Fim da escala 6×1: Senado vota PEC nesta quarta (2); veja quando jornada de trabalho pode mudar

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal avalia nesta quarta-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue o modelo de seis dias de trabalho por um de descanso, após articulação política liderada pelo Palácio do Planalto

, em Uberlândia

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Quem trabalha na escala 6×1 terá de esperar mais alguns meses para sentir os efeitos de uma eventual mudança na jornada de trabalho. A proposta que prevê o fim desse modelo será analisada nesta quarta-feira (2), pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em Brasília. A reunião está marcada para as 9h, e a PEC 221/2019 é o primeiro item da pauta.

Fim da escala 6x1
PEC que prevê o fim da escala 6×1 será analisada pelo Senado nesta quarta-feira (2) – Créditos: Geraldo Magela/Agência Senado

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O texto estabelece a redução do limite máximo de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além da garantia de dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. A mudança, porém, não ocorreria de uma vez: a proposta prevê uma transição de 14 meses após a promulgação da emenda constitucional.

O que acontece nesta quarta-feira

A votação na CCJ é uma etapa importante, mas não representa o fim da tramitação. O relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e decidiu manter o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. Ele rejeitou 12 emendas apresentadas até 26 de agosto, embora outras sugestões tenham sido protocoladas posteriormente.

A PEC foi aprovada pela Câmara em 27 de maio e chegou ao Senado no dia seguinte. No texto aprovado pelos deputados, a jornada máxima passa gradualmente de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.

Caso avance na CCJ, a proposta ainda terá de ser votada pelo Plenário do Senado em dois turnos. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno.

Se o Senado aprovar exatamente o texto que veio da Câmara, a proposta poderá ser promulgada pelo próprio Congresso, sem necessidade de sanção do presidente da República.

Quando a escala 6×1 pode acabar?

A principal dúvida para trabalhadores é quando a mudança efetivamente começaria.

Pelo texto em análise, as novas regras não entrariam integralmente em vigor no dia da promulgação. O primeiro prazo é de 60 dias.

Após esse período, o limite semanal de trabalho cairia de 44 para 42 horas, e os trabalhadores passariam a ter direito a dois dias de descanso semanal remunerado. Um deles deverá ser, preferencialmente, aos domingos.

Depois de mais 12 meses, a jornada máxima chegaria definitivamente a 40 horas por semana.

Na prática, a transição prevista funciona assim:

  • Publicação da emenda: início da implementação;
  • Após 2 meses: jornada máxima passa de 44 para 42 horas semanais;
  • Após mais 12 meses: limite chega a 40 horas semanais;
  • Ao final da transição: trabalhador terá dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial.

Por isso, mesmo que a PEC avance rapidamente no Congresso, o fim da escala 6×1 não seria imediato.

Salário poderá ser reduzido?

Não. O texto determina que a redução da jornada seja feita sem diminuição da remuneração, inclusive quando considerada de forma proporcional.

A regra também alcança os contratos de trabalho que já estiverem em vigor quando a mudança começar a produzir efeitos. Os pisos salariais também ficam protegidos pela proposta.

Outro ponto previsto é que trabalhadores que já cumprem jornadas de 40 horas semanais ou menos não terão automaticamente a carga horária reduzida. Eles, porém, também deverão ser contemplados pela regra dos dois dias de repouso quando essa etapa entrar em vigor.

Leia Mais: PEC do fim da escala 6×1: entenda o que acontece com FGTS e horas extras

Como ficaria a jornada de trabalho?

A proposta pretende substituir a lógica constitucional atual, que permite até 44 horas de trabalho por semana, normalmente distribuídas em seis dias de atividade e um de descanso.

Com a implementação da PEC, o limite será de 40 horas semanais e dois dias de repouso remunerado.

Durante o período de transição, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer formas de organização da jornada dentro das regras previstas. O texto também preserva possibilidades específicas para determinados regimes profissionais e atividades diferenciadas.

Isso significa que o fim da escala 6×1 não necessariamente fará todos os trabalhadores passarem a cumprir exatamente os mesmos horários. A forma de distribuição das horas poderá variar conforme a atividade e as regras coletivas aplicáveis.

Por que a proposta voltou a avançar?

A PEC ganhou prioridade no Senado depois de uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta.

A proposta estava parada no Senado desde que chegou à Casa, em maio. Em agosto, Alcolumbre encaminhou oficialmente o texto para a CCJ, que passou a ter Omar Aziz como relator.

Agora, a matéria aparece como primeiro item da pauta da CCJ desta quarta-feira, durante a semana de esforço concentrado do Congresso.

O que ainda precisa acontecer?

Mesmo com a votação da CCJ, ainda haverá outras etapas antes de uma eventual mudança na jornada dos trabalhadores.

O caminho é:

  1. votação e aprovação na CCJ;
  2. votação em dois turnos no Plenário do Senado;
  3. aprovação por pelo menos 49 senadores em cada turno;
  4. promulgação da emenda pelo Congresso, caso o texto seja aprovado;
  5. início da transição após a publicação;
  6. redução para 42 horas após dois meses;
  7. redução definitiva para 40 horas após mais 12 meses.

Até a conclusão desse processo, a escala 6×1 e o limite atual de 44 horas semanais continuam valendo para os trabalhadores abrangidos pelas regras atuais.

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