Vício em bets: SUS amplia teleatendimento para 100 mil por mês

Serviço gratuito e sigiloso ganha reforço a partir desta terça-feira (4) e passa de 600 para até 100 mil atendimentos mensais em todo o país

, em Uberlândia

Quem enfrenta vício em bets agora tem uma porta de entrada bem maior dentro do Sistema Único de Saúde. A partir desta terça-feira (4), o SUS passa a oferecer até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental voltados a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas online, um salto expressivo diante da procura registrada nos últimos meses, quando era oferecido apenas 600 atendimentos por mês. 

Vício em bets sus
A ferramenta é oferecida por meio do aplicativo Meu SUS Digital, com oferta ampliada em razão da alta procura – Crédito: Antônio Cruz/ Agência Brasil

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O anúncio marca a segunda fase de um programa que começou de forma mais tímida. Criado em março, o serviço nasceu fruto de uma parceria entre o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (AgSUS) e o Hospital Sírio Libanês. A alta procura, segundo o Ministério da Saúde, foi o motivo direto da ampliação anunciada agora.

Como funciona o atendimento para vício em bets pelo SUS

O acesso ao cuidado acontece por dentro do aplicativo Meu SUS Digital. Basta entrar com a conta gov.br, abrir a seção “Miniapps” e localizar a opção voltada a especialistas em saúde mental para quem aposta, nomeada “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta” . O usuário responde primeiro a um autoteste e, em seguida, é direcionado à plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS, parceira responsável por operacionalizar o cuidado.

Dentro da plataforma, a pessoa aceita o termo de uso, preenche um formulário sobre sua situação e informa se o pedido é para ela mesma ou para um familiar. Concluída essa etapa, o sistema gera um número de protocolo e, após o agendamento, envia automaticamente a confirmação da consulta, o link da videochamada e orientações para o dia do atendimento.

As sessões são feitas por vídeo, duram cerca de 50 minutos e costumam acontecer semanalmente. O profissional responsável pode indicar um ciclo inicial de até dez encontros, seguido de nova avaliação, que define se o paciente recebe alta, segue em um novo ciclo remoto ou passa a ser atendido presencialmente pela Rede de Atenção Psicossocial, que reúne Unidades Básicas de Saúde e mais de três mil Centros de Atenção Psicossocial espalhados pelo território nacional.

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Mais de 1 milhão de pedidos de autoexclusão

Paralelamente ao teleatendimento, o Ministério da Saúde mantém, em conjunto com o Ministério da Fazenda, o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas. Uma das ferramentas do observatório é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite bloquear voluntariamente o próprio CPF em sites e aplicativos de apostas autorizados.

O número de adesões chama atenção: já passam de 1 milhão os pedidos de autoexclusão registrados. Entre os motivos apontados pelos próprios usuários, a perda de controle sobre as apostas aparece em primeiro lugar, citada por 35% deles. Também pesam a decisão voluntária de interromper o hábito, dificuldades financeiras e, em menor proporção, encaminhamento feito por profissional de saúde.

Um período chamou atenção especial nesses registros. Somente durante a Copa do Mundo, entre 11 de junho e 19 de julho, quase 388 mil pessoas solicitaram o bloqueio do CPF, volume que representa mais de um terço de todas as autoexclusões já feitas na plataforma.

Sinais de alerta que merecem atenção

O vício em bets nem sempre é fácil de identificar logo no início, mas o corpo e a rotina costumam dar pistas. Mudanças no sono, na alimentação e no humor estão entre os primeiros sinais observados pelos especialistas do ministério. Mentir para familiares e amigos sobre o quanto se aposta, sentir vergonha ou culpa depois das apostas e ficar ansioso, irritado ou inquieto quando não está jogando também entram na lista de comportamentos que acendem o alerta.

Há ainda quem recorra ao jogo como válvula de escape para o estresse ou a frustração do dia a dia, tenha dificuldade real de reduzir ou interromper as apostas e veja relações pessoais e profissionais sofrerem por causa disso. O uso mais intenso de álcool e outras substâncias, somado ao comprometimento do orçamento pessoal ou familiar, completa o quadro de sintomas que a pasta recomenda observar com cuidado.

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Fatores de risco associados às apostas online

Assim como acontece com outros comportamentos compulsivos, o vício em bets tende a se desenvolver com mais facilidade em determinados contextos. A exposição precoce a jogos de aposta e o acesso facilitado às plataformas online figuram entre os principais fatores listados pelo Ministério da Saúde. A busca por alívio emocional, a fuga de problemas cotidianos e o histórico pessoal de transtornos como depressão e ansiedade também aumentam a vulnerabilidade.

Traços como impulsividade e a busca constante por recompensas imediatas se somam a influências sociais e culturais que, muitas vezes, romantizam o ato de apostar. Solidão, isolamento social e situações de vulnerabilidade social fecham a lista de elementos que podem empurrar alguém para uma relação problemática com o jogo.

Um cuidado sem julgamento

Ao anunciar a expansão do serviço, o ministério reforçou que o objetivo é reduzir a barreira do estigma, muitas vezes o principal motivo que afasta quem precisa de ajuda. Poder fazer o primeiro contato de casa, pelo celular, de forma sigilosa e sem julgamentos, é apontado como um diferencial importante para que mais pessoas com vício em bets, e também seus familiares, procurem apoio antes que a situação se agrave.

Quem já tem o aplicativo Meu SUS Digital instalado deve ter recebido uma notificação sobre a novidade. Para quem ainda não conhece o recurso, o caminho é simples: baixar o aplicativo, entrar com a conta gov.br e buscar a opção de atendimento em saúde mental voltado a apostas dentro dos miniaplicativos disponíveis.

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