Agricultores tentam barrar acordo UE-Mercosul com bloqueios e manifestações

Documento deveria ser assinado neste sábado (20), mas resistência francesa e italiana forçam União Europeia a recuar no acordo UE-Mercosul

, em Uberlândia

O encerramento da negociação do acordo UE-Mercosul, que já dura 26 anos, enfrenta seu momento mais crítico. Nesta quinta-feira (18), milhares de agricultores europeus tomaram as ruas de Bruxelas com tratores, protestando contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. O clima é de tensão na capital da Bélgica, com registros de confrontos e o uso de gás lacrimogêneo pela polícia.

Manifestação em Bruxelas contra o acordo UE-Mercosul
Líderes europeus estão na Bélgica para participar da reunião do Conselho Europeu, que enfrenta resistência popular – Créditos: Nicolas Tucat/AFP/Reprodução

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Resistência europeia ao acordo UE-Mercosul

A cúpula do Conselho Europeu, que ocorre nesta quinta e sexta-feiras (18 e 19), deveria selar o destino do tratado. No entanto, a formação de um “bloco de resistência” liderado por França, Itália e Polônia torna a aprovação improvável no curto prazo. Juntos, esses três países detêm mais de 35% da representatividade populacional do bloco, o que pode levar ao veto do acordo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a premiê italiana, Giorgia Meloni, classificam a votação como “prematura”. Eles exigem salvaguardas mais rígidas para proteger o setor agrícola local. Já os produtores europeus temem a concorrência direta da carne bovina, aves, açúcar e soja sul-americanos, que passariam a entrar no continente sem tarifas.

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O lado sul-americano

O Brasil, que exerce a presidência rotativa do Mercosul, esperava assinar o documento neste sábado (20), durante a cúpula em Foz do Iguaçu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condicionou sua viagem ao Brasil ao aval do Conselho Europeu.

Diante do novo adiamento, o presidente Lula subiu o tom. O governo brasileiro emitiu um ultimato, sinalizando que o Brasil pode abandonar definitivamente as negociações caso um consenso não seja alcançado até o fim de 2025.

Nesta quinta-feira (18), em coletiva de imprensa em Brasília, Lula informou que espera que o acordo seja assinado, mas que não pode fazer nada se a UE não aderir. “O Mercosul está 100% disposto a fazer o acordo, mesmo não ganhando tudo o que a gente queria ganhar”, afirmou.

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Veja manifestação:

Agricultores jogam esterco nas ruas de Bruxelas, na Bélgica, em protesto contra o acordo UE-Mercosul – Créditos: Redes Sociais/Reprodução