Stalker que perseguia médico e família é solta após quase um ano presa em Uberlândia

Investigada acumulava denúncias por ameaças, descumprimento de medidas protetivas e até roubo; ela cumprirá prisão domiciliar com restrições

, em Uberlândia

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Uma jovem investigada por crimes de stalking, roubo e descumprimento de medidas protetivas foi colocada em liberdade após passar quase um ano presa na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, em Uberlândia. A decisão foi concedida, no domingo (20), pela Justiça, que determinou o cumprimento da pena em prisão domiciliar com uma série de restrições.

Momento em que a autora é vista indo atrás do médico – Crédito: Reprodução/TV Paranaíba

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A mulher havia sido presa em maio de 2024, em uma universidade da cidade, após investigação da Polícia Civil de Ituiutaba, com apoio da Delegacia Regional de Uberlândia.

Segundo a polícia, ela estava foragida desde março de 2023 e foi localizada após ser identificada como aluna de um curso superior na instituição.

A investigação teve início a partir de diversas denúncias feitas por um médico da cidade de Ituiutaba, que relatava ser perseguido insistentemente desde 2019.

Conforme apontado pelo inquérito, a investigada desenvolveu uma obsessão pelo profissional após tê-lo como médico, e passou a persegui-lo, além de ameaçar e assediar familiares dele, mesmo durante o período em que esteve foragida.

O casal chegou a registrar cerca de 30 boletins de ocorrência relacionados à conduta da jovem, que incluíam ameaças, extorsão, perturbação do sossego, lesão corporal e furto.

A prisão preventiva foi solicitada após um episódio em que a investigada, acompanhada de outra pessoa, teria invadido a clínica onde o médico trabalhava e, mediante violência, subtraído o celular da esposa dele.

Investigada foi detida dentro de universidade em Uberlândia após mais de um ano foragida – Crédito: Divugação/PCMG

Mesmo já tendo sido presa em outras ocasiões, a Justiça havia concedido liberdade mediante medidas cautelares, que foram repetidamente descumpridas. Com a nova decisão, ela poderá responder aos processos em liberdade, mas sob rígido controle judicial.

Prisão domiciliar

Entre as condições impostas pela Justiça, estão o recolhimento domiciliar noturno nos dias de semana e em tempo integral nos fins de semana e feriados; proibição de se ausentar da comarca sem autorização; e a obrigação de manter endereço atualizado.

Também está impedida de manter contato, direto ou indireto, com as vítimas ou seus familiares, de qualquer forma — inclusive por meio de redes sociais, mensagens ou terceiros.

A decisão judicial também proíbe a divulgação de qualquer conteúdo relacionado às vítimas ou ao processo, bem como a participação em entrevistas ou programas jornalísticos.

A Polícia Civil destacou o empenho das equipes envolvidas na operação que resultou na prisão da investigada em 2024 e afirmou que o caso é um exemplo da importância do combate à violência psicológica e ao assédio, especialmente quando as vítimas têm sua rotina profundamente afetada.

O que diz a defesa

A defesa da jovem investigada por perseguição e outros crimes contesta a versão apresentada pela acusação e afirma que há distorções nos fatos narrados pelo Ministério Público. Segundo o advogado responsável, a promotora do caso teria “mentido deliberadamente” ao caracterizar como roubo a retirada de um aparelho celular e um molho de chaves durante uma discussão envolvendo a investigada e familiares do médico que a denunciou.

De acordo com a defesa, o celular foi posteriormente localizado no carro e as chaves, em nenhum momento, teriam saído das mãos da esposa do médico. A defesa sustenta ainda que o episódio apontado como “roubo” ocorreu após a avó da jovem ser agredida, e que o aparelho teria sido tomado com a intenção de ser apresentado à polícia como prova.

A versão apresentada também contesta a forma como o histórico entre os envolvidos tem sido retratado pelas autoridades. A defesa afirma que havia um relacionamento anterior entre a investigada e o médico — iniciado em 2015, quando ela ainda era menor de idade. Segundo o advogado, esse dado consta em laudos médicos e anexos do processo, mas estaria sendo desconsiderado em benefício da narrativa oficial.

Há ainda o argumento de que o comportamento da jovem ao longo dos anos é resultado de traumas psicológicos e danos emocionais sofridos durante esse suposto relacionamento, e acusa o médico de negar publicamente o vínculo anterior.

“Há uma tentativa clara de apagar a história. A versão dele apresenta inconsistências, inclusive nas datas — ele afirma que conheceu a jovem em 2018, mas exames clínicos e documentos indicam 2015”, afirmou a defensora.

Ainda segundo o advogado, os áudios e imagens anexadas ao processo revelariam detalhes ignorados pela promotoria e pela Justiça. “Não são suposições ou falas isoladas. São imagens que mostram o que realmente aconteceu”, ressaltou.

A defesa também critica a condução do processo judicial, alegando que tanto a promotora quanto o juiz do caso têm ignorado elementos que, segundo ela, deveriam ter sido levados em consideração para um julgamento justo. “A medida protetiva foi violada, sim — mas pelo próprio denunciante, que iniciou, descartou e desestabilizou emocionalmente a jovem”, concluiu.

Além disso, a avó da investigada, em entrevista concedida à TV Paranaíba no ano passado, afirmou que o relacionamento entre sua neta e o médico teria começado de forma consensual, com troca de mensagens entre ambos.

Com informações de Ana Laura Mendes

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