Juiz mantém júri de médica acusada de mandar matar farmacêutica em Uberlândia
As defesas de Cláudia Soares Alves e do homem investigado por ser executor do crime tentaram anular decisão de pronúncia; crime ocorreu em 2020, motivado por uma obsessão da médica pela filha da vítima
A Justiça manteve a decisão de levar a júri popular a médica neurologista Cláudia Soares Alves, envolvida no assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Denari, em novembro de 2020, em Uberlândia.
Segundo a decisão, as defesas da médica, qualificada como mandante do crime, e do acusado de ser o executor, entraram com recurso para anular o júri popular, mas tiveram pedido negado.

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O magistrado da 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia ressaltou que as defesas pretendiam que o Juízo detalhasse minuciosamente as provas das autorias e demonstrasse concretamente os nexos entre elas.
No entanto, explicou que no Código de Processo Penal é estabelecido apenas que a fundamentação da pronúncia deve limitar-se à indicação da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou participação.
Relembre os crimes atribuídos à médica
O assassinato de Renata Bocatto Denari (2020)
O crime que motivou o pedido de juri popular ocorreu em 7 de novembro de 2020, no bairro Martins, em Uberlândia. A farmacêutica Renata Bocatto Denari chegava ao trabalho quando recebeu um envelope de um motociclista e, logo em seguida, foi atingida por seis disparos de arma de fogo.
Veja o momento do crime:
A investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apontou que Cláudia Soares Alves foi a mandante do homicídio. A motivação apontada foi uma obsessão pela filha da vítima, após ter tido um breve relacionamento com o ex-marido de Renata.
Por considerar Cláudia perigosa e instável, a vítima havia restringido a convivência da filha com o pai, o que desencadeou o planejamento do assassinato. O inquérito policial indicou ainda que a médica adulterou placas de veículo, destruiu provas e falsificou prontuários para tentar criar um álibi.
O sequestro de recém-nascida em hospital (2024)
Anos após o homicídio, na noite de 23 de julho de 2024, Cláudia Soares Alves foi presa em flagrante após invadir a maternidade do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU).

Usando jaleco, máscara e crachá falso da instituição, ela se passou por médica pediatra, entrou no quarto de uma família e retirou uma bebê de poucas horas de vida sob o pretexto de levá-la para se alimentar.
A recém-nascida foi colocada em uma mochila e levada em um carro de cobertura. Após intenso rastreamento policial, a investigada foi localizada e presa em sua clínica na cidade de Itumbiara (GO), onde a bebê foi resgatada saudável e devolvida aos pais.