Novo remédio para insônia chega ao Brasil e funciona de forma diferente do zolpidem

Lemborexante bloqueia a ação da orexina, substância ligada ao estado de alerta, e aumente as opções de tratamento para adultos com dificuldade para dormir

, em Uberlândia

Google News

Quem tem dificuldade para iniciar ou manter o sono terá uma nova opção de tratamento no Brasil. O lemborexante, princípio ativo do medicamento Dayvigo, atua sobre um mecanismo diferente do zolpidem e deve chegar ao mercado brasileiro ainda neste semestre, com indicação para adultos.

O medicamento será comercializado no país pela Eurofarma, em parceria com a japonesa Eisai, responsável pelo seu desenvolvimento. O preço médio estimado é de R$ 200.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

remédio para insônia
Insônia ganha novo medicamento no Brasil – Créditos: Reprodução/Freepik

Como funciona o novo remédio para insônia

A principal diferença do lemborexante está na forma como ele age no cérebro. O zolpidem atua para favorecer o “desligamento” da atividade cerebral, enquanto o lemborexante bloqueia a orexina, uma substância que funciona como um sinal de alerta e ajuda a manter a pessoa acordada. Ao reduzir esse sinal, o medicamento favorece o início e a manutenção do sono.

O medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de adultos com dificuldade para iniciar ou manter o sono. A dose inicial recomendada é de 5 mg uma vez por noite, próxima ao horário de dormir. O paciente deve ter pelo menos sete horas disponíveis para dormir antes do horário previsto para acordar.

Dependendo da resposta ao tratamento e da tolerabilidade, a dose pode ser aumentada para 10 mg.

Lemborexante tem menor risco de dependência?

Uma das questões relacionadas ao novo medicamento é o seu potencial de dependência. O lemborexante pertence a uma classe diferente dos benzodiazepínicos e dos chamados medicamentos Z, grupo que inclui o zolpidem.

Os benzodiazepínicos podem provocar tolerância e dependência, principalmente quando usados por períodos prolongados. Também podem causar alterações cognitivas e aumentar o risco de eventos adversos quando utilizados de forma inadequada ou combinados com outras substâncias que deprimem o sistema nervoso central.

O zolpidem foi desenvolvido como uma alternativa aos benzodiazepínicos e é muito utilizado no tratamento da insônia. Apesar das diferenças farmacológicas, seu uso também requer acompanhamento profissional devido a riscos como tolerância, dependência e comportamentos anormais relacionados ao sono.

Estudos clínicos com o lemborexante indicam um perfil promissor nesse aspecto. Ainda assim, o potencial de abuso e dependência precisa ser acompanhado por períodos mais longos para que os efeitos na prática clínica sejam melhor estabelecidos.

Uma revisão publicada na revista científica The Lancet, que analisou 36 tratamentos para insônia, colocou o lemborexante entre as opções com melhor combinação de eficácia, aceitabilidade e tolerabilidade. O trabalho foi conduzido por pesquisadores ligados à Universidade de Oxford, no Reino Unido.

A previsão é que o produto esteja disponível no mercado brasileiro ainda neste semestre – Créditos: Reprodução/Conselho Federal de Farmácia (CFF)

LEIA MAIS!

Insônia não deve ser tratada apenas com remédios

A chegada de uma nova opção não significa que o tratamento da insônia deva começar necessariamente com medicamentos. A avaliação médica deve investigar as causas da dificuldade para dormir e identificar hábitos ou condições que possam estar prejudicando o sono.

Para casos de insônia crônica, uma das principais abordagens é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). O tratamento trabalha pensamentos, comportamentos e fatores fisiológicos relacionados ao problema.

Mudanças na rotina também podem contribuir para melhorar o sono. Entre as medidas estão manter horários regulares para dormir e acordar, praticar atividade física, reduzir a exposição a telas à noite e controlar o consumo de cafeína.

Também é recomendado evitar o consumo de álcool antes de dormir, especialmente porque a substância pode interferir na qualidade do sono.

Novo medicamento aumenta opções, mas exige avaliação médica

O lemborexante aumenta as opções disponíveis para pacientes que precisam de tratamento medicamentoso para a insônia. A escolha, porém, deve levar em conta as características de cada pessoa, os outros medicamentos utilizados e os possíveis riscos e interações.

A recomendação é que o tratamento seja individualizado e que medicamentos para insônia sejam utilizados sob orientação profissional, com avaliação da dose e do período de uso.

O novo mecanismo de ação representa uma alternativa ao funcionamento de medicamentos como o zolpidem, mas não substitui a investigação da causa da insônia nem o acompanhamento médico.

Continue acompanhando o Portal Paranaíba Mais para conferir as principais notícias sobre saúde, medicamentos, economia e tudo o que impacta o seu dia a dia.