Processo sobre pagamentos de Vorcaro perde sigilo antes de decisão no STF
Documento reúne informações sobre pagamentos, contatos e movimentações financeiras atribuídas ao ex-banqueiro e outros investigados no caso Banco Master
Nesta segunda-feira (14), o sigilo sobre o processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida acontece depois de determinação do ministro Edson Fachin, presidente da Corte, e do posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), em prol da retirada do sigilo que ainda vigorava sobre o processo.

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Nesta terça-feira (15), o STF irá decidir em plenária sobre a abertura de investigações sobre o ministro Alexandre de Moraes, após serem reveladas ligações entre o membro da Corte e Vorcaro. Moraes também havia se posicionado a favor da quebra do sigilo da petição sobre os pagamentos, para que o material fosse analisado pelos demais ministros antes do julgamento. Segundo o ministro, o processo agora tornado público teria elementos relevantes para a análise do que já estava em meio aos autos que serão discutidos na plenária.
O documento detalha movimentações financeiras que teriam sido efetuadas por Vorcaro e outros investigados no caso Master. A Pet 15.645 (dos pagamentos) estava sob responsabilidade exclusiva de Mendonça e, até esta segunda-feira, permanecia em segredo mesmo após a abertura de outros procedimentos ligados ao Banco. Com a nova retirada de sigilo, o STF derrubou o segredo judicial sobre 54 linhas de investigações derivadas à Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos, fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.
O que há no processo da rede de pagamentos?
O processo reúne informações sobre pagamentos, contatos e movimentações financeiras atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de dados sobre relações mantidas pelo banqueiro com empresas e outros envolvidos no caso.
O conteúdo pode contribuir para esclarecer se houve contratos ou vínculos financeiros entre o instituto e empresas relacionadas ao Banco Master.
Os documentos também registram pagamentos que teriam sido realizados por Vorcaro e outros investigados. A análise aponta movimentações milionárias consideradas atípicas, muitas delas associadas a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Entre as operações identificadas estão a compra de um veículo de luxo e transferências de valores elevados para empresas do setor da construção civil. Segundo a análise, doações e transferências realizadas por meio de Pix podem ter sido utilizadas para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos investigados.
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Zanin e Gilmar mendes recebem celular de Vorcaro
A Polícia Federal (PF) entregou nesta segunda-feira (14) ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma cópia completa dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O material foi encaminhado pela manhã e começou a ser analisado pelo ministro.

A entrega ocorreu após uma determinação de Zanin. O ministro havia solicitado acesso ao conteúdo do aparelho sob o argumento de que precisava conhecer as informações para formar sua convicção antes do julgamento envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Zanin afirmou que já havia tentado obter os dados anteriormente, inclusive por meio de ofícios, mas que não havia recebido a íntegra do conteúdo. Além dele, Gilmar Mendes e o próprio Moraes também solicitaram acesso ao material apreendido pela PF.
A disponibilização dos dados, porém, é alvo de questionamentos dentro do próprio STF. André Mendonça, que foi relator do caso, afirmou que a abertura do conteúdo poderia “tumultuar o julgamento” e comprometer o andamento das investigações.
Como o conteúdo do celular chegou ao STF
A discussão sobre o acesso aos dados ganhou força no fim de semana. No domingo (13), a PF informou ao STF que tinha condições de encaminhar aos ministros uma cópia do conteúdo extraído do aparelho de Vorcaro.
A comunicação ocorreu depois de o presidente do STF, Edson Fachin, cobrar informações sobre a guarda do material e sobre as condições do celular após a extração dos dados.
Na sequência, Mendonça encaminhou um despacho a Fachin e pediu esclarecimentos sobre questionamentos feitos por quatro delegados da PF a respeito do envio das informações à Corte. Segundo o ministro, havia “divergências de informações” sobre o procedimento.
Mendonça também afirmou que não houve, por parte da Presidência do STF, uma determinação para que fossem esclarecidas as circunstâncias e o contexto em que os dados chegaram ao gabinete dele, em 8 de março de 2026.
Segundo o ex-relator, o gabinete recebeu apenas uma cópia de segurança do conteúdo, que permanece “lacrada e intocada”.
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