Jorge Marra terá novo julgamento pela morte de ex-vereador de Patrocínio

A realização de um novo júri ocorre após a anulação do julgamento anterior, realizado em 2022, quando Jorge Marra foi absolvido pelo Conselho de Sentença

, em Uberlândia

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O ex-secretário municipal de Obras de Patrocínio, Jorge Moreira Marra, será submetido a um novo Tribunal do Júri pela morte do ex-vereador (2009-2016), advogado e ex-presidente da Câmara Municipal de Patrocínio, Cássio Remis Santos. O novo julgamento foi marcado para 17 de março de 2027, às 8h20, em Belo Horizonte.

A decisão foi dada pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

A realização de um novo júri ocorre após a anulação do julgamento anterior, realizado em 2022, quando Jorge Marra foi absolvido pelo Conselho de Sentença de Patrocínio, que acolheu a tese apresentada pela defesa de que ele teria agido em legítima defesa.

Jorge Moreira Marra
Em 2020, Jorge Marra era secretário municipal de Patrocínio – Crédito: Reprodução/ redes sociais

O processo estava em Patrocínio e agora será julgado em Belo Horizonte. O pedido de mudança do local do julgamento foi feito para que o novo Tribunal do Júri não ocorresse na cidade onde o crime aconteceu, buscando, segundo a defesa, assegurar a imparcialidade do julgamento e a plenitude de defesa.

A reportagem entrou em contato com o advogado de Jorge Marra e aguarda um posicionamento da defesa.

Absolvição em 2022

Após a absolvição de Marra pelo Tribunal do Júri, em 2022, a família de Cássio Remis recorreu da decisão. A acusação sustentou que o veredicto dos jurados teria sido manifestamente contrário às provas apresentadas no processo.

Com a decisão que anulou o julgamento anterior, Jorge Marra será novamente levado a julgamento pela acusação de homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima, além de crime relacionado ao porte de arma.

Atualmente, Marra responde ao processo em liberdade.

Crime aconteceu após discussão durante live

Cássio Remis foi morto a tiros em setembro de 2020, após uma discussão envolvendo uma obra pública em Patrocínio. Pouco antes do crime, Cássio fazia uma transmissão ao vivo nas redes sociais na qual denunciava supostas irregularidades em uma obra.

Na época, Jorge Marra era secretário municipal de Obras de Patrocínio e seu irmão, Deiró Moreira Marra (DEM), era o atual prefeito da cidade.

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Segundo ele, máquinas e servidores da Prefeitura estariam sendo utilizados em um calçamento que beneficiaria a instalação de um comitê de campanha eleitoral.

Cássio Remis
Cássio Remis foi morto a tiros em setembro de 2020, após uma discussão envolvendo uma obra pública – Crédito: Reprodução/ redes sociais

Durante a transmissão, Jorge Marra chegou ao local e tomou o celular de Cássio. Imagens registradas por pessoas que estavam na região mostram a vítima tentando recuperar o aparelho e chegando a se colocar diante da caminhonete conduzida por Marra.

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Após a discussão, Cássio seguiu até a Secretaria Municipal de Obras. Imagens de câmeras de segurança registraram a sequência do crime.

Segundo as imagens, Cássio chegou ao prédio e algumas pessoas tentaram contê-lo. Em seguida, Jorge caminhou até uma caminhonete, pegou uma arma e foi atrás de Cássio, que correu em direção à rua. Marra então teria efetuado cinco disparos contra a vítima e deixou o local na caminhonete.

A assistência de acusação afirma que alguns dos tiros foram efetuados quando Cássio já estava caído. A representação da família classifica dois desses disparos como “tiros de misericórdia”.

Marra se entregou três dias após o crime

Após o homicídio, Jorge Marra permaneceu foragido e se entregou à polícia depois de uma negociação que durou três dias. Na ocasião, populares chegaram a se manifestar em frente à delegacia.

A caminhonete e armas relacionadas ao caso foram posteriormente localizadas em uma cidade vizinha, na residência de outro político da região, conforme informações divulgadas à época.

Durante o processo, Jorge Marra afirmou que agiu em legítima defesa.

Família recorreu da absolvição

Em nota divulgada nesta quinta-feira (03), o advogado Fábio Alves Leandro, que representa a família de Cássio, afirmou que os familiares receberam a definição da nova data como uma nova oportunidade de buscar justiça.

“A família de Cássio Remis Santos terá nova oportunidade de buscar justiça perante o Tribunal do Júri”, afirmou o advogado.

Segundo ele, a família espera que as provas sejam novamente analisadas pelos jurados e que o julgamento ocorra com respeito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.

Novo julgamento

Além de marcar a sessão para 17 de março de 2027, o juiz determinou a convocação das testemunhas e dos jurados, o reforço do policiamento durante o julgamento e o envio das mídias e dos objetos apreendidos no processo para que possam ser apresentados durante a sessão.

Com isso, o novo Tribunal do Júri deverá definir novamente a responsabilidade de Jorge Marra pela morte de Cássio Remis, em um processo que se arrasta desde setembro de 2020.

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