Flávio e Lula topam abertura de sigilos e Mendonça decide; veja o que se sabe
A abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico foi aceita por Lula e Flávio Bolsonaro no TSE, e o ministro André Mendonça decide se libera os dados.
A abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) foi formalizada nesta quinta-feira (22). Os dois candidatos à Presidência da República aceitaram, em um termo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), abrir seus dados ao mesmo tempo. Agora, o ministro André Mendonça, relator do caso na Corte, precisa analisar o documento, e a campanha de Lula espera que as informações sejam liberadas antes do segundo turno, no domingo (25).

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O termo foi apresentado à imprensa pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula. Segundo o texto, os candidatos aceitam integralmente as condições recíprocas do desafio e autorizam a abertura total e simultânea dos respectivos sigilos. As duas equipes têm até as 23h59 de hoje para entregar os documentos necessários.
A abertura de sigilos não se limita aos dois candidatos. O acordo alcança também familiares de ambos e pessoas jurídicas ligadas a eles.
Quem foi ao TSE e quem assinou
Pela campanha de Lula, estiveram no tribunal Camilo Santana, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a deputada Camila Jara (PT-MS). A equipe petista informou que o próprio presidente redigiu e assinou o acordo de forma digital.
Do lado de Flávio, chegaram pouco depois a advogada Maria Cláudia Bucchianeri, coordenadora jurídica da campanha, e o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). Maria Cláudia assinou o termo em nome do candidato do PL, e Deltan foi o escolhido pela campanha para analisar as informações financeiras de Lula e de pessoas próximas a ele. As campanhas chegaram ao TSE por volta das 11h e passaram parte do dia negociando até chegar a um consenso.
O que travou a abertura de sigilos, segundo PT
O impasse girou em torno de uma empresa. A campanha de Lula insistiu em incluir a Alcazar Holdings, que pertence ao advogado Willer Tomaz. Flávio reconhece Tomaz como amigo, e ambos são alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro. Após resistência inicial, a campanha de Flávio aceitou a inclusão. A defesa do candidato do PL informou que buscaria a autorização de Willer para disponibilizar os dados.
Camilo Santana afirmou que o PT não aceitaria deixar a empresa de fora e disse que ela está sob suspeita das autoridades que fiscalizam transferências financeiras no país. O senador também alegou que a imprensa divulgou relações estreitas entre a empresa e Flávio Bolsonaro. Edinho Silva defendeu que as informações se tornem públicas, e Boulos resumiu a posição petista com a ideia de que quem não deve não teme. Ele ainda disse que o desafio partiu de Lula e que Flávio levou quatro dias para aceitar, já impondo condições.
Em contrapartida, Lula concordou com as exigências do adversário. Entram na abertura o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, os gastos com cartões corporativos da Presidência e a agenda da primeira-dama, Janja Lula da Silva.
A versão de Deltan sobre a abertura de sigilos
Deltan Dallagnol deu outra leitura ao dia. Em vídeo gravado no TSE, acusou a campanha de Lula de tentar deixar o Instituto Lula fora do acordo e falou em “pegadinha”. Segundo ele, os advogados de Flávio perceberam a manobra e exigiram ajustes, que foram aceitos pelos representantes do PT. Os advogados de Lula, ainda de acordo com seu relato, revisaram o texto depois da intervenção da equipe adversária. Deltan também criticou o fato de Lula não ter disponibilizado diretamente, naquela manhã, seus dados bancários, fiscais e do cartão corporativo.
O ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba comparou o momento à época da operação e afirmou que o país verá mais do que viu naquele período. O PT sustenta o oposto: segundo Edinho, Lula não colocou nenhuma restrição à divulgação de suas informações.
Como a disputa começou
O embate teve início no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio, durante debate na Band, a divulgar de forma simultânea seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Na terça (20), o presidente protocolou no TSE uma autorização para abrir os últimos oito anos de seus sigilos, incluindo os de Janja, de seus cinco filhos e da empresa LILS Palestras, Eventos e Publicações. A divulgação ficou condicionada à apresentação de informações equivalentes por Flávio e por seus familiares.
Flávio respondeu na quarta (21) com uma petição para abrir 20 anos de sigilos, condicionada a ao menos 21 exigências adicionais. Entre elas estavam dados do Instituto Lula, do ex-presidente da entidade Paulo Okamotto, de Marcola, dos cartões corporativos e de reuniões com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Ainda na quarta, Camilo anunciou que Lula aceitaria todas as condições, desde que Flávio cumprisse integralmente as exigências feitas pelo presidente.
O que vem agora
O pedido apresentado pelas duas campanhas está sob relatoria de André Mendonça, a três dias do segundo turno.
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