Nevou em Minas? Forte chuva de granizo atinge duas regiões
Nevou em Minas? Não: Defesa Civil confirma granizo em Abadia dos Dourados e João Pinheiro, e climatologista explica como calor e umidade formaram a tempestade.
Nevou em Minas? A resposta é não, mas o cenário chamou a atenção. Uma chuva de granizo atingiu o interior do estado na quinta-feira (22), e a Defesa Civil de Minas Gerais confirmou a ocorrência em duas localidades: a região dos Motas, em Abadia dos Dourados, na divisa com Goiás, e a fazenda Laçador, em João Pinheiro, muito próxima de Varjão e São Gonçalo do Abaeté.
Imagens de João Pinheiro, divisa com Varjão de Minas – Crédito: Reprodução/Defesa Civil
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O órgão informou à reportagem que não houve detalhamento dos estragos nem um boletim meteorológico completo sobre o episódio.
O secretário de Meio Ambiente e Agronegócios de Abadia dos Dourados, que também integra a Defesa Civil, Eber Moreira de Alcântara, deu a mesma informação: o município não tem relatório detalhado dos prejuízos. Moradores da região, no entanto, relataram danos em lavouras, pomares, telhas e veículos.
Imagens da zona rural de Abadia dos Dourados, na divisa com Goiás – Crédito: Divulgação/Defesa Civil
Nevou em Minas? Entenda o que causou o granizo
O climatologista Denis Garcia analisou imagens de satélite e os dados de temperatura da região para explicar o fenômeno. O ponto de partida foi o calor. “Ontem a gente teve temperaturas na casa dos 32 graus em João Pinheiro”, afirmou. Segundo ele, o valor pode ser comum para a região, mas é elevado quando se trata do comportamento da atmosfera.
Garcia lembrou que outras cidades também registraram temperaturas altas. Paracatu marcou 35 graus e Patrocínio, 29. “Toda essa região teve bastante variação de temperaturas”, disse, acrescentando que alguns pontos podem ter chegado a 33 ou 34 graus.
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Calor e umidade formaram as nuvens de tempestade
O calor, porém, não agiu sozinho. Para o climatologista, a umidade foi o segundo ingrediente. Na quinta-feira, um cavado, área de instabilidade que favorece a formação de nuvens de tempestades e de baixa pressão atmosférica, atuava no sul do país e puxava umidade de áreas do Norte, como Acre, Amazonas e Rondônia, passando pelo oeste do Mato Grosso e por Mato Grosso do Sul até chegar a Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Entraram ainda em cena os jatos de altos níveis. “São ventos muito fortes na atmosfera superior”, explicou Garcia, e eles conseguem transportar umidade para outras áreas. Parte desse vapor chegou ao Triângulo Mineiro e ao Alto Paranaíba, onde também choveu em Uberlândia. Uma frente fria sobre o oceano ajudou a organizar um fraco corredor de umidade em direção ao leste do Sudeste, e restos dessa umidade alcançaram o Triângulo.

O resultado, segundo ele, foi a combinação perfeita para tempestades. “Associadas a essas altas temperaturas, temos aumento na disponibilidade de energia para a formação dessas nuvens carregadas”, afirmou. O climatologista disse acreditar que a chuva em Abadia dos Dourados veio da mesma célula convectiva que atingiu Uberlândia, Perdizes, Indianópolis, Monte Carmelo e Coromandel, ressalvando: “se não me engano”.
Garcia concluiu que foi essa energia que provocou as chuvas intensas e as nuvens de tempestade em Abadia dos Dourados, Varjão de Minas e João Pinheiro. Apesar do espetáculo visual, não nevou em Minas.
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