Justiça leva a júri popular homem que teria simulado acidente após matar esposa
Acusado de matar a esposa em Minas Gerais, homem tentou simular acidente na rodovia MG-050 para encobrir o crime e agora será julgado por júri popular.
O homem que teria tentado simular acidente para encobrir a morte da própria esposa se tornou réu em Minas Gerais. Alison de Araújo Mesquita é apontado como autor do feminicídio de Henay Rosa, de 31 anos, e foi levado a júri popular depois que a Justiça entendeu haver provas suficientes contra ele. Segundo a investigação, ele teria asfixiado a companheira em dezembro do ano passado e, horas depois, forjado uma colisão na estrada para fazer parecer que a morte teria sido resultado de um sinistro de trânsito.

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A decisão de pronúncia partiu da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, responsável pelo 1º Tribunal do Júri da comarca de Belo Horizonte. Com a sentença, o réu segue detido preventivamente e passará a responder por feminicídio, com o agravante de fraude processual, já que teria manipulado a cena para confundir os investigadores.
Simular acidente foi tentativa de esconder o crime
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, o crime aconteceu na madrugada do dia 14 de dezembro, dentro de um apartamento no bairro Nova Suíça, na região Oeste da capital mineira. A denúncia aponta que a vítima teria comunicado ao companheiro sua intenção de encerrar o casamento, e a reação dele teria sido de extrema violência.
Ainda segundo a apuração do órgão, o suspeito teria estrangulado a esposa até a morte e, horas mais tarde, colocado o corpo dela no banco do motorista de um veículo. Sentado ao lado, no lugar do passageiro, ele teria conduzido o carro por um trecho que ligava Belo Horizonte a Divinópolis, na tentativa de fazer crer que era ela quem dirigia.
Uma funcionária de uma praça de pedágio na rodovia estranhou o comportamento do casal ao notar que a mulher permanecia desacordada atrás do volante enquanto o parceiro assumia a direção pelo banco ao lado. Mesmo questionado e orientado a buscar ajuda, o motorista teria recusado a oferta e seguido viagem, segundo relatos colhidos pela investigação.
Batida encerrou tentativa de simular acidente
Pouco depois de passar pelo pedágio, o veículo invadiu a pista contrária e colidiu de frente com um ônibus de turismo. No local, a morte da vítima foi inicialmente registrada como decorrência do choque entre os veículos. As inconsistências entre a dinâmica da colisão e os ferimentos encontrados no corpo, porém, levantaram suspeitas entre os peritos.
Uma nova necropsia, motivada justamente por essas divergências, identificou marcas compatíveis com estrangulamento, além de lesões na cabeça que não combinavam apenas com o impacto do acidente. Esse conjunto de evidências reforçou a hipótese de que a mulher já estava sem vida antes da batida ocorrer, o que motivou a mudança na linha de investigação.
O suspeito acabou preso em flagrante um dia depois do crime, durante o velório da própria vítima, em Divinópolis. Câmeras de segurança da praça de pedágio, laudos periciais e depoimentos de testemunhas formaram o conjunto probatório que sustentou o indiciamento e, mais tarde, a denúncia oferecida pelo Ministério Público.
Defesa nega participação no crime
Nas alegações finais apresentadas à Justiça, os advogados do réu pediram a absolvição, sustentando que não haveria provas suficientes da materialidade do feminicídio nem indícios robustos de autoria. O argumento, no entanto, não convenceu a magistrada responsável pelo julgamento da pronúncia.
Ao fundamentar sua decisão, a juíza destacou que os depoimentos colhidos ao longo da instrução processual, somados às declarações do próprio acusado, indicavam um histórico de relacionamento marcado por brigas e agressões. Para o juízo, esse cenário reforça o entendimento de que o crime teria ocorrido em razão da condição de mulher da vítima, caracterizando a violência de gênero.
Próximos passos do processo
Com a pronúncia confirmada, o processo deixa de correr em segredo de justiça, o que amplia a transparência sobre os próximos atos judiciais. O réu será formalmente citado e terá dez dias para apresentar nova defesa antes das etapas seguintes do rito do júri.
A manutenção da prisão preventiva também foi reafirmada pela Justiça mineira, que negou pedido da defesa para revogar a medida. Segundo o entendimento judicial, não houve mudança nos elementos que justificam manter o acusado detido até o julgamento pelo Tribunal do Júri, órgão responsável por analisar crimes dolosos contra a vida em Minas Gerais.
O caso segue como um dos exemplos mais recentes de investigações que conseguiram desmontar tentativas de disfarçar mortes violentas como acidentes de trânsito, reforçando a importância do trabalho pericial e das câmeras de monitoramento em rodovias mineiras.