Nepal ainda pode sofrer novos deslizamentos? Entenda a tragédia que deixou 362 mortos

Autoridades do Nepal e da China monitoram a região diante do risco de novas ondas de inundação e deslizamentos; buscas por 1.468 desaparecidos continuam

, em Uberlândia

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O número de mortos na tragédia que atingiu a fronteira entre Nepal e Tibete, na China, chegou a 362 nesta quinta-feira (27). Outras 1.468 pessoas estão desaparecidas, segundo balanços oficiais dos dois países. Enquanto equipes de resgate procuram sobreviventes, autoridades se preocupam para a possibilidade de novos deslizamentos e enchentes.

Do total de mortos, 359 foram registrados no Nepal e três no Tibete. O desastre aconteceu na quarta-feira (26), quando o colapso de uma geleira provocou uma avalanche de gelo e rochas. O material atingiu um rio e desencadeou uma enorme onda de água, lama e destroços.

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tragédia no nepal
Nepal busca centenas de desaparecidos após enchente devastadora – Créditos: Prabin Ranabhat/AFP

Por que o Nepal ainda corre risco de novas ondas?

O perigo não terminou após a primeira inundação. Autoridades nepalesas e chinesas monitoram a região diante da possibilidade de novos rompimentos e deslizamentos.

O diretor do Centro de Estudos de Desastres da Universidade Tribhuvan, no Nepal, Basanta Raj Adhikari, afirmou ao programa BBC Newsday que existe a possibilidade de ocorrerem uma “segunda e terceira ondas” nesta quinta ou sexta-feira.

“Não sabemos ainda”, disse Adhikari, segundo a BBC. Ele afirmou que não há previsão de chuvas intensas, mas que novos deslizamentos podem provocar mudanças repentinas no fluxo dos rios.

O especialista também afirmou que mantém contato com pesquisadores na China, que acompanham a situação do outro lado da fronteira.

Como aconteceu a tragédia no Himalaia?

A principal hipótese é de que o desastre tenha começado com o colapso de uma geleira na região da montanha Langtang Lirung, que ultrapassa 7 mil metros de altitude.

A massa de gelo e rochas desceu pela montanha e atingiu o curso do rio Lhende Khola. O impacto deslocou uma grande quantidade de água, gelo, pedras e sedimentos.

O volume avançou pelo vale e atingiu áreas povoadas, destruindo casas, estradas e pontes.

Inicialmente, houve suspeita de que um terremoto tivesse provocado o colapso. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), porém, posteriormente esclareceu que o sinal sísmico registrado na região havia sido provocado pelo próprio deslizamento, e não por um terremoto.

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Quase 1.500 pessoas continuam desaparecidas

Segundo os balanços divulgados pelas autoridades, 910 pessoas estão desaparecidas no Nepal. Mais de 700 delas seriam estrangeiras. Entre os desaparecidos no país estão 178 indianos, 65 americanos, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses.

No Tibete, 558 pessoas estão desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros.

A região atingida é uma importante rota de ligação entre Catmandu e Lhasa e recebe turistas, montanhistas e peregrinos. O desastre destruiu trechos de estradas e pontes, dificultando o acesso das equipes de emergência.

Helicópteros são usados nas buscas

As equipes de resgate utilizam helicópteros para procurar sobreviventes nas áreas mais isoladas. As aeronaves também transportam barracas, alimentos e outros suprimentos para comunidades que ficaram sem acesso por terra. O trabalho é dificultado pela destruição da infraestrutura e pelo risco de novos deslizamentos.

A situação também preocupa especialistas por causa das condições das geleiras do Himalaia. A região abriga centenas de formações de gelo que vêm sofrendo alterações com o aumento das temperaturas.

Para Adhikari, os riscos associados ao derretimento e à instabilidade das geleiras são cada vez mais presentes. “As mudanças climáticas estão realmente acontecendo aqui”, afirmou ao BBC Newsday.

O desastre, portanto, ainda está em andamento: além das buscas por 1.468 desaparecidos, autoridades do Nepal e da China precisam monitorar rios, encostas e possíveis áreas de represamento que podem provocar novas ondas de inundação.

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