Chacina em Goiatuba: investigação revela como vítimas foram surpreendidas e executadas

Polícia Civil reconstrói a dinâmica da chacina em Goiatuba e revela os últimos momentos de Jainy em contato com a família

, em Uberlândia

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Uma investigação da Polícia Civil revelou novos detalhes sobre a chacina que matou Jainy Chaves, de 29 anos, Beatriz Soares Souza, de 27, e Nahtan Campos, de 35, em uma chácara na zona rural de Goiatuba (GO), cidade localizada a cerca de 183 quilômetros de Uberlândia. As apurações apontam que o crime foi motivado por ciúmes e que as vítimas foram surpreendidas, sem possibilidade de defesa.

Chacina em goiatuba
Nahtan Campos, Jainy Chaves e Beatriz Soares Souza foram mortos na chacina registrada em uma chácara na zona rural de Goiatuba – Crédito: Redes Socias/Reprodução

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Os velórios e sepultamentos das vítimas ocorreram entre quarta-feira (29) e esta quinta-feira (30). O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a cronologia dos fatos e confirmar o grau de planejamento do crime.

Investigação aponta execução em sequência

Conforme a investigação, Jainy era o alvo principal do ataque. Ela havia participado, ao lado de amigos, de uma cavalgada realizada em Goiatuba no domingo (26). Após o evento, o grupo permaneceu na região e seguiu para uma chácara na zona rural da cidade.

Segundo a polícia, o autor descobriu onde Jainy estava e foi até o local. Antes de entrar, teria procurado informações para confirmar a presença das vítimas.

A perícia indica que a primeira vítima foi Nahtan Campos, de 35 anos, que trabalhava no setor do agronegócio e era pai de três filhos. Ele foi atingido por um disparo na nuca enquanto estava de costas, sem perceber a aproximação do criminoso.

Chacina em Goiatuba
Nahtan Campos, de 35 anos, foi a primeira vítima do ataque, segundo a investigação – Crédito: PCMG/Divulgação

Na sequência, Beatriz Soares Souza, de 27 anos, tentou fugir e buscou abrigo em um dos quartos da propriedade. O cômodo, porém, não possuía fechadura. Ela foi alcançada e baleada.

Jainy foi levada no carro e chegou a falar com familiares

Após atingir Jainy com um disparo nas costas, o suspeito a colocou dentro do próprio carro e deixou a chácara. Mesmo ferida, ela conseguiu manter contato com a família.

De acordo com os depoimentos prestados à Polícia Civil, a família de Jainy recebeu uma ligação feita do celular da vítima enquanto ela ainda estava com o suspeito.

Segundo o relato da mãe, quem falou primeiro foi o autor do crime, que afirmou: “Você sabia que sua filha vai morrer?”. Ao ser questionado sobre o que estava acontecendo, respondeu: “Vou matar ela e vou me matar.”

Em seguida, ele passou o telefone para Jainy. A vítima pediu ajuda e se despediu da mãe. “Oh mãe, me ajuda, me perdoa, mãe, me perdoa, te amo, eu vou morrer”, disse durante a ligação, que foi interrompida pouco depois.

A localização de onde estava foi enviada pelo WhatsApp. A informação foi repassada pela família à Polícia Militar, permitindo que as equipes encontrassem o local do crime. Conforme a investigação, essa foi a última mensagem enviada pela vítima.

Chacina goiatuba
A localização da chácara foi compartilhada pelo celular de Jainy antes do crime ser descoberto – Crédito: Arquivo Pessoal/Reprodução

A irmã da vítima também tentou negociar por mensagens para impedir o assassinato, acreditando inicialmente que se tratava de um sequestro. Segundo o relato apresentado à polícia, a resposta foi de que não haveria negociação e que a vítima seria morta.

Ainda conforme a investigação, Jainy chegou a iniciar uma mensagem para informar uma senha, mas não conseguiu concluir o texto. Os investigadores acreditam que ela tenha sido morta naquele momento.

Leia Mais: Chacina em Goiatuba: mulher liga para irmã antes de morrer; veja quem eram as vítimas

Polícia apura histórico do relacionamento

As investigações apontam que a motivação está relacionada à inconformidade com o fim do relacionamento entre Jainy e o suspeito.

A Polícia Civil agora reúne depoimentos de familiares, amigos e pessoas próximas para esclarecer como era a relação entre os envolvidos e verificar se havia episódios anteriores de perseguição, ameaças ou violência.

Também é apurado se o crime foi totalmente premeditado ou se a decisão de executar as vítimas ocorreu após o suspeito encontrá-las reunidas na propriedade rural.

Caso é tratado como feminicídio e duplo homicídio

A ocorrência é investigada como feminicídio, pela morte de Jainy Chaves, e duplo homicídio, pelas execuções de Beatriz Soares Souza e Nahtan Campos.

Após matar as três vítimas, o autor tentou tirar a própria vida. Ele foi socorrido, encaminhado a um hospital e sobreviveu.

A Polícia Civil informou que o inquérito continua em andamento para concluir a dinâmica do crime e reunir todos os elementos que serão encaminhados ao Poder Judiciário.

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