Plantas aquáticas tomam Represa de Miranda e mobilizam força-tarefa; veja o que se sabe
Vídeo que repercutiu nas redes sociais mostra grande concentração de vegetação no reservatório; coleta de amostras identificou plantas aquáticas do gênero Salvinia
Um grande volume de algas e plantas aquáticas tomou parte da Represa de Miranda, no Rio Araguari, em Indianópolis, no Triângulo Mineiro. A concentração ganhou repercussão após um vídeo gravado na região da balsa circular nas redes sociais. O município já retirou cerca de quatro caminhões de vegetação e articula uma força-tarefa para investigar a origem e as causas da ocorrência.
A concentração envolve áreas do Rio Araguari e mobiliza a Prefeitura de Indianópolis, Cemig, Engie, Defesa Civil, Polícia Militar de Meio Ambiente, Ministério Público e órgãos ambientais.
Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Planejamento de Indianópolis, o material acumulado é formado por plantas aquáticas do gênero Salvinia.
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Créditos: Reprodução/Rogerio Barkero Fishing
Prefeitura retira quatro caminhões de material
Desde que identificou a ocorrência, a Prefeitura realizou vistoria técnica, registros fotográficos georreferenciados e coleta de amostras para análise. Como havia uma grande concentração de vegetação próxima à balsa, o município também fez uma retirada mecânica emergencial. Até o momento, cerca de quatro caminhões de material acumulado foram removidos.
Segundo a Prefeitura, a intervenção é localizada e busca reduzir a concentração de vegetação na região enquanto as avaliações técnicas continuam.
Força-tarefa vai investigar origem das plantas
Além das ações emergenciais, Indianópolis articula uma força-tarefa interinstitucional para avaliar a situação e definir as próximas medidas.
A mobilização deverá reunir representantes dos Ministérios Públicos, da Defesa Civil, da Polícia Militar de Meio Ambiente e das secretarias municipais de Meio Ambiente de Indianópolis e Uberlândia, além de outros órgãos e instituições que possam contribuir com a análise.
A Defesa Civil informou que esteve no local para vistoriar parte do reservatório e que a criação de uma força-tarefa já havia sido discutida com representantes do município.
O órgão também aguarda o retorno dos promotores de Justiça com atuação na área ambiental de Araguari e Uberlândia para uma reunião sobre as providências que poderão ser adotadas.
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De onde vieram as plantas?
A origem da massa de vegetação está no centro da apuração.
A Engie, responsável pela Usina Hidrelétrica de Miranda, informou que a massa de macrófitas observada no reservatório tem origem a montante, no reservatório da Usina Hidrelétrica de Nova Ponte. Segundo a empresa, a ocorrência já havia sido registrada em Nova Ponte e passou a ser acompanhada após a vegetação se deslocar pelo Rio Araguari.
A Cemig, responsável pela operação da Usina de Nova Ponte, informou que já monitorava a ocorrência de algas e plantas aquáticas no reservatório.

Cemig explica abertura das comportas
A Cemig informou que houve uma abertura temporária das comportas da Usina de Nova Ponte em 16 de agosto.
Segundo a companhia, a operação ocorreu para atender à necessidade de redução da geração de usinas hidrelétricas determinada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A empresa afirmou em nota que a abertura teve como objetivo manter o fluxo de água no Rio Araguari durante a interrupção temporária da geração da usina. Segundo a Cemig, a operação segue os procedimentos previstos para os reservatórios hidrelétricos.
A Engie informou que acompanha a chegada da vegetação ao reservatório de Miranda e que, segundo as informações recebidas, as plantas começaram a descer após a abertura do vertedouro de Nova Ponte.
A empresa orientou ao Paranaíba Mais que questões relacionadas à operação das comportas fossem tratadas diretamente com a Cemig.
Causa da proliferação ainda não foi definida
Apesar das informações sobre a origem e o deslocamento da vegetação, a causa da proliferação ainda não foi determinada.
Em nota divulgada anteriormente, a Cemig afirmou que algas e plantas aquáticas podem ocorrer naturalmente em lagos e reservatórios, mas que o crescimento acelerado pode estar relacionado a uma combinação de fatores.
Entre eles estão nutrientes disponíveis na água, temperatura, luminosidade, regime de chuvas e vazões, além das características de uso e ocupação da bacia hidrográfica.
A companhia também citou atividades agropecuárias, piscicultura, ocupação urbana, lançamento de efluentes e manejo do solo como possíveis fontes de matéria orgânica e nutrientes.
A Cemig ressaltou, porém, que os dados disponíveis ainda não permitiam apontar uma causa única para a ocorrência.
Indianópolis evita apontar responsável
A Prefeitura de Indianópolis também adotou cautela ao tratar da responsabilidade pela chegada das plantas.
Segundo o município, é necessário investigar tecnicamente a origem, as causas da concentração e os fatores que contribuíram para o deslocamento da biomassa.
A análise deverá considerar a dinâmica do reservatório, o regime de vazões e outros fatores ambientais e operacionais.
Somente a partir dos dados e das análises será possível, segundo a Prefeitura, estabelecer uma eventual relação de causa e efeito e atribuir responsabilidades, caso isso seja tecnicamente comprovado.
Usina de Miranda opera normalmente
A Engie informou que não identificou anormalidades na operação da Usina de Miranda ou na geração de energia elétrica.
Segundo a empresa, o empreendimento permanece funcionando normalmente e seguindo as diretrizes e os despachos determinados pelo ONS. A companhia também informou que a proliferação de plantas aquáticas não é uma característica típica da represa.
Desde que a Engie assumiu a operação da usina, em 2018, esta é, segundo a empresa, a primeira ocorrência desse tipo registrada no empreendimento.
Monitoramento continua
Cemig e Engie afirmaram que continuam monitorando a situação.
A Engie informou que acompanha a evolução da massa de plantas no reservatório e poderá adotar novas medidas, se necessário, em conjunto com os órgãos competentes.
A Prefeitura de Indianópolis também afirmou que continuará acompanhando o cenário e adotando, dentro de suas atribuições, medidas preventivas e operacionais. O município destacou que a prioridade é proteger o reservatório e garantir a segurança da população.
Até o momento, não há previsão para a retirada completa das plantas aquáticas.
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