Brasileiros que visitavam a Venezuela deixam país após ataque dos EUA
Grupo cruzou a fronteira por Roraima e o governo brasileiro acompanha a situação e participará de reunião do Conselho de Segurança da ONU
Brasileiros que visitavam a Venezuela começaram a deixar o país no sábado (3) após os ataques dos Estados Unidos contra o território venezuelano. Segundo o governo federal, ao menos 100 turistas brasileiros cruzaram a fronteira e entraram no Brasil por Roraima. Não há registro de feridos ou vítimas entre os cidadãos brasileiros.
O Brasil confirmou participação em reuniões internacionais sobre o tema, neste domingo (4) e na segunda-feira (5).

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A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores. De acordo com a ministra interina do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, a embaixada do Brasil em Caracas segue monitorando o desenrolar dos acontecimentos e prestando assistência à comunidade brasileira no país vizinho.
“Nossa embaixada em Caracas acompanha com atenção não apenas o desenrolar dos acontecimentos, mas também a situação da comunidade brasileira naquele país, não havendo qualquer relato de vítimas ou feridos”, afirmou a ministra interina.
Diante da escalada da crise, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, interrompeu as férias e retornou a Brasília ainda neste sábado para acompanhar a situação. O tema foi tratado em duas reuniões emergenciais, coordenadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.

O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a situação na fronteira segue tranquila e que não há restrições para a saída de brasileiros da Venezuela. Ele orientou que quem desejar deixar o país procure as representações diplomáticas brasileiras.
“As fronteiras estão abertas, está tudo calmo. O brasileiro que estiver lá pode vir e procurar o embaixador ou o vice-cônsul, que têm ajudado bastante. Estamos de plantão para acompanhar qualquer novo acontecimento”, disse.
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Questionada sobre o reconhecimento do comando político venezuelano, Maria Laura da Rocha afirmou que o Brasil reconhece Delcy Rodríguez, vice-presidente do país, como chefe de Estado interina, diante da ausência de Nicolás Maduro.
Além das ações internas, o Brasil confirmou participação em reuniões internacionais para tratar do tema. O país estará presente na reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), neste domingo (4), e na reunião do Conselho de Segurança da ONU, marcada para segunda-feira (5).
Segundo a ministra interina, a posição brasileira seguirá a tradição diplomática de defesa da soberania nacional e do direito internacional. “O Brasil é contra qualquer tipo de invasão territorial e defende a soberania dos países”, afirmou.
Mais cedo, em comunicado oficial, o presidente Lula condenou o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, classificando a ação como violação do direito internacional.
Entenda o contexto
A ofensiva dos EUA contra a Venezuela marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última invasão militar norte-americana na região havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi capturado sob acusação de narcotráfico.
O governo norte-americano acusa Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel conhecido como De Los Soles, embora especialistas em tráfico internacional de drogas questionem a existência do grupo. Os EUA chegaram a oferecer US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.
Para analistas críticos à ação, o ataque teria motivação geopolítica, com o objetivo de afastar a Venezuela de alianças com países como China e Rússia, além de ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, o maior volume de reservas comprovadas do mundo.