Super El Niño em Uberlândia? Veja os impactos do fenômeno na cidade
Em entrevista exclusiva ao Paranaíba Mais, o secretário Fernando Marcos fez uma previsão do Super El Niño em Uberlândia
O fenômeno El Niño deve provocar mudanças no comportamento das chuvas e das temperaturas em Uberlândia e no Triângulo Mineiro nos próximos meses.
Em entrevista exclusiva ao Paranaíba Mais, o secretário municipal de Segurança Integrada, Coronel Fernando Marcos, fez uma previsão sobre os impactos do fenômeno na cidade.

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Em 2026, a previsão é de um “Super El Niño”.
Em condições de neutralidade, os ventos alísios sopram de leste para oeste, represando a água aquecida pelo sol na região da Indonésia. Durante o El Niño, esses ventos perdem força ou mudam de direção, permitindo que a massa de água aquecida se desloque em direção à costa da América do Sul, modificando a circulação atmosférica global.
Com isso, conforme o secretário, a previsão é de que o período chuvoso seja retardado, enquanto as temperaturas devem permanecer acima da média. O cenário também exige atenção para o risco de queimadas e incêndios.
De acordo com o secretário, o último trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027 são considerados períodos de atenção, principalmente pela transição entre a estiagem e o período chuvoso, quando podem ocorrer eventos meteorológicos extremos. No Triângulo Mineiro, a tendência é de que as chuvas comecem mais tarde do que o habitual.
Impacto em Uberlândia e Triângulo Mineiro
Apesar de Uberlândia estar em uma região considerada de certa neutralidade em relação aos impactos mais intensos do fenômeno, que tendem a atingir de maneira mais significativa o Sul e regiões do Norte e Nordeste do país, o Triângulo Mineiro ainda pode sentir alterações no regime de chuvas e temperaturas.
“No Sul agora há o aumento as chuvas. Já no Norte e Nordeste, uma seca mais severa. Como estamos na região mais central do país, não sentiremos do fenômeno de forma mais extrema. Apesar disso, aqui no Triângulo Mineiro haverá problemas em relação a temperaturas e as chuvas”, disse o secretário.
Chuvas podem chegar mais tarde
Um dos principais efeitos previstos para Uberlândia é o adiamento do período chuvoso. Em anos considerados de normalidade, as primeiras chuvas costumam ocorrer entre o fim de setembro e o início de outubro. Com a influência do fenômeno, porém, a expectativa é de que o período chuvoso seja empurrado para o fim do ano.
“Em anos anteriores, em anos de normalidade, a gente tinha chuva já no início de outubro, final de setembro. Mas por conta desse El Niño, a gente deve ter o período chuvoso empurrado para frente”, explicou o coronel.
Temperaturas acima da média e ondas de calor
Outro ponto de preocupação é a manutenção de temperaturas elevadas. Segundo Fernando, a região já registra períodos de calor intenso e a previsão indica temperaturas acima da média durante a estiagem.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando as altas temperaturas são combinadas com a chegada de frentes frias. De acordo com o secretário, essa combinação pode favorecer a ocorrência de chuvas fortes, ventanias e até queda de granizo.
“Como a temperatura está muito alta, acima da média, a probabilidade de chuva forte é muito grande”, afirmou.
O secretário também destacou que o El Niño pode durar entre nove e 12 meses, fazendo com que seus efeitos sejam sentidos até o próximo ano.
Calor, vento e baixa umidade aumentam risco de queimadas
O terceiro ponto de atenção é o risco de queimadas e incêndios. Embora os focos estejam atualmente sob controle, a combinação entre onda de calor, ventos e baixa umidade relativa do ar pode favorecer a propagação das chamas.
“Onda de calor, vento e baixa umidade relativa do ar é a receita para as queimadas”, disse o secretário.
Conforme Fernando, Uberlândia teve um período de estiagem considerado extremamente complexo em 2024, em um ano também de “Super El Niño”. Nesse mesmo ano, o município registrou um número elevado de queimadas.

Para evitar que o cenário se repita, a Prefeitura criou um Comitê de Enfrentamento às Queimadas, que reúne diferentes órgãos para monitorar os indicadores e definir estratégias de prevenção e resposta.
Entre as medidas adotadas está o monitoramento de focos de calor por meio de tecnologia e dados de satélites. A Defesa Civil também acompanha informações como umidade do ar e velocidade dos ventos para identificar situações de maior risco.
Defesa Civil monitora áreas de risco
Além das queimadas, o retorno das chuvas preocupa devido ao risco de alagamentos e enxurradas. Segundo o secretário, Uberlândia possui mais de 70 áreas de risco sujeitas a alagamentos e inundações, distribuídas em diferentes pontos do município.
Para antecipar possíveis ocorrências, a Defesa Civil utiliza 72 estações meteorológicas espalhadas pela área urbana e pela zona rural. Os equipamentos permitem acompanhar a quantidade de chuva em diferentes regiões da cidade.
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Uma das ferramentas utilizadas é o Clima UDI, sistema disponível no site da Prefeitura que permite acompanhar, em tempo real, a distribuição das chuvas pela cidade. Segundo o secretário, os dados são atualizados a cada cinco minutos e podem ajudar a identificar regiões onde a chuva está mais intensa.

A Defesa Civil também conta com câmeras instaladas dentro de galerias para acompanhar o nível da água em pontos críticos, como a região da avenida Rondon Pacheco.
Orientação é evitar situações de risco
A orientação é que a população acompanhe informações divulgadas pelos órgãos oficiais e adote medidas de autoproteção.
Durante períodos de calor intenso, a Defesa Civil de Uberlândia recomenda atenção à hidratação, especialmente de crianças e idosos, além de cuidados com animais de estimação e da redução da exposição ao sol nos horários mais quentes.
Em relação às queimadas, a orientação é não utilizar fogo para limpar terrenos ou lotes, já que as chamas podem sair de controle e atingir imóveis e áreas vizinhas.
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Durante as chuvas, a população também deve evitar atravessar áreas alagadas, seja a pé, de moto ou de carro, além de não permanecer ou estacionar veículos sob árvores durante temporais.
Para o secretário, a preparação antecipada e o uso de tecnologia são fundamentais para reduzir os impactos dos eventos climáticos. A estratégia adotada pelo município envolve monitoramento, emissão de alertas, atuação integrada entre os órgãos e orientação constante à população.
Para ficar por dentro dos impactos do Super El Niño na região do Triângulo Mineiro continue acompanhando o Paranaíba Mais.