“Cavalona do Pó”: influenciadora é presa e expõe esquema milionário no DF
Conhecida nas redes sociais, empresária é apontada como peça central de organização criminosa que movimentou milhões com tráfico e lavagem de dinheiro
A “Cavalona do Pó” virou alvo de uma das maiores operações recentes no Distrito Federal. A influenciadora e empresária Mirian Mônica, que acumulava mais de 50 mil seguidores nas redes sociais, foi presa sob suspeita de atuar como peça-chave em um esquema nacional de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A imagem de sucesso que ela ostentava na internet, segundo as investigações, servia para encobrir uma estrutura criminosa sofisticada.

A prisão ocorreu durante uma abordagem em rodovia do DF. De acordo com a polícia, o carro conduzido pela influenciadora funcionava como batedor de outro veículo que transportava cerca de 30 quilos de maconha. A partir desse flagrante, os investigadores reforçaram a tese de que Mirian tinha papel estratégico na logística de transporte e distribuição das drogas.
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As apurações também revelaram que o grupo utilizava um sistema financeiro complexo para ocultar os lucros obtidos com o tráfico. Parte do dinheiro circulava por meio de sites irregulares de apostas online, usados para simular ganhos fictícios e dar aparência de legalidade aos valores. Ao todo, quinze empresas foram identificadas nesse esquema, algumas delas promovidas nas redes sociais para atrair usuários.
“Cavalona do Pó” já havia sido condenada por golpe
Antes de ganhar notoriedade como peça central em um esquema milionário de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, a “Cavalona do Pó” já tinha passagem pela Justiça. Em 2019, ela foi condenada por estelionato após envolvimento em um golpe que simulava a venda de um veículo.
Na decisão, a Justiça fixou pena de um ano de reclusão em regime aberto, além do pagamento de 10 dias-multa. O caso teve origem em uma negociação iniciada pela vítima após encontrar um anúncio de um Hyundai Creta. O contato evoluiu e chegou a incluir um encontro presencial com um homem que se apresentou como dono do carro.
Depois disso, as tratativas passaram a ser feitas exclusivamente por WhatsApp. Seguindo orientações do suposto vendedor, o comprador realizou transferências para contas indicadas pela própria “Cavalona do Pó”, acreditando estar concluindo a compra de forma legítima. No entanto, ao tentar retirar o veículo, descobriu que havia sido vítima de fraude.
O prejuízo foi de R$ 65 mil. Segundo o depoimento, a vítima chegou a registrar ocorrência e apontou dificuldades para rastrear o dinheiro, já que as contas utilizadas pertenciam a terceiros, usados como “laranjas”. Os valores nunca foram recuperados.
Anos depois da condenação, “Cavalona do Pó” volta a ser investigada, agora em um contexto muito mais amplo, ligada a uma estrutura criminosa de grande porte.
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“Cavalona do Pó” é alvo central da Operação Resina Oculta
A Operação Resina Oculta foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal e cumpriu 41 mandados de busca e apreensão, além de prisões em quatro estados. Cavalona do Pó aparece entre os principais alvos da ação, que investiga uma organização criminosa responsável por movimentar cifras milionárias.
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As investigações começaram após a apreensão de drogas em um apartamento no Riacho Fundo I, em outubro do ano passado. A partir daí, a polícia identificou uma rede estruturada que atuava tanto na distribuição de entorpecentes quanto na lavagem do dinheiro obtido com a atividade ilegal.
O grupo operava como fornecedor para traficantes em diversas regiões do DF e entorno. O fluxo financeiro chamou a atenção dos investigadores, com movimentações expressivas e envio de recursos para cidades do Norte do país, especialmente áreas próximas a fronteiras.
Além disso, empresas de fachada eram usadas para pulverizar o dinheiro e dificultar o rastreamento. Parte dessas companhias estava registrada em São Luís, enquanto outras tinham ligação com Goiânia, incluindo negócios em nome de pessoas sem capacidade financeira compatível, o que indica o uso de “laranjas”.
Esquema milionário e histórico criminal
A operação também resultou no bloqueio de contas de 50 empresas e no sequestro de sete carros de luxo. Estima-se que apenas um dos investigados tenha movimentado mais de R$ 30 milhões em pouco mais de um mês, enquanto o prejuízo total pode chegar a R$ 100 milhões.
Ao todo, 29 pessoas foram identificadas como integrantes da quadrilha. Os envolvidos devem responder por tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem se aproximar de 30 anos de prisão.
A investigação segue em andamento e não descarta novos desdobramentos, à medida que a polícia aprofunda a análise do fluxo financeiro e das conexões do grupo em diferentes estados.