Entregador ferido em acidente com viatura da PM tem morte cerebral confirmada

Familiares autorizaram o desligamento dos aparelhos do motociclista de 45 anos nesta segunda-feira (14); PM alega que sirenes e luzes estavam ligadas no momento do acidente

, em Uberlândia

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A família do entregador Jean Dias, de 45 anos, confirmou que vai autorizar o desligamento dos aparelhos ligados à vítima nesta segunda-feira (14), após os médicos constatarem morte cerebral.

O motociclista estava internado em estado gravíssimo em um hospital de Uberlândia desde a noite de sexta-feira (11), quando se envolveu em um acidente com uma viatura da Polícia Militar (PM) no bairro Jardim Canaã.

Acidente com viatura da PM deixa entregador em estado grave
Viatura da Polícia Militar e motocicleta ficaram danificadas após o acidente no bairro Canaã, em Uberlândia – Crédito: Redes sociais/Reprodução

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Em conversa com a reportagem, a esposa da vítima, Soraia Santana Dias, informou que os médicos aplicaram todos os testes e protocolos exigidos, mas o marido não apresentou qualquer reação neurológica.

Testemunhas relatam luzes apagadas e intimidação

Segundo Soraia, pessoas que testemunharam a batida no cruzamento da Avenida Fioravante Pelizer com a Rua Tercílio Rodrigues Queiroz afirmaram que o veículo policial trafegava com os faróis e as sirenes desligados no momento do impacto.

Um registro feito no local é possível ver que a vítima está caída ao chão, enquanto pessoas estão ao redor e um militar fala com ele.

acidente com viatura
Motociclista se envolveu em acidente com viatura no bairro Canaã – Crédito: Reprodução

A esposa relatou ainda que moradores e pedestres teriam sido intimidados por militares logo após o acidente para que não gravassem vídeos nem compartilhassem informações ou imagens do ocorrido. Jean trabalhava fazendo a entrega de pizzas no momento em que a moto foi atingida na lateral pela viatura.

O que diz a Polícia Militar em nota oficial sobre o acidente com viatura

Em nota divulgada pela Assessoria de Comunicação do 32º BPM nesta segunda-feira (14), a Polícia Militar apresentou sua versão oficial do acidente. A corporação afirma que a viatura do trânsito prestava apoio a uma ocorrência de emergência de prioridade máxima, envolvendo denúncias de uso de arma de fogo na região.

De acordo com o comunicado da PM, a viatura trafegava pelo local com os dispositivos sonoros e luminosos devidamente acionados, o que garantiria as prerrogativas de livre circulação previstas na legislação de trânsito.

A nota informa também que os condutores da viatura e da motocicleta passaram pelo teste de alcoolemia por meio do etilômetro, e ambos registraram resultado negativo para consumo de álcool (0,00 mg/L). Todos os documentos do veículo policial e da motocicleta do entregador estavam em situação regular.

Versão do boletim de ocorrência e falhas na via

Conforme os detalhes registrados no Boletim de Ocorrência, o policial militar que dirigia a viatura declarou às equipes que avançou o cruzamento porque a placa de Parada Obrigatória estava encoberta por uma árvore no trecho da Rua Tercílio Rodrigues Queiroz.

Um vídeo registrado por testemunhas mostram que eles comentam sobre a preferencial do motociclista:

O militar alegou também que a sinalização horizontal pintada no asfalto estava apagada e que a iluminação pública da rua era precária, o que dificultou evitar a batida a tempo.

O documento aponta que a motocicleta atingiu a lateral direita central do carro da PM, ocupado por três militares, que recusaram atendimento médico. Um deles teve escoriações leves na mão e no rosto, enquanto os outros dois não se feriram.

Jean foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) desacordado e confuso, o que impossibilitou que sua versão fosse colhida pelos policiais no momento do resgate. A perícia técnica da Polícia Civil não compareceu ao local do acidente.

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