Aécio registra chapa com Galassi e Heringer como suplentes
Produtor rural de Uberlândia e médico que haviam sido candidatos ao Senado renunciaram às próprias candidaturas para abrir espaço ao tucano; agora, os dois permanecem na chapa de Aécio
A chapa do ex-governador Aécio Neves (PSDB) ao Senado foi oficialmente registrada nesta terça-feira (01) com Gustavo Galassi (PSDB, produtor rural de Uberlândia, como primeiro suplente, e Marcelo Heringer (PDT), médico e ex-candidato do PDT ao Senado, como segundo suplente.
A composição sacramenta uma engenharia política que começou com uma decisão de Aécio de não disputar as eleições, passou pela escolha de Galassi para representar o PSDB na corrida ao Senado, teve a retirada de Heringer da disputa e terminou com o retorno do ex-governador à corrida eleitoral.
Agora, a fotografia definitiva é outra: Aécio é o candidato; Galassi e Heringer continuam na chapa, mas como suplentes. A informação foi divulgada pela assessoria de Aécio.
Gustavo Galassi havia sido escolhido pelo PSDB como candidato ao Senado depois que Aécio Neves anunciou, no início de agosto, que não disputaria nenhum cargo eletivo. O produtor rural de Uberlândia ocupava originalmente a primeira suplência da chapa que havia sido desenhada para Aécio e acabou promovido à condição de titular.
A situação mudou quando o ex-governador, pressionado por aliados e pelo próprio PSDB mineiro, decidiu reconsiderar a decisão e voltar à disputa. Para que Aécio pudesse entrar na corrida, Galassi renunciou à candidatura.
O mesmo aconteceu com Marcelo Heringer. O médico havia sido registrado pelo PDT como candidato ao Senado e também deixou a disputa para permitir a reorganização da chapa que sustenta a candidatura de Alexandre Kalil ao Governo de Minas.

Galassi troca a candidatura pela primeira suplência
Para Uberlândia, a mudança tem um peso particular. Gustavo Galassi era, até a semana passada, o nome da cidade na disputa direta por uma das duas vagas de Minas Gerais no Senado. Engenheiro agrônomo, empresário, produtor rural e ex-presidente do Sindicato Rural de Uberlândia, ele havia sido apresentado pelo PSDB como uma candidatura capaz de representar o agronegócio e o Triângulo Mineiro.
Agora, Galassi ocupa a primeira suplência de Aécio. A posição, embora evidentemente diferente da candidatura titular, preserva sua presença na composição majoritária e mantém um nome de Uberlândia diretamente ligado à chapa que disputa o Senado.
O próprio Aécio destacou essa característica ao apresentar os dois suplentes. “Temos a honra de ter ao nosso lado nessa caminhada o empresário do Agronegócio Gustavo Galassi, assim como o médico Marcelo Heringer. Ambos são lideranças importantes que o PSDB e o PDT indicaram para enfrentarmos juntos o desafio de representar Minas no Senado Federal com experiência e responsabilidade”, disse o candidato na nota.
Neto do ex-prefeito Virgílio Galassi, que comandou Uberlândia por quatro mandatos, ele mantém uma ligação histórica com a política da cidade e uma trajetória construída especialmente no setor produtivo. Foi presidente do Sindicato Rural de Uberlândia entre 2018 e 2020 e, em 2024, disputou a eleição municipal como candidato a vice-prefeito na chapa de Leonídio Bouças, ficando no terceiro lugar.
A segunda suplência ficou com Marcelo Heringer, que havia sido o candidato do PDT ao Senado. A retirada da candidatura de Heringer foi um dos primeiros movimentos que abriram caminho para o retorno de Aécio.
A formação final preserva, portanto, as duas forças partidárias da coligação: o PSDB fica com a candidatura de Aécio e a primeira suplência; o PDT fica representado na segunda suplência por Heringer. A composição mantém também a lógica política da aliança que apoia Alexandre Kalil para o Governo de Minas.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
O curioso erro que apareceu no TRE
A reorganização da chapa produziu também uma situação curiosa no sistema da Justiça Eleitoral. Em uma consulta inicial realizada pela Coluna Danilo Caixeta ao sistema de divulgação de candidaturas do TRE-MG, a página de Aécio Neves chegou a apresentar Zelinho como primeiro suplente e Antônio Divino como segundo suplente.
Os dois, entretanto, eram os nomes que haviam sido registrados anteriormente como suplentes de Gustavo Galassi. Ou seja: a página de Aécio chegou a reproduzir, momentaneamente, a composição da chapa que havia sido registrada antes da entrada do ex-governador na disputa.
A informação acabou sendo corrigida no sistema, mas o episódio revela a complexidade da alteração feita em poucos dias: primeiro houve o registro de Galassi; depois, a renúncia; em seguida, a entrada de Aécio; e, finalmente, a reorganização das suplências.
Aécio volta ao jogo com uma chapa que reúne nomes de regiões e segmentos distintos de Minas. O ex-governador traz consigo o peso de sua trajetória política; Galassi agrega a representação do agronegócio e do Triângulo; Heringer mantém a presença do PDT e uma ligação política com a Zona da Mata.
Em uma eleição para o Senado, na qual o Estado inteiro é o território eleitoral, a capacidade de mobilização regional de cada integrante da chapa pode ter importância política própria.