“Pocahontas do Crime” é presa em operação contra fraudes no DF
Lara Daniella Cruz, apontada como Pocahontas do Crime, foi detida na Operação Black Card, que investiga fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro no DF.
A influenciadora Lara Daniella de Oliveira Cruz, que ficou conhecida como “Pocahontas do Crime”, foi presa durante a Operação Black Card, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal para desarticular uma organização criminosa voltada a fraudes eletrônicas, invasão de sistemas informatizados e lavagem de dinheiro. A ação foi conduzida pela Divisão de Análise de Crimes Virtuais da Coordenação de Repressão às Fraudes.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Nesta terça-feira (30), os investigadores cumpriram 18 mandados judiciais, sendo sete de prisão temporária e onze de busca e apreensão. Segundo a corporação, o grupo mantinha uma estrutura estável e dividia funções entre os integrantes, o que revela um alto grau de organização e de sofisticação tecnológica para cometer os crimes.
Como agia o grupo por trás da Pocahontas do Crime
As investigações mostram que a organização recrutava pessoas dispostas a ceder contas bancárias e a abrir empresas de fachada, usadas depois para movimentar e ocultar o dinheiro obtido de forma ilícita. Com dados retirados de aparelhos invadidos, os criminosos falsificavam documentos, abriam contas em nome de terceiros e chegavam a trocar o número de telefone das vítimas para assumir o controle de suas redes sociais.
A partir desse controle, o grupo sequestrava linhas telefônicas, acessava aplicativos bancários das vítimas e realizava transferências via Pix. Também emitia cartões de crédito fraudulentos para uso em maquininhas cadastradas nas próprias empresas de fachada, além de gerar links falsos de cobrança para atrair novos pagamentos.
A Polícia Civil apreendeu celulares, notebooks e computadores durante a operação, materiais que devem subsidiar as próximas etapas da apuração.
Conforme o delegado responsável pelo caso, o grupo utilizava as redes sociais para captar novos integrantes e se valia de plataformas de apostas ilegais como isca para atrair vítimas e colaboradores. A Polícia Civil classifica a organização como altamente estruturada, com integrantes responsáveis por etapas específicas do esquema, da obtenção de dados bancários até a lavagem final dos valores por meio de empresas recém-abertas.
De acordo com a corporação, os investigados podem responder, conforme o grau de participação de cada um, por organização criminosa, estelionato eletrônico, invasão de dispositivo informático, furto mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informações e posse ou porte ilegal de arma de fogo. A Operação Black Card integra uma série de ações da Polícia Civil do Distrito Federal voltadas ao combate de crimes cibernéticos e financeiros praticados por organizações que usam a tecnologia para obter vantagens ilícitas.
LEIA MAIS – “Cavalona do Pó”: influenciadora é presa e expõe esquema milionário no DF
Vida de luxo levantou suspeitas contra a Pocahontas do Crime
A movimentação financeira incompatível com a renda declarada foi um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores. De acordo com a corporação, um dos integrantes do esquema movimentou 400 mil reais em 2023, mesmo sendo beneficiário do programa Bolsa Família.
Nas redes sociais, os suspeitos costumavam exibir carros de luxo, relógios de alto padrão e viagens, além de recorrer a plataformas de apostas ilegais para atrair novos participantes ao esquema. A Polícia Civil também identificou grandes quantias em dinheiro em espécie e armas de fogo entre os bens ligados aos investigados, o que reforça os indícios de lavagem de capitais.
Um dado chamou a atenção das autoridades: após uma operação policial anterior, que resultou na prisão de um dos envolvidos, vários integrantes do grupo passaram a alterar perfis nas redes sociais, reduzir a exposição pública e trocar linhas telefônicas, numa tentativa de dificultar as investigações em curso.
Defesa de Lara Daniella nega participação em esquema criminoso
Em nota, a defesa de Lara Daniella informou que ela já responde ao processo em liberdade e que colabora com as investigações. Os advogados destacaram que o caso está em fase inicial de apuração e pediram respeito ao princípio da presunção de inocência, criticando o que classificaram como julgamento antecipado do caso pela opinião pública.