Taxistas têm menos mortes por Alzheimer e estudo aponta possível motivo

Pesquisa com quase 9 milhões de mortes nos EUA encontrou menor proporção de registros de Alzheimer entre taxistas e motoristas de ambulância

, em Uberlândia

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Taxistas e motoristas de ambulância foram as profissões com menor proporção de mortes atribuídas ao Alzheimer em um estudo que analisou 443 ocupações nos Estados Unidos. Os pesquisadores levantam a hipótese de que a necessidade constante de navegação e orientação espacial possa ter relação com o resultado.

O estudo, porém, não permite afirmar que dirigir reduza o risco de Alzheimer. Os autores apontam que são necessárias novas pesquisas para entender se a atividade de navegação pode, de fato, influenciar o desenvolvimento da doença.

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Taxistas
Créditos: Reprodução/Freepik

Publicado no BMJ, o estudo analisou dados de 8.972.221 pessoas que morreram nos Estados Unidos entre 2020 e 2022 e tinham informações sobre a profissão. Os pesquisadores compararam a proporção de mortes atribuídas ao Alzheimer entre diferentes grupos profissionais.

Taxistas e motoristas de ambulância tiveram os menores índices

Entre os taxistas, 1,03% das mortes registradas tiveram o Alzheimer como causa. Entre os motoristas de ambulância, a proporção foi de 0,74% antes dos ajustes estatísticos.

Após considerar fatores como idade no momento da morte, sexo, raça, etnia e escolaridade, a proporção estimada ficou em 0,91% entre os motoristas de ambulância e em 1,03% entre os taxistas.

Os dois grupos ficaram nas primeiras posições entre as 443 ocupações avaliadas, com as menores proporções ajustadas de mortes atribuídas à doença. Na população geral analisada, o índice ajustado foi de 1,69%.

O que a navegação tem a ver com Alzheimer?

A hipótese levantada pelos pesquisadores envolve o hipocampo, região do cérebro relacionada à memória espacial e à navegação e que também está entre as áreas afetadas pelo Alzheimer.

Taxistas e motoristas de ambulância precisam tomar decisões de navegação em tempo real, muitas vezes em trajetos imprevisíveis. Segundo os pesquisadores, esse tipo de atividade cognitiva pode estar relacionado a alterações neurológicas capazes de influenciar o risco da doença.

O estudo, porém, apresenta essa explicação como hipótese, e não como conclusão. Os autores afirmam que são necessárias novas pesquisas para determinar se o trabalho cognitivo exigido pela navegação realmente interfere no risco de Alzheimer.

Outros motoristas não tiveram o mesmo resultado

A associação não apareceu de forma semelhante em outras profissões ligadas ao transporte.

Entre motoristas de ônibus, por exemplo, a proporção ajustada de mortes atribuídas ao Alzheimer foi de 1,65%. Entre pilotos de aeronaves, chegou a 2,34%. Já entre capitães e operadores de embarcações, ficou em 2,12%.

Os pesquisadores apontam que esses profissionais, em geral, trabalham com rotas predeterminadas ou têm menor necessidade de navegação espacial em tempo real.

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Estudo não prova que dirigir previne Alzheimer

Apesar dos resultados, os pesquisadores apontam limitações importantes. Uma delas é a possibilidade de viés de seleção: pessoas com maior predisposição a problemas cognitivos podem ter menor probabilidade de ingressar ou permanecer em profissões que exigem maior capacidade de orientação espacial.

Além disso, o estudo utilizou informações de certidões de óbito. Os pesquisadores ressaltam que o Alzheimer pode ser subnotificado nesses documentos, já que outras condições podem aparecer como causa principal da morte.

Por isso, os resultados não permitem afirmar que ser taxista ou motorista de ambulância reduza o risco de desenvolver a doença. A pesquisa identificou apenas uma associação entre essas profissões e uma menor proporção de mortes atribuídas à doença.

Por que os pesquisadores investigaram taxistas?

A pesquisa foi motivada, em parte, por estudos anteriores realizados com taxistas de Londres. Uma pesquisa de neuroimagem havia identificado alterações no hipocampo desses profissionais, possivelmente relacionadas à intensa demanda de navegação pela cidade.

A partir dessa observação, os pesquisadores americanos avaliaram se profissionais que dependem frequentemente de navegação espacial também apresentariam diferenças na mortalidade por Alzheimer.

Entre as 443 ocupações estudadas, taxistas e motoristas de ambulância tiveram as duas menores proporções ajustadas de mortes atribuídas à doença.

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