Dark Horse: PF mira Mario Frias por desvio em filme sobre Bolsonaro
Ministro Flávio Dino determinou a retenção do passaporte do deputado federal e ex-secretário; investigação de irregularidades em R$ 2 milhões em emendas
Nesta quinta-feira (10), a Operação Make Up, da Polícia Federal, foi deflagrada para investigar o financiamento do filme Dark Horse, voltado à trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos está o deputado federal e secretário da Cultura no governo Bolsonaro, Mário Frias (PL-SP), suspeito de ter destinado R$ 2 milhões em emendas parlamentares irregulares. Segundo as investigações, parte deste montante pode ter sido repassada, por empresas intermediárias, à produtora do filme. A operação ocorreu com autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que proibiu o deputado de deixar o país e de se comunicar com outros investigados no inquérito que investiga o financiamento do filme.

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A operação, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra 22 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Além de Frias, a produtora responsável pelo filme, Karina Gama, também foi alvo dos mandados. A investida não contou com mandatos de prisão, e teve como objetivo intensificar as investigações a respeito da origem dos recursos e das transferências financeiras realizadas na produção de Dark Horse.
Em maio deste ano, reportagens do The Intercept Brasil demonstraram um possível financiamento de Daniel Vorcaro, além de contratos irregulares com a Prefeitura de São Paulo. Agora, a suspeita é do uso indevido de emendas parlamentares. No STF, há duas investigações relacionadas ao financiamento de Dark Horse: a de relatoria do ministro Flávio Dino, voltada ao uso de dinheiro público; e a de responsabilidade do ministro André Mendonça, que apura os repasses feitos pelo ex-controlador do Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, as investigações ligadas à operação desta quinta apontam para uma possível atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. Parte dos repasses do financiamento do filme teriam sido direcionados para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação de que os serviços prestados teriam sido efetivados. As tentativas de ocultar supostos desvios teriam continuado até julho deste ano, dois meses após a revelação da ligação entre Dark Horse e Daniel Vorcaro.
Análises financeiras apontaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que, segundo a investigação, estariam envolvidas no esquema. O caso apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de irregularidades relacionadas a processos de licitação.
Dark Horse e emendas públicas: o que pode comprometer Mario Frias?
A PF investiga se recursos de emenda do deputado Mário Frias teriam chegado a empresas relacionadas à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. A investigação foi aberta a partir de relatórios da CGU que indicaram irregularidades na destinação de emendas do ex-secretário de Bolsonaro a duas entidades registradas no nome de Karina Gama, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), emendas destinadas por Frias foram direcionadas a projetos sociais esportivos do ICP em Pirassununga (SP). No entanto, a fiscalização não encontrou comprovação de que os recursos tenham sido efetivamente aplicados na finalidade prevista. A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que os valores teriam sido desviados para financiar a produção do filme Dark Horse.
Segundo a Polícia Federal (PF), o fluxo financeiro identificado começa com R$ 2 milhões em emendas destinadas pelo deputado Frias ao ICB. A apuração também aponta pagamentos de R$ 700 mil a duas empresas, além de uma transferência de R$ 750 mil para a Go Up. Outros R$ 645,4 mil teriam sido repassados diretamente pelo deputado à produtora.
Repasses coincidem com filmagens
A Go Up tem Karina Gama entre as sócias, e ela também ocupa a presidência do Instituto Conhecer Brasil (ICB). Conforme informações reunidas no processo, as gravações de Dark Horse ocorreram em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.
A análise financeira realizada pela Polícia Federal considera o período de 10 de novembro a 30 de dezembro de 2025, que abrange parte das filmagens. Durante esse intervalo, a Go Up movimentou R$ 19,03 milhões, sendo R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,08 milhões em débitos.
Entre os principais valores recebidos pela empresa estão R$ 750 mil da NTT Brasil e recursos enviados pelo próprio Mário Frias. No mesmo período, a Go Up realizou pagamentos de R$ 906,8 mil ao Hotel Unique, R$ 653,2 mil à Foodflix Alimentação e outros valores a duas empresas do setor audiovisual.

A PF chamou atenção para a proximidade entre o período das movimentações e das filmagens, além do tipo de despesas identificadas. A decisão, porém, não afirma que os pagamentos tenham sido realizados com recursos provenientes de emendas ou que tenham sido destinados à produção de Dark Horse.
Também durante esse período, Mário Frias transferiu R$ 645,4 mil diretamente para a Go Up. A PF observou que os rendimentos mensais do deputado eram de aproximadamente R$ 44 mil e apontou a necessidade de esclarecer a origem dos recursos utilizados nos repasses realizados em menos de dois meses.
Considerando os valores transferidos por Frias e pela NTT Brasil, os recursos destinados à Go Up chegam a quase R$ 1,4 milhão.
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Proibido de deixar o país
Na mesma decisão, Dino determinou que Mário Frias e outros 28 investigados não podem deixar o país sem autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro também ordenou que os passaportes sejam entregues à Polícia Federal.
A decisão ainda impede qualquer contato direto ou indireto entre os investigados. Segundo Dino, a medida busca evitar eventual combinação de versões, ocultação ou destruição de provas e interferência nas diligências realizadas no âmbito da investigação.
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