Danilo Caixeta

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Aécio muda de ideia, Galassi perde a vaga e Kalil ganha uma nova arma

Após pressão do PSDB, ex-governador Aécio Neves decide disputar o Senado e deve ocupar a vaga de Gustavo Galassi na chapa de Alexandre Kalil; movimento também pode dar novo impulso à candidatura do pedetista ao Governo de Minas

, em Uberlândia

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A eleição mineira acaba de ganhar mais uma reviravolta. Depois de anunciar que não disputaria nenhum cargo eletivo em 2026, sofrer forte pressão de aliados e receber um apelo público do próprio PSDB mineiro, Aécio Neves decidiu voltar à disputa e será candidato ao Senado por Minas Gerais.

A decisão foi sacramentada ainda na quinta-feira (27), em Belo Horizonte, após um encontro que reuniu lideranças do partido e aliados que vinham pressionando o ex-governador a rever a decisão. Nesta sexta (28), o próprio Aécio confirmou a candidatura em entrevista coletiva à imprensa e também em vídeo publicado em suas redes sociais.

“A partir dessa decisão [de não se candidatar], que eu, inclusive, comuniquei a toda a Minas Gerais, eu passei a receber todo tipo de apelo, todo tipo de pedido à reflexão para que, nesse momento tão difícil, tão duro, porque passa Minas Gerais, eu, de alguma forma, me dispusesse a cooperar mais ou a participar mais desse processo. Eu quero dizer que depois, sobretudo do desprendimento do PDT e do meu partido, PSDB, da Federação PSDB-Cidadania, eu quero anunciar aqui hoje que mudei de rota”, disse Aécio durante a coletiva.

Aécio apontou duas razões para mudar de ideia e assumir a disputa. A primeira é tratar a questão da renegociação da dívida de Minas Gerais. “É no Senado Federal que nós vamos enfrentar uma imposição que já se apresenta como a valorização ou a avaliação dos ativos colocados à disposição do governo federal na negociação do Propag, que naturalmente o Governo Federal buscará subavaliá-los. Se nós não tivermos uma articulação sólida e forte no Congresso Nacional, já começaremos esse debate inferiorizados”, disse.

“Mas existe uma segunda razão, não menos importante. Nós entendemos, e aí a partir de um apelo de lideranças de todo o Brasil, e não apenas do PSDB, mas lideranças mais ao centro, eu acredito que no Senado e presidindo o PSDB, o partido que proporcionalmente mais vai crescer nessas eleições em todo o Brasil, eu acho que terei melhores condições de articular, sim, um projeto para 2030 ao centro, realista, um projeto que olhe o Brasil para o futuro, sem extremismos, sem essa radicalização pueril, essa radicalização penosa que tomou conta da política brasileira”, completou.

Gustavo Galassi, produtor rural de Uberlândia que havia sido indicado pelo PSDB para disputar o Senado, renunciou à candidatura para abrir espaço ao ex-governador. Durante o anúncio, não foi informado sobre a situação da chapa, envolvendo os nomes dos suplentes. Portanto, em relação à possibilidade de Gustavo Galassi vir a ser o primeiro suplente permanece indefinida.

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Aécio disse que não, mas O PSDB não aceitou

A história começou quando Aécio Neves decidiu, no início deste mês, que não participaria da eleição de 2026. O PSDB mineiro, entretanto, nunca pareceu inteiramente conformado com a decisão.

Na quarta-feira (26), a Federação PSDB-Cidadania, em conjunto com o PDT, publicou uma manifestação pública pedindo que Aécio reconsiderasse a decisão. O documento afirmava que prefeitos, vereadores, deputados, militantes e lideranças de diferentes regiões haviam feito um pedido comum para que o ex-governador voltasse à disputa.

A pressão aumentou ainda mais quando o PDT retirou da disputa pelo Senado o médico Marcelo Heringer, que havia sido registrado como candidato da legenda.

A renúncia abriu uma possibilidade jurídica para a recomposição da chapa, já que a legislação eleitoral admite substituição de candidaturas em caso de renúncia, desde que observados os prazos legais.

Gustavo Galassi entrou na disputa porque Aécio havia saído dela. O produtor rural de Uberlândia, engenheiro agrônomo e ex-presidente do Sindicato Rural, havia sido indicado pelo PSDB como candidato ao Senado e passou a integrar a chapa de Alexandre Kalil, candidato a governador pelo PDT.

A escolha tinha uma lógica política bastante clara: Galassi já seria o primeiro suplente da composição originalmente desenhada para Aécio. Quando o ex-governador decidiu não disputar, o partido simplesmente promoveu o suplente à condição de titular.

Com a decisão de Aécio de retornar, Galassi deixou a candidatura para que o principal nome do PSDB mineiro volte a ocupar a vaga.

Aécio volta, Galassi sai: a reviravolta que mexe com a eleição de Minas. Crédito: Divulgação

Aécio volta pela porta de Kalil

Aécio volta ao cenário dentro da chapa de Alexandre Kalil, candidato do PDT ao Governo de Minas. Aécio, portanto, será o único candidato ao Senado da chapa. Kalil já aparece em posição competitiva nas pesquisas, mas ainda precisa superar uma disputa extremamente fragmentada.

Na pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira, Kalil aparece com 10% das intenções de voto no primeiro turno, contra 11% de Patrus Ananias (PT) e 7% de Mateus Simões (PSD), enquanto Cleitinho (Republicanos) lidera com 29%. Considerando a margem de erro da pesquisa, Kalil estará empatados tecnicamente com Patrus e Simões na disputa pelo segundo lugar.

O ex-governador tem uma trajetória conhecida em Minas, uma marca eleitoral construída ao longo de décadas e forte presença política em diferentes regiões do Estado. Sua entrada na chapa pode ampliar a capacidade de Kalil de dialogar com setores do eleitorado que hoje não necessariamente estão identificados com o candidato do PDT.

Em uma eleição em que a segunda colocação ainda está aberta, esse reforço pode fazer diferença. Cleitinho lidera as pesquisas com vantagem significativa, mas a briga pelas posições seguintes continua aberta. Poucos pontos percentuais podem alterar a ordem dos candidatos que disputarão o segundo turno e uma liderança política como Aécio pode representar um ativo relevante para a candidatura que já está próxima do grupo que disputa a segunda vaga.

Embora a decisão política esteja tomada, a alteração da chapa ainda precisa ser formalizada perante a Justiça Eleitoral. A legislação permite substituições decorrentes de renúncia, mas há prazo para que o novo pedido seja apresentado. Para as eleições de 2026, o limite geral é 14 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno.

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A pesquisa Real Time divulgada nesta quinta-feira mostra Marília Campos (PT) com 24% das intenções de voto para o Senado, enquanto Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL) têm 13% cada e Marcelo Aro (PP) aparece com 12%. Aécio ainda não aparece nessa fotografia como candidato efetivamente consolidado, porque o levantamento foi realizado entre 22 e 26 de agosto, antes da decisão.

Nesse contexto, Aécio volta para a eleição. Galassi sai da vaga. E Alexandre Kalil pode ter acabado de ganhar uma das peças que mais precisava para tentar transformar um empate técnico em uma vaga no segundo turno.