Geração Canguru: jovens ficam mais tempo com os pais diante do preço dos imóveis

Juros altos, imóveis mais caros e renda apertada fazem jovens adiarem o sonho da casa própria; moradores de Uberlândia relatam desafios e conquistas para financiar o primeiro imóvel

, em Uberlândia

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O sonho da casa própria continua nos planos da Geração Z, mas está cada vez mais distante para parte dos jovens. Juros elevados, imóveis mais caros e dificuldade para reunir a entrada têm levado muitos a adiar o financiamento e permanecer por mais tempo na casa dos pais, fenômeno conhecido como “Geração Canguru”.

Segundo pesquisa da Ipsos, encomendada pelo QuintoAndar, 47% dos jovens da Geração Z dizem não ter condições financeiras para dar entrada ou financiar um imóvel. Outros 30% apontam o preço dos imóveis como principal obstáculo, enquanto 21% citam os juros elevados.

Em Uberlândia, essa realidade aparece nas histórias de jovens que vivem momentos diferentes. Enquanto alguns adiaram a compra do primeiro imóvel, outros conseguiram financiar um apartamento antes dos 25 anos.

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Imóveis caros
Jovens enfrentam novos desafios para comprar o primeiro imóvel diante da alta dos preços e dos juros – Créditos: Reprodução/Freepik

Juros altos afastam jovens do financiamento

Formado em Gestão da Informação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Vinicius Arguejos, de 24 anos, pesquisou opções de financiamento, mas desistiu após analisar os custos. Segundo ele, o principal obstáculo não foi reunir o dinheiro da entrada, mas assumir um financiamento em um cenário de juros elevados.

“Os juros estão muito altos. Além disso, os imóveis mais acessíveis geralmente ficam em regiões que ainda não estão desenvolvidas. Você compra acreditando que, daqui a quatro ou cinco anos, aquele bairro vai crescer, mas não existe garantia”, explica.

Vinicius conta que conseguiu economizar o suficiente para pagar a entrada, mas percebeu que precisaria usar praticamente toda a reserva financeira acumulada ao longo dos anos. “Eu tinha o valor da entrada, mas iria consumir toda a minha reserva de emergência. Para mim, não fazia sentido”, disse.

Hoje, ele continua morando com os pais e afirma que a decisão não representa um problema neste momento. Segundo Vinicius, a mudança deve acontecer quando a namorada concluir a faculdade.

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Organização financeira permitiu compra aos 23 anos

Se para muitos jovens o financiamento parece distante, outros conseguiram antecipar esse objetivo. O estudante de Sistemas de Informação Pedro Henrique, de 24 anos, financiou o primeiro apartamento aos 23. O imóvel custou cerca de R$ 245 mil, e ele e a namorada deram uma entrada de R$ 5 mil, valor reunido em aproximadamente três meses.

Segundo Pedro, o casal já tinha o hábito de separar parte da renda mensal para formar uma reserva financeira, o que facilitou a compra. “Não tivemos grandes sacrifícios. Já guardávamos parte do salário todos os meses”, contou.

Ele afirma que o financiamento foi feito sem ajuda da família e que, como as parcelas são divididas entre os dois, o pagamento cabe no orçamento. Na avaliação dele, programas habitacionais e linhas de crédito ainda permitem o acesso ao primeiro imóvel para quem consegue manter uma organização financeira.

Aluguel cresce enquanto compra diminui

Os relatos refletem uma mudança observada em todo o país.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a proporção de brasileiros vivendo em imóveis alugados aumentou em mais de 11 milhões nos últimos nove anos, saindo de 35 milhões em 2016 para 48,7 milhões em 2025.

Nesse período, o número de pessoas morando em casas próprias, recuou de 137,9 milhões para 129,8 milhões.

Outro reflexo desse cenário é o aumento do número de jovens que permanecem na casa dos pais. Atualmente, cerca de um em cada quatro brasileiros entre 25 e 34 anos ainda mora com a família, percentual superior ao registrado há pouco mais de uma década.

Financiamento ficou mais caro

Além da valorização dos imóveis, o crédito imobiliário também pesa no orçamento.

Com a taxa Selic em 14,5% ao ano, os financiamentos imobiliários oferecidos pelos principais bancos operam com juros entre 11% e 12% ao ano, além da Taxa Referencial (TR). O resultado são parcelas mais altas e uma renda maior exigida para aprovação do crédito.

Outro desafio é a entrada. Atualmente, os bancos costumam financiar entre 65% e 70% do valor do imóvel. O comprador precisa arcar com o restante, além de despesas como escritura, registro em cartório e Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

Para muitos jovens, esse cenário faz com que permanecer na casa dos pais ou optar pelo aluguel deixe de ser uma escolha e passe a ser uma necessidade financeira.

Gostou de entender como os preços dos imóveis estão mudando os planos dos jovens? Continue acompanhando o Portal Paranaíba Mais para conferir outras histórias de Uberlândia, economia e comportamento.