Na TV Record, Zema fala sobre corrupção e defende privatização da Petrobras
Candidato à Presidência falou à Record sobre pesquisas, STF, corrupção em Minas e propôs vender estatais para financiar saúde e educação
Romeu Zema (Novo) protagonizou, nesta quarta-feira (16), a segunda sabatina da série especial de entrevistas da TV Record com presidenciáveis, e respondeu sobre temas que atravessam sua trajetória como governador e sua candidatura presidencial. Em meia hora de entrevista, o candidato do Partido Novo circulou por praticamente todos os flancos que sua campanha enfrenta hoje: a estagnação nas pesquisas, o histórico de Minas Gerais sob sua gestão, um escândalo de corrupção reconhecido por ele mesmo e um plano de reformas para o Estado brasileiro caso chegue ao Planalto.

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Por que Zema não se abala com as pesquisas
Zema não escondeu que a posição discreta nas pesquisas nacionais não muda sua estratégia. Ele usou a própria biografia eleitoral como argumento: apostou que o padrão que o levou ao Governo de Minas em 2018 pode se repetir agora. “Bom, eu já assisti a esse filme em 2018. Até os últimos dias, eu estava em terceiro e quarto lugar”, disse.
Para sustentar a tese de que o eleitor ainda não se decidiu, citou um dado sobre o desânimo político do país.“Pesquisas apontam que cerca de 60% dos brasileiros estão pouco interessados em política. Se eu tivesse dependido de pesquisas aquele ano [2018], eu não teria sido eleito governador”, disse na entrevista.
O que Zema diz ter herdado (e mudado) em Minas Gerais
Pressionado sobre indicadores mineiros que ficam atrás da média do país, o candidato preferiu deslocar o debate para o ponto de partida de seu governo, em 2019, quando descreve um estado à beira do colapso fiscal. Ele mencionou prefeituras sem repasses de ICMS e IPVA e um contingente enorme de servidores endividados por causa de descontos não repassados a bancos. “Era um estado que sequer fazia os repasses do ICMS e IPVA para as prefeituras, as prefeituras quebrando, 200, 400 mil funcionários com o nome sujo”.
Na avaliação do candidato, a distância entre aquele cenário e o atual, somada à sua reeleição, funciona como validação popular. “Se nós analisarmos o inferno que estava Minas quando eu assumi e vermos hoje, tem avanços enormes, tanto que eu fui reeleito no primeiro turno”, declarou.
Brumadinho como marca da gestão
O tema das barragens surgiu como um capítulo à parte, ligado diretamente à tragédia de Brumadinho, ocorrida logo no início do primeiro mandato de Zema à frente de Minas Gerais. Segundo o candidato, o compromisso assumido naquele momento segue valendo: “Eu estava no primeiro mês como governador e falei que Minas Gerais não teria outra tragédia depois daquela de Brumadinho”.
Ele detalhou o avanço na eliminação de estruturas de risco: das 54 barragens erguidas pelo método a montante, 18 já saíram de operação, sob um novo arcabouço de regras. “As regras foram totalmente refeitas, com muito mais critério. Aprovamos a lei Mar de Lama Nunca Mais”, resumiu.
Veja sabatina completa:
STF: lista tríplice, idade mínima e crítica a Moraes
No campo institucional, Zema não poupou o Supremo Tribunal Federal. Ele defende preservar a indicação presidencial para a Corte, mas com um filtro prévio: uma lista tríplice construída com participação de entidades como a OAB e o STJ. Ele também quer elevar de 35 para 60 anos a idade mínima para ministros e restringir decisões individuais. “Idade mínima de 60 anos. Reputação ilibada. Quero acabar com as decisões monocráticas. Quem estiver no Supremo é para ser funcionário público, e não milionário”.
A crítica ficou mais dura ao comentar o caso que envolveu o ministro Alexandre de Moraes. “Quem está lá no Supremo, que é a mais alta Corte do país, está muito mais para bandido do que pra juiz”. Zema ainda usou parte da entrevista para contestar Lula, sabatinado pela TV Record na véspera, que havia negado responsabilidade por indicações à Corte. “Ele tem tudo a ver com isso. Quem colocou o Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal? Quem colocou o Toffoli no Supremo Tribunal Federal? Foi ele”.
O escândalo que Zema admite ter existido no próprio governo
Ao ser confrontado sobre irregularidades dentro da própria administração mineira, Zema optou por reconhecer o problema em vez de negá-lo. Ele relacionou o caso a servidores que teriam recebido pagamentos para liberar atividades com impacto ambiental. “Em um estado que tem 300 mil funcionários públicos sempre vai haver alguma fruta podre”, ponderou, antes de admitir o alcance da investigação. “Segundo e terceiro escalão, teve. Mas é como estou falando, eu fui governador sete anos e meio, o único escândalo que houve foi esse e eu pedi apuração imediata”.
Segundo ele, a então secretária de Meio Ambiente chegou a sofrer ameaças de morte sem ligação com o esquema, e as autorizações contestadas passaram tanto pela Agência Nacional de Mineração quanto pelo próprio governo estadual. “Eu estou acompanhando toda a investigação para que todas as frutas podres sejam eliminadas definitivamente”, garantiu.
Reforma do Estado e venda da Petrobras
A economia fechou a sabatina. Zema classificou como recorde o endividamento das famílias brasileiras e usou o dado para contestar o discurso mais otimista do governo Lula sobre os indicadores do país. Como alternativa, apresentou um projeto de reforma administrativa federal com meta de economizar R$ 2 trilhões ao longo de duas décadas, cortando o que chama de privilégios e mordomias do funcionalismo.
Ao tema da Petrobras, respondeu sem rodeios: “A empresa não é tão importante como se diz”, disse, ao defender que a imagem da estatal como patrimônio nacional serviria, na sua leitura, a interesses políticos. Segundo o candidato, os recursos obtidos com a venda de estatais como essa seriam revertidos para saúde, educação e infraestrutura.
Próximos nomes na sabatina da Record
Depois de Lula, sabatinado na terça-feira (15), e de Zema nesta quarta, a Record mantém a agenda de entrevistas ao vivo de Brasília, conduzidas por Mariana Godoy e Eduardo Ribeiro. Ronaldo Caiado (PSD) vai à Record nesta quinta-feira (17) e Flávio Bolsonaro (PL), na sexta-feira (18). Na semana seguinte, o ciclo continua com Augusto Cury (Avante), no dia 19, e Renan Santos (Missão), no dia 22, cada um com meia hora de entrevista.
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