Moraes proíbe Flávio Bolsonaro de visitar pai, após carta
Ministro do STF suspende por 90 dias as visitas do senador ao ex-presidente Jair Bolsonaro após transmissão com carta manuscrita nas redes sociais
-
Uma live de poucos minutos foi suficiente para mudar a rotina de Flávio Bolsonaro dentro do processo que envolve a prisão domiciliar de seu pai. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão imediata do direito de visita do senador ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelos próximos 90 dias. A decisão foi tomada depois que Flávio usou uma transmissão ao vivo, no último sábado (11), para ler e divulgar nas redes sociais uma carta escrita à mão pelo pai.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Para Moraes, o episódio não foi um deslize isolado. Para o magistrado, a conduta configurou um “ostensivo desvio de finalidade” e um desrespeito frontal à ordem judicial, usando a visita como ponte para transformar as palavras do pai em material de campanha digital.
O que motivou a punição a Flávio Bolsonaro
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão em regime inicialmente fechado, mas atualmente está em prisão domiciliar por razões humanitárias. Uma das condições mais rígidas para manter esse benefício é a proibição total de acesso a redes sociais, seja de forma direta, seja por meio de terceiros.
Ao ler publicamente a carta do pai durante a live de sábado, Flávio teria driblado justamente essa barreira. Na avaliação do ministro, o gesto configurou um desvio de finalidade explícito no uso do direito de visita, o que abriu caminho para a sanção com base na Lei de Execuções Penais.
Moraes também classificou a conduta do senador como reincidente. Ele citou um episódio anterior, ocorrido em 3 de agosto de 2025, quando Flávio transmitiu em suas redes uma fala do pai por telefone durante um ato político em Copacabana. Na ocasião, o descumprimento das regras impostas resultou na decretação provisória da própria prisão domiciliar de Jair Bolsonaro logo no dia seguinte.
Defesa terá que se explicar sobre a carta
A decisão de Moraes também impõe um prazo de 48 horas para que os advogados de Jair Bolsonaro se manifestem sobre o episódio. A defesa precisará esclarecer se o ex-presidente tinha plena consciência de que o manuscrito seria divulgado publicamente na internet, e não apenas compartilhado dentro do círculo familiar.
Esse ponto é sensível porque, caso fique comprovado que houve combinação prévia para veicular o texto nas redes, a situação pode reforçar ainda mais o entendimento de que as regras da prisão domiciliar humanitária foram burladas conscientemente pelos dois lados.
O conteúdo da carta que gerou a crise
A carta lida por Flávio Bolsonaro durante a transmissão tinha um recado direto aos aliados: deixar as disputas internas de lado e se unir em torno da pré-candidatura do senador à Presidência da República. No texto, o ex-presidente descreve o filho como seu representante político e pede empenho coletivo pela causa.

Antes de iniciar a leitura, Flávio contou que havia visitado o pai naquela mesma manhã e atualizado o ex-presidente sobre os acontecimentos da semana. Segundo o senador, Jair Bolsonaro acompanha o cenário político “na medida do possível” a partir do local onde cumpre a pena, e a carta seria publicada tanto na versão manuscrita original quanto em transcrição.
A divulgação ocorreu em um momento de forte desgaste dentro do bolsonarismo. Dias antes, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro havia acusado o enteado de tê-la tratado com desrespeito durante uma ligação, o que culminou em sua saída da presidência do PL Mulher poucos dias depois.
LEIA MAIS: Investigação de Valdemar e carta de Bolsonaro movimentam bastidores da pré-campanha de Flávio
Diante desse cenário de racha, Flávio afirmou que a carta ajuda a barrar falas conflitantes e direcionamentos divergentes dentro do grupo, além de sinalizar que existem articulações para tentar boicotar sua candidatura. Ele reforçou que o próprio pai o colocou como voz oficial da pré-campanha.
Em um dos trechos mais comentados, Jair Bolsonaro define o momento como de “arregaçar as mangas” e pede união em torno daquele que chama de melhor opção para o país. O ex-presidente também trata Flávio como seu porta-voz de confiança para conduzir o Brasil a um novo momento político.
Próximos passos no STF
Com a resposta da defesa esperada em até 48 horas, o episódio deve ganhar novos capítulos nos próximos dias. A manifestação dos advogados pode tanto amenizar quanto agravar a situação jurídica do ex-presidente, dependendo do que for esclarecido sobre o grau de conhecimento de Jair Bolsonaro a respeito da divulgação pública da carta.
Enquanto isso, a suspensão das visitas atinge diretamente a rotina de Flávio Bolsonaro, que perde por três meses o contato presencial com o pai justamente em um período de intensa movimentação política em torno de sua pré-candidatura.