Aprovado na CCJ do Senado, o que falta para o fim da escala 6×1 virar realidade?
Após três meses travada por distanciamento entre Lula e Alcolumbre, PEC avança na comissão; governo pressiona por votação imediata, enquanto oposição tenta adiar para depois das eleições
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6×1 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), nesta quarta-feira (2). O relatório aprovado, do senador Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou as 36 emendas apresentadas e manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara. Agora, o texto deve ir à plenária, para votação em dois turnos, e cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidir quando o projeto será pautado.

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A PEC 221/2019 estabelece a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além de garantir dois dias de descanso remunerado por semana (fim da escala 6×1). A proposta prevê ainda um período de transição de 14 meses para a implementação da nova jornada.
Na comissão, 27 senadores participaram da votação. Quatro foram contrários à proposta: Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO).
A comissão também aprovou um requerimento de calendário especial, medida que permite acelerar a tramitação da proposta que acaba com a escala 6×1. Com o mecanismo, é possível dispensar os chamados “interstícios regimentais”, intervalo de tempo obrigatório que deve ocorrer entre dois atos ou fases de um processo legislativo, reduzindo o intervalo exigido entre etapas e antecipando a análise da matéria pelo Plenário.
PEC do fim da escala 6×1 vai ao Plenário
A PEC 221/2019 segue agora para o Plenário do Senado, onde deverá passar por cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno. Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, acompanhou a votação e disse que a expectativa do Governo é de que a votação ocorra nesta quarta ou quinta-feira (3). Apesar disso, segundo informações do Portal R7, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não se comprometeu com a votação em plenário.
Para ser aprovada, a proposta precisa do apoio de três quintos dos senadores, o que corresponde a 49 dos 81 parlamentares, em dois turnos de votação. Entre as duas etapas, deve ser respeitado o intervalo estabelecido pelo Regimento Interno do Senado, embora esse prazo possa ser reduzido mediante acordo entre os parlamentares.
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Três meses na gaveta
Aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, a PEC que busca por fim a escala 6×1 permaneceu por quase três meses sem avançar no Senado. A demora ocorreu em meio ao afastamento político entre Davi Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os dois voltaram a se reunir no início de agosto, após meses de distanciamento. O rompimento havia ocorrido depois da rejeição de Jorge Messias para uma vaga no STF, em abril. O encontro abriu espaço para negociações que contribuíram para a retomada da tramitação da proposta.
A redução da jornada e o fim da escala 6×1 estão entre as pautas defendidas por Lula na campanha pela reeleição. A oposição, porém, se posiciona contra a proposta e busca adiar a votação para depois das eleições.
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O que muda se a PEC for promulgada
- Jornada semanal de 40 horas: a carga máxima de trabalho por semana será reduzida de 44 para 40 horas, mantendo o limite de oito horas diárias.
- Dois dias de descanso remunerado: o trabalhador terá direito a dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.
- Sem redução de salário: a diminuição da jornada não poderá resultar em corte salarial, incluindo os valores correspondentes aos pisos das categorias.
- Mudança gradual: a redução ocorrerá em duas etapas. A jornada passará para 42 horas semanais dois meses após a promulgação e, um ano depois, chegará ao limite de 40 horas.

- Negociação coletiva permanece: convenções e acordos coletivos continuarão podendo estabelecer regras para compensação de horas e organização dos períodos de descanso, desde que respeitem os novos limites.
- Acordos precisarão ser adequados: cláusulas de convenções e acordos coletivos que contrariem as novas regras deixarão de valer dois meses após a promulgação.
- Jornadas de até 40 horas não serão reduzidas: quem já trabalha 40 horas semanais ou menos não terá a carga horária reduzida automaticamente. Esses trabalhadores, no entanto, também passarão a ter direito aos dois dias de descanso remunerado.
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