Homem suspeito de simular acidente após feminicídio se torna réu
Justiça vê indícios de crime e aceita denúncia contra suspeito de matar companheira e tentar simular acidente para despistar investigação
Acusado de simular acidente depois de matar a companheira, Alison de Araújo Mesquita se tornou réu, após decisão do 1° Tribunal do Júri de Belo Horizonte de acatar a denúncia do Ministério Público, nesta sexta-feira (27).

De acordo com o entendimento do juízo, há elementos suficientes para a abertura da ação penal. Com isso, o acusado será formalmente citado e terá prazo de dez dias para apresentar defesa. A partir dessa decisão, o processo também deixa de tramitar sob sigilo, permitindo maior transparência dos atos judiciais.
A manutenção da prisão preventiva foi outro ponto confirmado pela Justiça. Alison está preso desde dezembro de 2025, quando foi detido em flagrante. A defesa já havia solicitado a revogação da medida, mas o pedido foi negado, e o magistrado reforçou que não houve alteração nos fatores que justificam a custódia.
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Investigações desmontam tentativa de simular acidente
A linha de investigação começou com a suspeita de um acidente de trânsito na MG-050, em Itaúna. No entanto, o avanço das apurações revelou que a tentativa de simular acidente fazia parte de um plano para ocultar o crime.
O crime foi descoberto por meio de filmagens da praça de pedágio da rodovia, que mostraram Henay Rosa, de 31 anos, inconsciente no banco do motorista, e o suspeito dirigindo o carro do banco do passageiro. A denúncia de uma funcionária do posto de pedágio que atendeu ao veículo foi o que levou ao início das investigações. O caso ocorreu na manhã de domingo (14).
“A atendente estranhou o fato de a vítima estar desacordada no banco do motorista, enquanto o companheiro, no banco do passageiro, conduzia o veículo ao alcançar o volante. Mesmo alertado, ele recusou ajuda e seguiu viagem”, afirmou o delegado Flávio Destro, chefe do 7º Departamento de Polícia Civil.
A funcionária estranhou a situação e chegou a perguntar para Alison de Araújo se estava tudo bem. O homem afirmou que a parceira estava passando mal, então a atendente sugeriu que ele parasse logo à frente para serem atendidos. O suspeito chegou a concordar, mas arrancou com o carro depois.
Pouco depois da passagem pelo pedágio, o carro invadiu a contramão e bateu de frente com um micro-ônibus de turismo. A morte de Henay Rosa foi constatada no local e registrada como acidente de trânsito. Além do relato da funcionária, os investigadores encontraram inconsistências entre a dinâmica do acidente e as lesões apresentadas pela vítima.
Segundo a PCMG, as investigações apontaram que possivelmente Henay Rosa já estava morta antes da batida com o micro-ônibus. Uma nova necropsia foi realizada, focada na suspeita de feminicídio. O médico legista encontrou sinais de que a vítima teria sido estrangulada, além de ter lesões compatíveis com traumatismo craniano.
Simular acidente não impede prisão e julgamento
A prisão de Alison ocorreu no dia seguinte ao crime, durante o velório da vítima, em Divinópolis. A Polícia Civil reuniu provas consideradas consistentes, como imagens de câmeras de segurança, resultados periciais e análise do comportamento do investigado antes e depois do ocorrido.
Com a denúncia aceita, o caso segue agora para as próximas fases do processo criminal e será submetido ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. A tentativa de simular acidente, segundo os investigadores, não foi suficiente para sustentar a versão inicial, e o conjunto de provas levou ao enquadramento do acusado por homicídio.