Ponto de Vista

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Entre as cortinas e as urnas

A estreia do filme que retrata sobre a campanha de Jair Bolsonaro em 2018 está prevista para 11 de setembro, a menos de um mês das eleições

, em Uberlândia

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Poster do filme Dark Horse
Primeiro poster do filme que retrata a campanha de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro – Redes Sociais/Instagram/Divulgação

Enquanto as costuras políticas de bastidor tentam transformar os retalhos numa colcha de grande visibilidade para o cenário eleitoral, eis que surge uma novidade com potencial para render pano pra manga, o colarinho e ainda sobrar para a gravata. Nesta quarta-feira, 8 de abril, foi divulgado o primeiro poster do filme que irá retratar a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Também foi anunciada a data de estreia do longa-metragem em circuito internacional: 11 de setembro de 2026.

O anúncio foi postado na rede social pelo ator Jim Caviezel, que dá vida ao ex-presidente. A data de estreia (11/9) quase coincide com a data do episódio que marcou a eleição daquele ano e que terá especial destaque no filme, a facada sofrida por Jair Bolsonaro durante campanha em Juiz de Fora (MG) em 6/9.

A diferença de cinco dias possivelmente se justifica devido ao cronograma das principais salas de cinemas, que tradicionalmente marcam os pré-lançamentos entre as quintas e sextas – o dia 11 de setembro cairá numa sexta, enquanto o dia 6 será um domingo.

A questão, no entanto, é o impacto que o filme poderá causar em pleno ano eleitoral, a ser lançado a menos de um mês do primeiro turno. “Se você se importa com as nossas eleições, assista ao meu novo filme, que estreia em 11 de setembro de 2026!”, escreveu Caviezel na legenda da postagem, já antecipando o que vem por aí.

Como era de se esperar, o anúncio já gerou calorosos comentários nas redes sociais, o que não serve de termômetro para as campanhas, mas como ponto de observação e atenção.

Com nome de “Dark Horse” (O Azarão), o filme tem roteiro assinado pelo deputado federal e ex-secretário de Cultura Mário Frias e promete uma campanha publicitária com status de superprodução internacional. Daí, a decisão estratégica de optar pelo inglês como língua original, de forma a ter um alcance global.

Com lançamento em setembro, o filme se enquadra no período em que é feita a pré-seleção da lista dos indicados pelo Brasil a concorrer ao Oscar no ano seguinte. Só essa possibilidade já é suficiente para encher os olhos da direita e deixar a barba de molho na esquerda. Mas, vale lembrar que o filme ainda sequer teve teaser ou trailer divulgados. Muita calma nessa hora!

Se serve de modelo, a estratégia lembra o cenário eleitoral de 2010, quando foi lançado em 1º de janeiro daquele ano o filme “Lula, o Filho do Brasil”. Na ocasião, o petista cumpria seu segundo mandato consecutivo e colocou para disputa à sucessão sua então ministra Dilma Rousseff.

O filme que retratava a história do sétimo filho de Dona Lindu, desde o nascimento no interior pernambucano até chegar a líder sindical, foi escolhido por unanimidade por uma comissão do Ministério da Cultura como a indicação do Brasil ao 83º Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Apesar de ter sido a produção nacional mais cara até aquele momento (mais de R$ 17 milhões), não chegou a ser selecionado na listas dos 5 melhores. Também foi um fracasso comercial e de crítica, muito por conta de ter sido tratado como propaganda eleitoral.

Ao final de sua exibição nos cinemas, “Lula, o Filho do Brasil” havia levado pouco mais de 850 mil espectadores aos cinemas, tornando-se apenas a 7ª produção nacional de maior bilheteria de 2010 no Brasil.

Agora em 2026, o lançamento de “Dark Horse” trazendo luz à campanha de 2018 de Bolsonaro – que já lançou o filho na disputa Presidencial – em pleno ano eleitoral, serve de ingrediente para uma disputa que ainda tá longe de encontrar o tempero ideal.

Se vai ser o azarão da disputa, seja nas urnas ou numa eventual candidatura ao Oscar, só o tempo irá apontar. O que conta a história é que, se o filme de 2010 não chegou ao tapete vermelho de Hollywood, seu personagem ao menos serviu de inspiração para a vitória nas urnas de sua aliada.

 

Walace Torres
jornalista

 

*Esse é um artigo indepentente e não representa, necessariamente, a opinião do Portal.