Polícia conclui que cão morto enviado a vereadora não era ameaça; entenda

Investigação apontou que o cão pertencia à própria mulher responsável pela entrega da caixa à Câmara de Vereadores

, em Uberlandia

Nesta quinta-feira (9), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) concluiu o inquérito sobre o caso da vereadora de Novo Hamburgo (RS) que recebeu o corpo de um cão morto em seu gabinete. Segundo a investigação, o episódio não configurou crime de ameaça, mas sim uma forma de protesto, já que o animal pertencia à mulher apontada como responsável pelo envio.

Caixa onde estava o cão morto enviado ao gabinete de vereadora
Na parte externa da caixa, estava escrito “carinho para proteger os animais”, o que levou Deza a acreditar que se tratava de um gesto de apoio ao seu trabalho – Crédito: Reprodução/Redes Sociais

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Vereadora recebe animal morto em gabinete

Na segunda-feira (6), a vereadora Deza Guerreiro recebeu uma caixa com um cão morto em seu gabinete, na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. O momento em que a embalagem foi aberta foi registrado e publicado nas redes sociais.

“Hoje pela manhã, recebi uma encomenda para o meu gabinete, endereçada a mim. Na hora, não me ocorreu o que era ou o que poderia ser. Isso porque ninguém imagina receber esse tipo de ataque: um ato criminoso de violência, marcado pela crueldade e pela covardia de usar a vida de um animal como ameaça ao meu mandato e ao meu gabinete”, relatou nas redes sociais.

VEJA O MOMENTO

O que concluiu a Polícia Civil?

Segundo o delegado da PCRS, Rafael Sauthier, o cão foi enviado ao gabinete da vereadora pela própria tutora como forma de protesto. As investigações apontam que, no último sábado (4), o animal, da raça pinscher, foi atacado por cães comunitários enquanto passeava com a mulher nas proximidades da residência dela.

Ainda de acordo com a investigação, no mesmo dia, a mulher telefonou para o vice-prefeito de Novo Hamburgo para relatar o ocorrido. Ela tentou tratar o cão, limpando os ferimentos e administrando dipirona. A suspeita afirmou que não conseguiu levá-lo a um veterinário por dificuldades financeiras decorrentes de um problema de saúde que ela mesma enfrentava.

O cão morreu na madrugada de segunda-feira (6). Na manhã do mesmo dia, a mulher contratou um motorista de aplicativo para entregar a caixa com o corpo do animal na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, endereçada à vereadora Deza Guerreiro. As investigações apontam que o motorista, registrado por câmeras de segurança, não tinha conhecimento do conteúdo da encomenda e apenas prestou o serviço de entrega.

De acordo com a PCRS, o envio da caixa foi motivado pelo entendimento da investigada de que havia omissão do poder público em relação ao problema dos cães comunitários. A mulher afirmou ainda que esses animais já haviam atacado e matado o animal de estimação de uma vizinha.

Segundo informações da Prefeitura de Novo Hamburgo e da vereadora, não há registros de protocolos de reclamações sobre cães comunitários apresentados anteriormente ao município ou ao gabinete parlamentar.

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Inquérito aponta crimes

A mulher foi indiciada por injúria, descarte irregular de carcaça de animal, transporte irregular de resíduos sólidos e maus-tratos a animais.

Questionado sobre o enquadramento por maus-tratos, o delegado informou que o indiciamento ocorreu por omissão, pois a investigada não teria prestado o atendimento veterinário necessário ao cão, que morreu em decorrência dos ferimentos.

A PCRS também concluiu que o caso não configura ameaça, uma vez que a investigação não identificou intenção de intimidar a vereadora, mas sim de realizar um protesto.