Grupo GSP teria pago propina para reduzir custo de obra em Uberlândia, diz MP

Segundo a Promotoria, grupo teria pago vantagens indevidas para substituir trevo por obra mais barata no Anel Viário Sul; empresário está entre os denunciados

, em Uberlândia

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Empresas do grupo GSP teriam pago propina a servidores públicos para substituir a construção de um trevo por uma obra mais barata no Anel Viário Sul de Uberlândia, segundo denúncia criminal anunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A Promotoria afirma que a mudança permitiu às loteadoras economizar milhões de reais e prejudicou compradores de lotes e usuários da rodovia.

O presidente do grupo, Reynaldo Galves Leal, foi preso preventivamente na noite de quinta-feira (5). Como mostrou o Paranaíba Mais, policiais abordaram o empresário em uma lanchonete do Aeroporto de Uberlândia, enquanto ele aguardava o embarque.

O destino da viagem não foi divulgado. Após passar por exame de corpo de delito, ele foi encaminhado à Delegacia de Plantão.

A manifestação da 3ª Promotoria de Justiça de Uberlândia apresenta acusações contra o controlador do grupo, um funcionário apontado como executor das ações e uma servidora que ocupava cargo de chefia no Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG).

Reynaldo Galves Leal, proprietário e sócio-administrador de empresas do Grupo GSP – Crédito: Reprodução/ redes sociais
Reynaldo Galves Leal, proprietário e sócio-administrador de empresas do Grupo GSP – Crédito: Reprodução/ redes sociais

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Construção do trevo era exigência para aprovar loteamentos

Segundo o MPMG, a construção do trevo era uma condição para a aprovação dos loteamentos. Os pagamentos investigados teriam viabilizado a substituição dessa obrigação por uma intervenção de custo menor. A Promotoria aponta que a alteração provocou restrições de circulação e obrigou usuários da rodovia a percorrer trajetos maiores para fazer retornos.

O Ministério Público também relata tentativas de dificultar a apuração. Segundo a acusação, servidores teriam produzido documentos oficiais com informações falsas e deixado de entregar materiais requisitados pelos investigadores.

Denúncia criminal envolve três pessoas

O MPMG informou que protocolou uma denúncia criminal e uma ação por improbidade administrativa contra o empresário, o funcionário e a servidora do DER-MG. O órgão relaciona corrupção ativa e passiva, associação criminosa, lavagem de capitais, falsidade ideológica e atos de obstrução às investigações. A nota não detalha quais acusações recaem sobre cada denunciado.

A Promotoria anunciou ainda que apresentará uma ação contra as empresas envolvidas com base na Lei Anticorrupção.

Ministério Público de Uberlândia
MPMG aponta suposto pagamento de propina pelo grupo GSP para substituir trevo por obra mais barata no Anel Viário Sul de Uberlândia – Crédito: Vinicíus Lemos/Reprodução

Ex-coordenadora do DER-MG foi presa em outubro

A investigação já havia levado à prisão preventiva de Patrícia Metz Peixoto, então coordenadora regional do DER-MG em Uberlândia, em 15 de outubro. Na ocasião, ela estava afastada das funções por determinação judicial. O Ministério Público apura se a servidora recebeu vantagens financeiras para viabilizar a mudança no projeto nas obras do Anel Viário Sul.

Em 28 de outubro, o Paranaíba Mais noticiou que a 7ª Câmara Criminal do TJMG negou, por unanimidade, o habeas corpus apresentado pela defesa de Patrícia. Os advogados sustentaram que a prisão era desnecessária porque ela já estava afastada, sem acesso aos sistemas do órgão e com equipamentos apreendidos. O tribunal considerou, porém, que essas medidas não impediriam as condutas investigadas na esfera particular.

Compra de casa de R$ 1,5 milhão integra investigação

Um dos pontos da apuração envolve a compra de uma casa no condomínio Splendido, empreendimento da GSP Loteadora, por R$ 1,5 milhão. Segundo os elementos da investigação apresentados na cobertura anterior, Patrícia assumiu um financiamento de R$ 1,2 milhão, com prestações de R$ 25.045,47. Em dezembro de 2024, a remuneração líquida dela era de R$ 11.528,84, menos da metade do valor da parcela.

O MPMG aponta que empresas ligadas ao grupo e terceiros teriam pago parte da dívida diretamente ao vendedor, por transferências bancárias, dinheiro em espécie e entrega de um veículo. A suspeita é de que esses repasses tenham constituído vantagem indevida pela alteração do projeto viário.

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MP mantém pedido para construir o trevo

O Ministério Público informou que continua atuando nas ações em que pede à Justiça a construção do trevo originalmente exigido das loteadoras. Segundo a Promotoria, o objetivo é proteger os usuários da rodovia e os direitos dos compradores de lotes.

O órgão também mantém a investigação sobre agentes públicos da Prefeitura de Uberlândia, incluindo eleitos, concursados e comissionados. O comunicado não identifica essas pessoas nem detalha as condutas atribuídas a elas.

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