UFU ajuda a descobrir planeta 8 vezes a massa da Terra em sistema estelar quase invisível

Os físicos da UFU participaram da descoberta de um novo exoplaneta. O astro orbita uma estrela de baixa massa e pouco brilho

, em Uberlândia

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Pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) participaram da descoberta de um novo exoplaneta que possui aproximadamente oito vezes a massa da Terra. Batizado de KMT-2025-BLG-0912Lb, o astro está localizado fora do Sistema Solar e orbita uma estrela de baixa massa e pouco brilho.

O planeta chama atenção pelas condições extremas. Ele está localizado além da chamada linha de gelo, região em que as temperaturas são suficientemente baixas para permitir a condensação de materiais. Por receber pouco calor de sua estrela hospedeira, o exoplaneta apresenta um ambiente extremamente frio.

UFU ajuda a descobrir planeta
UFU ajuda a descobrir planeta 8 vezes a massa da Terra em sistema estelar quase invisível – Crédito: Reprodução/ UFU

A descoberta foi possível graças ao uso da microlente gravitacional, uma técnica que permite identificar corpos celestes mesmo quando eles não podem ser observados diretamente. A campanha de observação foi coordenada pelo pesquisador Leandro de Almeida, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com participação de pesquisadores da UFU.

Gravidade funciona como uma “lente cósmica”

De acordo com Fabrício Kalaki, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Física da UFU e coautor da pesquisa, a técnica utiliza a própria gravidade para detectar a presença do planeta.

Quando uma estrela localizada mais próxima passa, do ponto de vista da Terra, diante de uma estrela mais distante, sua gravidade desvia e concentra a luz do astro que está ao fundo. Esse fenômeno provoca um aumento temporário no brilho observado pelos telescópios.

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Quando existe um planeta orbitando a estrela que está em primeiro plano, a gravidade do planeta provoca uma alteração rápida nesse aumento de brilho. É justamente essa pequena mudança que permite aos pesquisadores identificar sua presença.

“O planeta pode ser frio, escuro e impossível de observar diretamente, mas sua massa ainda influencia a trajetória da luz da estrela ao fundo”, explica Kalaki.

A técnica é diferente do método de trânsito, utilizado para detectar planetas quando eles passam diante de suas estrelas e provocam pequenas quedas no brilho. Enquanto o trânsito é especialmente eficiente para determinadas órbitas mais próximas, a microlente gravitacional permite investigar planetas que estão mais distantes de suas estrelas.

Comparativo entre os métodos
Comparativo entre os métodos de microlente gravitacional e de trânsito – Crédito: Reprodução/ UFU

Super-Terra ou Mini-Netuno?

Além de identificar o exoplaneta, os pesquisadores conseguiram estimar algumas de suas características. O KMT-2025-BLG-0912Lb está a uma distância equivalente a aproximadamente 80% da distância entre a Terra e o Sol em relação à sua estrela hospedeira.

A baixa luminosidade também significa que o planeta recebe pouco calor. Segundo Christian Borges, doutorando do PPGFIS/UFU e também coautor da pesquisa, as baixas temperaturas desses ambientes tornam as condições para a existência de vida menos favoráveis.

A composição do planeta ainda não foi determinada. Com cerca de oito massas terrestres, ele está em uma região de transição e pode ser classificado como uma Super-Terra, formada predominantemente por material rochoso, ou um Mini-Netuno, com núcleo sólido envolvido por uma camada mais espessa de gases, como hidrogênio e hélio.

Observatório em Minas Gerais teve participação na descoberta

Parte dos dados fundamentais para a pesquisa foi obtida com o telescópio do Observatório do Pico dos Dias (OPD), localizado em Brazópolis, no Sul de Minas Gerais.

 físicos da UFU
Físicos da UFU integram equipe de rede internacional de observação – Crédito: Reprodução/ UFU

O monitoramento do fenômeno contou com a participação da MicroFUN, rede internacional que reúne telescópios de diferentes partes do mundo para acompanhar eventos de microlente gravitacional.

UFU amplia participação na astronomia internacional

A descoberta também representa um avanço para a pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Uberlândia. Além do KMT-2025-BLG-0912Lb, a mesma campanha identificou outro exoplaneta, denominado KMT-2025-BLG-0811Lb.

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Os resultados da pesquisa foram publicados no The Astronomical Journal, periódico da Sociedade Astronômica Americana, ampliando o conhecimento sobre planetas que orbitam estrelas de baixa massa e que dificilmente seriam detectados por métodos convencionais.

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