Ventos fortes elevam risco de doenças respiratórias no Triângulo; pneumologista alerta

Baixa umidade, queda da temperatura e aumento da poeira favorecem crises de asma, bronquite, pneumonia e gripe; especialista orienta como reduzir os riscos nos próximos dias

, em Uberlândia

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A chegada da massa de ar frio ao Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, acompanhada por ventos fortes e baixa umidade do ar, deve aumentar o risco de doenças respiratórias nos próximos dias. Segundo o pneumologista Sérgio Pontes Prado, as condições típicas do inverno favorecem desde quadros de gripe e rinite até complicações mais graves, como pneumonia e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

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Ventos fortes e clima seco na região de Uberlândia aumentam casos de problemas respiratórios – Crédito: Imagem criada por IA/Gemini

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O cenário ocorre em meio ao aumento dos registros de doenças respiratórias em Minas Gerais. Nos primeiros seis meses de 2026, o estado contabilizou mais de 21 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e cerca de mil mortes associadas à condição.

Ventos e tempo seco favorecem infecções respiratórias

A Defesa Civil emitiu alerta para o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba devido à atuação de uma frente fria que avança pela região. A previsão aponta rajadas de vento que podem variar entre 50 km/h e 70 km/h, além de possibilidade de chuva isolada e períodos de baixa umidade relativa do ar. O intervalo de maior atenção é entre a noite desta quinta-feira (30) e a manhã de sexta-feira (31).

Em entrevista ao Paranaíba Mais, o pneumologista explica que a combinação entre frio, vento e baixa umidade compromete um importante mecanismo de defesa do organismo.

Segundo ele, o ressecamento do ar reduz a camada de muco que protege nariz, garganta e pulmões. Essa película atua como uma barreira natural contra vírus, bactérias e partículas inaladas.

“Quando a umidade cai, essa proteção diminui. O pulmão perde parte da capacidade de eliminar impurezas, facilitando tanto o surgimento quanto o agravamento das doenças respiratórias”, explica.

Além disso, os ventos aumentam a circulação de poeira e outros agentes irritantes. O especialista lembra que, durante o inverno, também cresce o tempo de permanência em ambientes fechados, facilitando a transmissão de vírus entre as pessoas.

Outro fator de atenção são cobertores, edredons e roupas guardadas por longos períodos, que podem acumular poeira e mofo, desencadeando crises alérgicas.

“O paciente que já tem a doença pode descompensar, e aquele que não tem, ele pode adquirir a doença”, afirma Pontes.

Leia Mais: Defesa Civil alerta para vendaval de até 70 km/h em Uberlândia e Triângulo Mineiro

Quais doenças costumam aumentar nesta época?

De acordo com Sérgio Pontes Prado, o inverno costuma elevar os atendimentos por doenças das vias aéreas superiores e inferiores.

Entre as principais estão:

  • Rinite alérgica;
  • Sinusite;
  • Resfriados;
  • Gripe (Influenza);
  • Asma;
  • Bronquite;
  • Enfisema pulmonar;
  • Pneumonia.

Pacientes que já convivem com essas doenças também podem apresentar piora dos sintomas durante períodos de frio intenso e baixa umidade.

Quando uma gripe deixa de ser comum?

Embora a maioria dos casos apresente evolução favorável, o pneumologista alerta que alguns sinais podem indicar um quadro mais grave e exigem atendimento médico imediato.

Os principais sintomas de alerta são:

  • febre persistente acima de 40°C;
  • falta de ar, inclusive em repouso;
  • secreção amarelada ou esverdeada em grande quantidade;
  • confusão mental, principalmente em idosos;
  • lábios arroxeados;
  • saturação de oxigênio abaixo de 92%, especialmente inferior a 90%.

Segundo o especialista, esses sintomas podem indicar evolução para uma Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), condição que pode exigir internação hospitalar.

Minas amplia leitos diante do aumento de casos

O crescimento das internações por doenças respiratórias levou o Governo de Minas a ampliar a capacidade da rede pública.

Nesta semana, a Secretaria de Estado de Saúde anunciou a conversão de 66 novos leitos pediátricos em quatro hospitais para atendimento de pacientes com SRAG, investimento de R$ 1,18 milhão. As vagas se somam a outros 105 leitos de UTI e 19 leitos de suporte ventilatório disponibilizados anteriormente.

A SRAG pode ser causada por complicações provocadas por vírus como Influenza, Covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

Vacinação continua sendo a principal proteção

Para o pneumologista, a baixa cobertura vacinal contribui diretamente para o aumento das internações nesta época do ano.

“A vacina não impede que a pessoa tenha gripe em todos os casos, mas diminui muito o risco de complicações, internações e mortes.”

O médico também destaca a importância da vacinação contra o pneumococo, disponível pelo SUS para grupos específicos, além da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) para idosos e pessoas com fatores de risco.

Os grupos prioritários para a vacinação incluem idosos, crianças menores de cinco anos, gestantes, pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, diabetes ou doença renal, pacientes imunossuprimidos, profissionais da saúde e integrantes das forças de segurança.

Segundo o pneumologista, essas pessoas apresentam maior risco de desenvolver complicações decorrentes da gripe e, por isso, devem manter a imunização em dia.