“Cenário de destruição total”, bombeiro de MG conta detalhes sobre buscas na Venezuela
O bombeiro de MG contou detalhes e bastidores da missão humanitária na cidade de La Guaira, na Venezuela
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Os militares do 12º Batalhão de Bombeiros Militar de Patos de Minas, tenente Renato Melo e sargento Lúcio Flávio, concluíram a missão humanitária na Venezuela e chegaram ao Brasil no último sábado (11) após integrarem a força-tarefa brasileira que atuou nas operações de busca e resgate em áreas atingidas.
Segundo o tenente Renato, ele esteve presente na equipe de resgate e realizou diversas buscas nos escombros deixados pelo terremoto. “Foi um cenário de destruição total, o terremoto afetou a cidade inteira, um colapso total”, disse o bombeiro.
Bombeiro de MG fala sobre a destruição
A equipe brasileira em que estava o tenente Renato foi a segunda enviada ao país e chegou ao território venezuelano na madrugada de domingo (28), desembarcando na região de Caraballeda, no estado de La Guaira, no litoral, uma das áreas mais devastadas pelos terremotos.
A missão teve como foco as operações de busca e resgate de vítimas, priorizando a localização de sobreviventes e, quando necessário, a recuperação de corpos de pessoas que não resistiram ao desastre.
“As ações foram coordenadas pelo Escritório das Nações Unidas (ONU) responsável pela gestão das operações de emergência, que direcionava as equipes para atender solicitações da população”, disse Renato.
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Ainda segundo o bombeiro, um dos momentos mais marcantes ocorreu quando os cães de busca identificaram indícios da presença de uma possível vítima com vida sob os escombros.
“Nós iniciamos uma complexa operação de resgate que se estendeu por cerca de 57 horas ininterruptas. Equipamentos detectores chegaram a indicar sinais compatíveis com uma pessoa viva soterrada, aumentando a esperança da equipe. No entanto, durante os trabalhos, os sinais cessaram e a vítima deixou de responder”, contou.

Duas semanas de buscas
Durante a missão, a força-tarefa brasileira realizou 90 intervenções em edificações destruídas e participou da localização e retirada de 23 corpos.
Após 14 dias de trabalho intenso, a equipe brasileira encerrou as atividades na última sexta-feira (10) e iniciou o retorno em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Durante a missão, os bombeiros realizaram 90 intervenções em estruturas colapsadas, conseguindo localizar e retirar 23 vítimas dos escombros.
A força-tarefa foi composta por 71 especialistas em desastres dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Minas Gerais contribuiu com 31 militares, entre eles os representantes de Patos de Minas, que participaram diretamente das operações em algumas das áreas mais afetadas pela tragédia.
Tecnologia utilizada nas buscas
Ainda segundo Renato, os bombeiros precisavam avaliar cuidadosamente a estabilidade das estruturas para evitar novos desabamentos e garantir a segurança das equipes.

Entre os recursos empregados estavam detectores de vida, detectores sísmicos, equipamentos de escaneamento estrutural, ferramentas de corte e rompimento, sistemas de elevação de cargas e cães farejadores especializados.
Cães de busca auxiliaram no trabalho de resgate
A operação contou ainda com a atuação dos cães de busca, que trabalharam em conjunto com os equipamentos eletrônicos e com a técnica de escuta para identificar sinais de vida. Os recursos eram utilizados de forma complementar para aumentar a precisão das buscas antes do início das escavações.
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Ainda conforme o tenente Renato, as possibilidades de localizar sobreviventes diminuíram significativamente, levando ao encerramento da missão e à desmobilização da força-tarefa brasileira.
Participação de MG
Ao todo, duas equipes com bombeiros mineiros foram enviados à Venezuela. A primeira equipe contou com 13 militares do CBMMG, enviados em 26 de junho. Já a segunda equipe levou 18 militares do CBMMG, enviados no dia 28 de junho. Ao todo, 31 bombeiros de Minas Gerais fizeram parte da ação humanitária no país.