Asteroide Bennu pode atingir a Terra? Entenda o risco real

Nasa monitora o asteroide Bennu, que carrega energia equivalente a 22 bombas nucleares, mas mantém o risco de impacto contra a Terra extremamente baixo

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O asteroide Bennu voltou a ganhar espaço nas conversas sobre ameaças espaciais depois que cálculos divulgados pela Nasa mostraram o poder de destruição que o corpo rochoso carrega. O objeto, que é um dos mais próximos da Terra, conta com cerca de 500 metros de diâmetro e poderia liberar, em uma eventual colisão, uma quantidade de energia comparável a de 22 bombas nucleares. O número impressiona, mas a própria agência espacial americana explica por que esse cenário está longe de ser provável.

Asteroide Bennu esconde uma ameaça? Saiba o que dizem os cálculos
A cada seis anos, ele passa perto do planeta, chegando a cerca de 299 mil quilômetros de distância, um trajeto menor do que aquele que separa a Terra da Lua – Crédito: Reprodução/Nasa

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Quem é o asteroide Bennu

Bennu é um corpo rico em carbono que carrega consigo uma história de mais de 4,5 bilhões de anos. Cientistas da Nasa acreditam que sua composição atual já estava praticamente definida nos primeiros 10 milhões de anos de existência do Sistema Solar, o que faz dele uma espécie de cápsula do tempo cósmica.

O nome atual substituiu a antiga designação 1999 RQ36. A escolha por “Bennu”, uma referência a uma divindade egípcia, veio de um concurso vencido em 2013 pelo então garoto de nove anos Michael Puzio, da Carolina do Norte.

Em tamanho, o asteroide chega a ser menor do que muita gente imagina: sua largura no equador é próxima da altura do Empire State Building, bem distante dos milhares de quilômetros de diâmetro de um planeta como Mercúrio. Ainda assim, sua órbita passa relativamente perto da Terra, a cerca de 168 milhões de quilômetros de distância média do Sol.

Por que o asteroide Bennu se aproxima tanto da Terra

Bennu completa uma volta ao redor do Sol a cada 1,2 ano e gira em torno do próprio eixo em apenas 4,3 horas. A cada seis anos, ele passa perto do planeta, chegando a cerca de 299 mil quilômetros de distância, um trajeto menor do que aquele que separa a Terra da Lua.

Segundo os dados mais recentes da Nasa, a chance de o asteroide se chocar contra o planeta até o ano de 2300 fica em torno de 1 em 1.750, algo como 0,057%. Já para 24 de setembro de 2182, data apontada como a de maior risco dentro dos cálculos atuais, a probabilidade cai para cerca de 1 em 2.700, ou 0,037%. Na prática, isso quer dizer que existe mais de 99,9% de chance de Bennu simplesmente seguir seu caminho sem tocar a Terra.

Estudos da Nasa apontam que o asteroide provavelmente se desprendeu de um corpo maior, rico em carbono, entre 700 milhões e 2 bilhões de anos atrás, após uma colisão violenta no Cinturão de Asteroides, região situada entre Marte e Júpiter. Desde então, forças gravitacionais dos planetas gigantes e o chamado efeito Yarkovsky, uma pequena alteração de trajetória causada pelo calor que o próprio corpo absorve e libera, foram empurrando Bennu para mais perto do nosso planeta.

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O que aconteceria em caso de impacto contra a Terra

Simulações de computador ajudaram pesquisadores a projetar os efeitos de uma colisão do tamanho de Bennu. O choque poderia gerar uma onda de impacto intensa, terremotos, incêndios florestais, radiação térmica e a formação de uma cratera na região atingida.

O problema não ficaria restrito ao local do impacto. Estudos indicam que entre 100 milhões e 400 milhões de toneladas de poeira seriam lançadas à atmosfera, um volume capaz de alterar temporariamente o clima em escala global. Essas partículas bloqueariam parte da luz solar, provocando o que os cientistas chamam de inverno de impacto, com queda nas temperaturas e nas chuvas.

Pesquisadores citados pela Reuters estimam que, em um cenário extremo, a temperatura média do planeta poderia cair cerca de 4°C, enquanto a precipitação recuaria por volta de 15%. A fotossíntese das plantas também sofreria, com queda estimada entre 20% e 30%, o que afetaria diretamente a produção de alimentos.

Como a Nasa estuda o asteroide de perto

O conhecimento sobre Bennu deu um salto com a missão OSIRIS-REx, lançada pela Nasa em 2016. A sonda chegou ao asteroide em 2018 e passou mais de dois anos observando sua forma, composição, massa, rotação e trajetória, revelando uma superfície coberta por rochas e pedregulhos, alguns com até 22 metros de largura.

Em outubro de 2020, a espaçonave coletou uma amostra da superfície e precisou disparar seus propulsores rapidamente para não afundar no material, tão solto que lembrava uma piscina de bolinhas. O material coletado voltou à Terra em setembro de 2023 e segue em análise por cientistas da Nasa, que já encontraram nele ingredientes originais da formação do Sistema Solar, incluindo compostos orgânicos e fosfatos ligados à química da vida.

Um dos próximos marcos para os cálculos de risco será a aproximação prevista para 2135. Embora não represente ameaça de colisão, essa passagem pode alterar levemente a trajetória do asteroide por causa da influência gravitacional da Terra, um fator que a Nasa promete acompanhar de perto nas próximas décadas.