O que é o Super El Niño? Entenda os impactos e por que ele pode ser histórico
Alertas emitidos pelo INMET e agências internacionais apontam para um aquecimento atípico no Oceano Pacífico, com potencial para desencadear um dos maiores eventos climáticos desde 1950
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O monitoramento do sistema climático global indica a consolidação de um novo evento de El Niño de forte intensidade. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA) confirmaram o estabelecimento do fenômeno no Oceano Pacífico Equatorial. Com o início do inverno no Hemisfério Sul, as projeções computacionais sugerem que as anomalias de temperatura na superfície do mar podem atingir patamares elevados, classificando o episódio atual como um possível “Super El Niño”. O indicativo aponta que o fenômeno deve alterar o padrão de temperaturas e chuvas no Brasil ao longo do segundo semestre.

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O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Em condições de neutralidade, os ventos alísios sopram de leste para oeste, represando a água aquecida pelo sol na região da Indonésia. Durante o El Niño, esses ventos perdem força ou mudam de direção, permitindo que a massa de água aquecida se desloque em direção à costa da América do Sul, modificando a circulação atmosférica global.
A classificação como “Super El Niño” ocorre quando o aquecimento do oceano ultrapassa a marca de 2°C acima da média histórica por vários meses, como registrado nos anos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

Para o ciclo atual, modelos europeus de previsão indicam que o aquecimento pode atingir ou superar os 3°C em setores do Pacífico. O monitoramento do INMET no início de junho de 2026 já identificou anomalias térmicas de até +2,1°C na região Niño 1+2, próxima à costa sul-americana, confirmando a tendência de forte intensidade.
Segundo o meteorologista Denis Garcia, já há confirmação de que o Pacífico Equatorial atingiu o limiar necessário para caracterizar o El Niño. “As temperaturas na região ‘Niño 3.4’ permaneceram mais de 0,5°C acima da média por quatro semanas consecutivas, o que confirma o estabelecimento do fenômeno”, explica.
De acordo com o meteorologista, os modelos climáticos indicam uma elevada probabilidade de o fenômeno atingir intensidade entre forte e muito forte, mas as projeções ainda passam por ajustes. “Acabamos de sair do período de transição dos modelos, fase em que eles sofrem correções. Agora, as previsões voltam a ganhar confiabilidade para indicar como o El Niño deve evoluir nos próximos meses”, afirma.
Probabilidades e o papel do clima global
Dados compilados por centros internacionais — incluindo as agências meteorológicas do Japão (JMA), da Austrália (BoM) e o Centro Europeu (ECMWF) — apontam para a persistência do fenômeno:
- 96% de probabilidade de o fenômeno continuar ativo até o final e o início do próximo ano.
- 63% de chance de o trimestre entre novembro e janeiro registrar um evento de categoria “muito forte”, figurando entre as maiores marcas do registro histórico desde 1950.

Pesquisadores apontam que, embora o aquecimento global de longo prazo não seja a causa direta do El Niño, a maior quantidade de calor armazenada nos oceanos e na atmosfera pode amplificar os efeitos do fenômeno, resultando em extremos climáticos mais pronunciados em comparação com eventos de décadas passadas.
Leia Mais: El Niño 2026: Inmet emite alerta sobre fenômento preocupante
Impactos previstos nas regiões brasileiras
Embora o El Niño tenha origem no Oceano Pacífico, seus efeitos são sentidos em grande parte do território brasileiro.
Historicamente, o fenômeno provoca alterações importantes no comportamento das chuvas.
O INMET reitera que os impactos do El Niño não ocorrem de maneira uniforme, mas sua influência tende a acentuar as características climáticas regionais do país:
Impactos por região:
| Região | Tendências Climáticas sob Efeito do Fenômeno |
| Sul | Volume de chuvas acima da média histórica e risco de temporais |
| Norte e Nordeste | Redução das precipitações, elevação de temperatura e estiagem |
| Sudeste e Centro-Oeste | Médias térmicas acima do normal e possível atraso nas chuvas |
Atuação em Minas e no Triângulo Mineiro
O comportamento do clima no estado de Minas Gerais também deve apresentar variações importantes ao longo dos próximos meses devido à intensidade do fenômeno. De acordo com o climatologista William Borges, a estação fria atual ainda pode registrar precipitações regulares, mas o cenário deve mudar com a transição de estações.
“Podemos esperar ondas de calor e também, principalmente neste inverno, chuvas dentro da média até acima da média. No entanto, as projeções indicam um atraso no início do período chuvoso na nossa primavera, entre setembro e novembro, com precipitações abaixo da média”, explica Borges.
O especialista lembra que o período chuvoso na região costuma se consolidar na segunda quinzena de outubro. Com a atuação do El Niño, embora ocorram episódios isolados, o volume deve permanecer baixo para os padrões da época. É justamente na primavera que o fenômeno deverá atingir seu estágio de maior potência, com projeções que apontam para uma anomalia de até 2,5°C acima da média histórica no Oceano Pacífico.
Para os meses seguintes, o climatologista projeta uma mudança no regime hídrico regional. “Se o El Niño se configurar conforme o histórico que conhecemos, as possibilidades de a região do Triângulo Mineiro registrar chuvas acima da média durante o verão são muito grandes”, conclui o especialista, reforçando a necessidade de acompanhar a atualização diária dos dados meteorológicos.
Fenômeno pode afetar o bolso dos brasileiros
Os impactos de um Super El Niño histórico ultrapassam as barreiras dos mapas meteorológicos e atingem diretamente a economia doméstica dos brasileiros.
No Centro-Oeste, principal região produtora de grãos do país, os produtores rurais monitoram o risco de atraso nas primeiras chuvas da primavera. Um atraso significativo compromete o calendário de plantio da soja e, por consequência, encurta a janela climática essencial para a segunda safra de milho.
Globalmente, a quebra na produção de alimentos essenciais na Ásia e na África, como arroz e trigo, tende a pressionar os preços internacionais das commodities.
O setor elétrico nacional também entra em estágio de atenção. Como as regiões Norte e Nordeste devem enfrentar estiagens severas, o volume dos reservatórios das principais usinas hidrelétricas dessas áreas corre o risco de sofrer quedas acentuadas.
Para garantir o abastecimento, o Operador Nacional do Sistema pode ser obrigado a acionar usinas termelétricas, cuja energia é mais cara, pressionando o valor das bandeiras tarifárias e encarecendo a conta de luz do consumidor.
O monitoramento das águas do Pacífico segue em ritmo contínuo. Novos boletins e atualizações climáticas serão emitidos pelas autoridades meteorológicas nacionais e internacionais à medida que o fenômeno avançar nos próximos meses.
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