Grupo GSP teria pago propina para reduzir custo de obra em Uberlândia, diz MP
Segundo a Promotoria, grupo teria pago vantagens indevidas para substituir trevo por obra mais barata no Anel Viário Sul; empresário está entre os denunciados
Empresas do grupo GSP teriam pago propina a servidores públicos para substituir a construção de um trevo por uma obra mais barata no Anel Viário Sul de Uberlândia, segundo denúncia criminal anunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A Promotoria afirma que a mudança permitiu às loteadoras economizar milhões de reais e prejudicou compradores de lotes e usuários da rodovia.
O presidente do grupo, Reynaldo Galves Leal, foi preso preventivamente na noite de quinta-feira (5). Como mostrou o Paranaíba Mais, policiais abordaram o empresário em uma lanchonete do Aeroporto de Uberlândia, enquanto ele aguardava o embarque.
O destino da viagem não foi divulgado. Após passar por exame de corpo de delito, ele foi encaminhado à Delegacia de Plantão.
A manifestação da 3ª Promotoria de Justiça de Uberlândia apresenta acusações contra o controlador do grupo, um funcionário apontado como executor das ações e uma servidora que ocupava cargo de chefia no Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG).

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Construção do trevo era exigência para aprovar loteamentos
Segundo o MPMG, a construção do trevo era uma condição para a aprovação dos loteamentos. Os pagamentos investigados teriam viabilizado a substituição dessa obrigação por uma intervenção de custo menor. A Promotoria aponta que a alteração provocou restrições de circulação e obrigou usuários da rodovia a percorrer trajetos maiores para fazer retornos.
O Ministério Público também relata tentativas de dificultar a apuração. Segundo a acusação, servidores teriam produzido documentos oficiais com informações falsas e deixado de entregar materiais requisitados pelos investigadores.
Denúncia criminal envolve três pessoas
O MPMG informou que protocolou uma denúncia criminal e uma ação por improbidade administrativa contra o empresário, o funcionário e a servidora do DER-MG. O órgão relaciona corrupção ativa e passiva, associação criminosa, lavagem de capitais, falsidade ideológica e atos de obstrução às investigações. A nota não detalha quais acusações recaem sobre cada denunciado.
A Promotoria anunciou ainda que apresentará uma ação contra as empresas envolvidas com base na Lei Anticorrupção.
Ex-coordenadora do DER-MG foi presa em outubro
A investigação já havia levado à prisão preventiva de Patrícia Metz Peixoto, então coordenadora regional do DER-MG em Uberlândia, em 15 de outubro. Na ocasião, ela estava afastada das funções por determinação judicial. O Ministério Público apura se a servidora recebeu vantagens financeiras para viabilizar a mudança no projeto nas obras do Anel Viário Sul.
Em 28 de outubro, o Paranaíba Mais noticiou que a 7ª Câmara Criminal do TJMG negou, por unanimidade, o habeas corpus apresentado pela defesa de Patrícia. Os advogados sustentaram que a prisão era desnecessária porque ela já estava afastada, sem acesso aos sistemas do órgão e com equipamentos apreendidos. O tribunal considerou, porém, que essas medidas não impediriam as condutas investigadas na esfera particular.
Compra de casa de R$ 1,5 milhão integra investigação
Um dos pontos da apuração envolve a compra de uma casa no condomínio Splendido, empreendimento da GSP Loteadora, por R$ 1,5 milhão. Segundo os elementos da investigação apresentados na cobertura anterior, Patrícia assumiu um financiamento de R$ 1,2 milhão, com prestações de R$ 25.045,47. Em dezembro de 2024, a remuneração líquida dela era de R$ 11.528,84, menos da metade do valor da parcela.
O MPMG aponta que empresas ligadas ao grupo e terceiros teriam pago parte da dívida diretamente ao vendedor, por transferências bancárias, dinheiro em espécie e entrega de um veículo. A suspeita é de que esses repasses tenham constituído vantagem indevida pela alteração do projeto viário.
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MP mantém pedido para construir o trevo
O Ministério Público informou que continua atuando nas ações em que pede à Justiça a construção do trevo originalmente exigido das loteadoras. Segundo a Promotoria, o objetivo é proteger os usuários da rodovia e os direitos dos compradores de lotes.
O órgão também mantém a investigação sobre agentes públicos da Prefeitura de Uberlândia, incluindo eleitos, concursados e comissionados. O comunicado não identifica essas pessoas nem detalha as condutas atribuídas a elas.
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