Executores mortos, filha mandante desaparecida, família sequestrada: caso em Franca intriga

Carro de jovem de 21 anos, principal suspeita da morte do pai, foi localizado queimado em estrada na divisa entre SP com MG; tio confessou ter ajudado a ocultar corpos dos executores encontrados em Sacramento (MG)

, em Uberlândia

A Polícia Civil de Franca (SP) instaurou um novo inquérito para apurar o assassinato dos dois executores do caseiro Milton de Souza Prado, de 44 anos, que teria sido morto a mando da própria filha, Maria Isabel, de 21 anos, que está desaparecida.

O caso ganhou novos cenários de investigação após o automóvel da jovem ser encontrado completamente queimado em uma propriedade na região de Franca, em uma via que dá acesso ao município de Ibiraci (MG).

envolvidos no caso do caseiro morto encontrado em Franca (SP)
Caso do caseiro morto em Franca revelou uma teia de envolvidos – Crédito: Record/Reprodução

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Caso começou após o corpo do caseiro ser encontrado em rodovia

O caso veio à tona após o corpo de Milton ser encontrado em uma área de mata às margens da Rodovia Ronan Rocha, entre Minas Gerais e São Paulo, no dia 16 de junho. Na época do crime, a filha mais velha do caseiro, Maria Isabel, falou com a imprensa relatando as últimas horas do pai, dizendo que ele gostava de passar a noite na propriedade rural para evitar possiveis furtos.

corpo caseiro morto
O corpo do caseiro mortoàs margens da Rodovia Ronan Rocha – Crédito: Record/Reprodução

Segundo a polícia, dias depois ela seria apontada como mandante do assassinato do próprio pai e confessaria o crime em depoimento à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca. Na ocasião, ela revelou que os executores foram seu namorado, Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos, e o cunhado, Rafael Vitor Silva de Souza Rosa, de 18 anos.

Embora a prisão preventiva dos executores tenha sido decretada de imediato, a Justiça negou o pedido de prisão inicial para Maria Isabel, alegando que não haveria necessidade. Pouco tempo depois, o cenário mudou drasticamente: o casal e o cunhado desapareceram e a família da jovem acabou se tornando alvo.

Sequestro de família e corpos em Sacramento

Na útima segunda-feira (6), uma força-tarefa policial localizou um cativeiro no bairro Jardim Aeroporto III, em Sacramento, onde estavam trancados a mãe de Maria Isabel, sua irmã de 14 anos e seu sobrinho recém-nascido.

Veja o momento em que a polícia descobre o cativeiro:

Na ação, um homem responsável por vigiar o local foi preso em flagrante após tentar fugir e quebrar o próprio celular para destruir provas. De acordo com o delegado Márcio Murari, a principal suspeita é que o sequestro tenha sido articulado por criminosos na tentativa de forçar a localização dos dois jovens executores que estavam sumidos.

Um homem foi preso por ajudar a vigiar o local – Crédito: Record/Reprodução

O desfecho para Guilherme e Rafael, no entanto, foi trágico. Os corpos de ambos foram encontrados em estado avançado de decomposição e com sinais de violência em uma área rural de Sacramento, no Alto Paranaíba (MG).

A descoberta do paradeiro dos corpos foi possível após o depoimento de Cláudio, irmão do caseiro Milton e tio de Maria Isabel. Ele foi preso em flagrante pela polícia mineira por ocultação de cadáver e confessou que a sobrinha levou os corpos dos rapazes até Sacramento no dia 29 de junho, pedindo sua ajuda para escondê-los.

“Hoje fiz contato com o delegado de Sacramento, que encaminhou cópia do flagrante e de outras informações. O tio confirma que os jovens foram assassinados em Franca com a participação da Maria Isabel e que ele foi acionado apenas para dar fim aos corpos”, explicou o delegado Márcio Murari.

Investigações continuam

A DIG agora analisa imagens de câmeras de monitoramento da Rodovia Cândido Portinari, na região de Restinga (SP), para confirmar se o carro de Maria Isabel passou pelo trecho na data apontada pelo tio.

A polícia também trabalha para identificar todos os envolvidos no sequestro da mãe e das irmãs de Maria Isabel, além de apurar a autoria da invasão à casa da família, enquanto as vítimas resgatadas permaneciam sob proteção policial em local sigiloso.

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Questionado sobre o que teria motivado o assassinato inicial do caseiro, o delegado mencionou que, em seu depoimento inicial, Maria Isabel alegou que o pai era extremamente rígido, cometia agressões físicas e não aceitava os relacionamentos das filhas. A mãe das jovens, por outro lado, minimizou as acusações, descrevendo Milton apenas como um pai rigoroso.

A DIG solicitará à Justiça mineira a transferência do tio de Maria Isabel para que ele seja ouvido novamente na sede da Delegacia Especializada em Franca. Informações sobre o paradeiro da jovem de 21 anos estão sendo checadas pelo setor de homicídios.