Stalker é condenada a 10 anos de prisão por perseguir médico em Ituiutaba

Kawara Welch fez mais de mil ligações por dia, criou perfis falsos e agrediu a esposa do médico em crime que envolveu até uma criança de 11 anos

, em Uberlândia

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Kawara Welch Ramos de Medeiros foi condenada a 10 anos, 7 meses e 2 dias de prisão por perseguição, roubo e desobediência. As vítimas do caso são um médico de Ituiutaba, sua esposa e o filho do casal, de 11 anos. A avó de Kawara, Dalva Pereira Ramos, que participou de uma das agressões, também foi condenada a 6 anos e 8 meses de prisão em regime semiaberto. A sentença foi realizada no dia 23 de maio e divulgada nesta quarta-feira (28).

Acusada de stalking em Ituiutaba de costas, presa pela Polícia Civil
Operação Bebê Hena prendeu acusada de stalkear médico de Ituiutaba, em 2024 – Foto: Polícia Civil/Divulgação

No caso da jovem, a prisão domiciliar em regime fechado foi autorizada em caráter excepcional — medida prevista apenas em situações específicas, como de doença grave, que é o caso dela.

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O caso

As perseguições começaram em 2020 e se estenderam por mais de três anos. Conforme o processo, Kawara Medeiros realizou milhares de ligações, criou perfis falsos nas redes sociais, divulgou montagens com conteúdo difamatório e chegou a tentar contato direto com o filho menor do casal.

Em um dos episódios mais extremos, a vítima relatou ter recebido 1.300 ligações em um único dia. Ao todo, foram bloqueados mais de 1.500 números utilizados por ela.

O caso tomou proporções ainda mais graves em janeiro de 2023, quando Kawara Medeiros, acompanhada da avó, abordou a esposa do médico em via pública e, com uso de violência, tomou seu celular, a chave do carro e até um par de chinelos. Os objetos foram entregues à avó, que também foi condenada, com pena fixada em 6 anos e 8 meses de prisão em regime semiaberto.

Momento em que a autora Kawara Medeiros é vista indo atrás do médico – Crédito: Reprodução/TV Paranaíba
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Durante o julgamento, a defesa tentou argumentar que as ações teriam sido motivadas por um antigo envolvimento amoroso entre a acusada e o médico. A justificativa, no entanto, não foi aceita pela Justiça.

O juiz responsável pelo caso destacou que, independentemente de um relacionamento anterior, os atos cometidos entre 2020 e 2023 configuram crimes. O pedido de reconhecimento de insanidade mental também foi rejeitado, com a conclusão de que a acusada tinha plena consciência de seus atos.

Pelo impacto das condutas — que, segundo a sentença, causaram sérios danos emocionais à família, como o uso de medicamentos psiquiátricos, perda do emprego e sensação constante de medo — a pena deverá ser cumprida em regime fechado. Kawara e a avó também foram condenadas ao pagamento de R$ 33.500,00 em indenizações por danos morais e materiais.

A defesa recorreu da sentença e o caso agora está sob análise do Tribunal. Como o processo tramita sob segredo de justiça, os assistentes de acusação informaram que não irão se manifestar nesta fase.