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