Câmara de Uberaba afasta por 90 dias vereador preso; suspeita de “funcionários fantasmas”
O vereador preso, Almir Silva (Republicanos), foi afastado do cargo de forma temporária, não representando perda do mandato
A Câmara Municipal de Uberaba afastou cautelarmente, nesta terça-feira (1º), após decisão judicial, o vereador Almir Silva (Republicanos) e mais sete assessores parlamentares pelo prazo inicial de 90 dias.
A determinação foi comunicada pelo presidente da Câmara, vereador Ismar Vicente dos Santos (PSD), que orientou os setores administrativos da Casa a cumprir imediatamente as restrições estabelecidas pelo Juízo da 1ª Vara Criminal da Comarca de Uberaba.
O afastamento de Almir Silva é cautelar e temporário e, segundo a Câmara, não representa perda do cargo ou do mandato.

Os assessores parlamentares citados na decisão judicial também deverão permanecer afastados pelo mesmo período inicial de 90 dias.
Entre as medidas determinadas estão restrições de acesso ao gabinete, a determinados setores da Câmara, sistemas internos, e-mails institucionais, registros de ponto, equipamentos e demais ferramentas e informações funcionais abrangidas pela ordem judicial.
A reportagem entrou em contato com a advogado de defesa do vereador preso e aguarda um posicionamento.
Vereador preso é substituído na Comissão de Ética
Com o afastamento de Almir Silva, foi necessária a substituição do parlamentar na Comissão Permanente de Ética e Decoro Parlamentar, conforme previsto no Regimento Interno da Câmara.
Em votação no Plenário, o vereador Anderson 2 Irmãos (PSD) foi eleito para ocupar a vaga e passa a integrar oficialmente a comissão.
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A Presidência da Câmara também encaminhou uma cópia da decisão judicial ao colegiado para que os integrantes tenham ciência do conteúdo e avaliem eventuais providências que estejam dentro das competências legais e regimentais da Comissão de Ética.
Operação Caça-Fantasmas
A segunda fase da Operação Caça-Fantasmas levou à prisão temporária do vereador Almir Silva e ao afastamento de sete servidores ligados ao gabinete do parlamentar nesta terça-feira (1º), em Uberaba. A Polícia Civil (PC) cumpriu ainda 15 mandados de busca e apreensão, inclusive na Câmara Municipal, onde recolheu documentos relacionados à investigação.
Segundo o delegado Tiago Cruz, da Delegacia Rural, a Justiça determinou a prisão temporária do parlamentar e o afastamento dos sete servidores. Ao todo, 55 policiais civis participaram da operação.
A operação investiga a suspeita de um esquema envolvendo servidores que receberiam salários sem exercer regularmente as funções para as quais foram contratados, os chamados “funcionários fantasmas”.
A investigação apontou suspeita de desvio de aproximadamente R$ 600 mil.
Câmara afirma que vai colaborar com autoridades
O comunicado da Presidência determina ainda que os setores competentes da Câmara prestem colaboração às autoridades responsáveis pelo cumprimento da decisão judicial.
Isso inclui o fornecimento de acessos, chaves, localização de equipamentos, informações sobre sistemas e outros dados que sejam regularmente solicitados, respeitando os limites estabelecidos pela Justiça.

A Câmara ressaltou que as medidas adotadas decorrem exclusivamente do dever institucional de cumprir a decisão judicial e não representam antecipação de qualquer julgamento sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.
Para ficar por dentro dos desdobramentos da Operação Caça-Fantasmas continue acompanhando o Paranaíba Mais.