“Hora que chegar na minha mesa, eu vetarei”, diz Lula sobre PL da Dosimetria

Além de comentar sobre a PL da Dosimetria, Lula tratou de assuntos como privatização dos Correios e relações exteriores em coletiva de imprensa

, em Uberlândia

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O presidente Lula criticou a aprovação do PL da Dosimetria e disse que irá vetar a proposta aprovada esta semana pelos senadores, após passar pela Câmara. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa em Brasília, nesta quinta-feira (18), quando fez um balanço sobre as ações em 2025.

Além de comentar sobre a PL da Dosimetria, Lula tratou de assuntos em coletiva de imprensa
Representantes do governo conversaram com cerca de 80 jornalistas – Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução

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PL da Dosimetria

Lula reforçou a contrariedade com o PL da Dosimetria, aprovada na última quarta-feira (17) pelo Senado. “Hora que chegar na minha mesa, eu vetarei”, informou.

“O Congresso tem o direito de fazer as coisas, eu tenho o meu direito de vetar, depois eles têm o direito de derrubar o meu veto ou não. É assim que é o jogo”, defendeu Lula, que foi categórico ao reforçar que as pessoas presas em 8 de janeiro de 2023 devem pagar pelos atos cometidos.

Na última quarta-feira (17), o Senado aprovou o projeto de lei 2.162/2023, por 48 votos a favor, 25 contrários e uma abstenção. A proposta reduz as penas de condenados por envolvimento nos atos golpistas e pela tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula recebeu jornalistas para um café da manhã, no Palácio do Planalto, seguido de coletiva de imprensa. Ele foi acompanhando dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad; da Casa Civil, Rui Costa; das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Outros temas que movimentaram o debate nacional nos últimos meses também entraram no centro da discussão e foram respondidos pelo presidente. Confira:

Relações exteriores

Taxação dos Estados Unidos

“Todos vocês pensaram que eu ia entrar em guerra com o Trump. O Trump virou meu amigo […], podem ficar certos que tudo vai se acertar”, disse Lula, quando questionado sobre a relação com os Estados Unidos. Ele reforçou que a radicalidade será resolvida com o diálogo.

“Desde o momento que o presidente fez a taxação, eu defendi que é direito de um país fazer a taxação a produtos estrangeiros se ele entender que o desenvolvimento de seu país está sendo prejudicado”, afirmou Lula. “O que fui contra é que os motivos da taxação não eram verdadeiros, e acho que o presidente Trump já reconheceu isso”.

Ele alegou que cobra Trump recorrentemente sobre o assunto e que, se for entendido que não há solução, o governo pode colocar em prática a reciprocidade, em relação às taxas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, conhecida como tarifaço.

Acordos entre Mercosul e União Europeia

Lula também comentou sobre o polêmico acordo UE-Mercosul. “O Mercosul está 100% disposto a fazer o acordo, mesmo não ganhando tudo o que a gente queria ganhar”, afirmou.

A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, deveria vir ao Brasil neste sábado (20) para formalizar o acordo, cujas tratativas já duram 26 anos. Acontece que, além da conhecida resistência francesa, os italianos também se revoltaram com o acordo.

Durante a cúpula do Conselho Europeu, que ocorre nestas quinta e sexta-feiras (18 e 19), que deve selar o destino do acordo, milhares de agricultores europeus tomaram as ruas de Bruxelas com tratores, protestando contra o livre comércio. O clima é de tensão, com registros de confrontos e o uso de gás lacrimogêneo pela polícia.

Venezuela e Estados Unidos

Sobre o possível conflito entre EUA e Venezuela, Lula informou que tenta atuar pela paz. “Nós temos muitos quilômetros de fronteira com a Venezuela, não queremos uma guerra no nosso continente”, comentou, reforçando que o Brasil tem muita responsabilidade na America do Sul.

Ele informou que mantém contato com os representantes dos dois países, e que pede aos dois que utilizem a diplomacia, e não as armas. Lula frisou que se colocou à disposição para intermediar as negociações e reforçou que amobos os presidentes, Nicolas Maduro e Donald Trump, coloquem suas reais intenções à mesa.

Correios

A crise nos Correios também foi um tópico da coletiva.  A estatal tenta um empréstimo de R$ 12 bilhões para se reestruturar.  “Uma empresa pública não precisa ser a rainha do lucro, mas não pode ser a rainha do prejuízo”, afirmou o presidente.

Ele informou que a presidência foi trocada e que deve tomar as medidas que “forem necessárias” para que haja uma gestão de competência à frente dos Correios.

Uma das medidas a serem tomadas é a reavaliação da localização das agências. “Eu já fui informado em que não compensa ter Correios em alguns locais, porque é deficitário demais, então precisamos saber aproveitar espaço de outra empresa pública, para não sermos obrigados a duplicar ou triplicar postos de empresas do governo em uma mesma cidade”, reiterou.

“Espero que seja necessário mantê-lo funcionando e tendo lucro, porque, para ter déficit, eu não tenho interesse”. Ele reforçou que, enquanto for presidente, não haverá privatização de estatais, sendo o máximo uma gestão de capital misto.

Indicação de Jorge Messias para STF

Lula reforçou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), que ficará para o próximo ano. Ele afirmou que enviará formalmente a documentação após o recesso parlamentar, lamentando a impossibilidade de votação ainda em dezembro.

O anúncio ocorre após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cancelar a sabatina prevista para este mês, alegando falta da mensagem presidencial oficial. Lula também comentou a preferência de Alcolumbre pelo nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), elogiando o senador, mas ressaltando que seus planos para Pacheco envolvem a disputa ao governo de Minas Gerais. O presidente pontuou que a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso acelerou o processo e gerou ruídos na articulação política.

Escala 6×1

O presidente também comentou sobre a possível redução da jornada de trabalho no Brasil, que vem sendo pauta no legislativo. “Eu acho que o país e a economia estão prontos para o fim da escala 6×1”, afirmou, reforçando que a economia deve medir os avanços tecnológicos para que o trabalhador fique mais tempo em casa, com a família, e possa estudar mais.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 148/2015, conhecida como PEC da escala 6×1, foi aprovada na última semana pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Agora, o texto segue para análise do plenário.

Lula finalizou a coletiva falando sobre o compromisso de lutar para acabar com o feminicídio e a violência contra a mulher.