Polícia conclui inquérito da médica que mandou matar farmacêutica em Uberlândia

Polícia Civil confirma que médica arquitetou o assassinato para assumir a filha da vítima; investigação aponta destruição de provas, álibi forjado e apoio logístico no crime

, em Uberlândia

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que apura a morte da farmacêutica Renata Bocatto Denari, assassinada a tiros em Uberlândia, em novembro de 2020. A investigação confirmou que a médica neurologista Cláudia Soares Alves, presa preventivamente, foi a mandante do crime, motivado pela obsessão em assumir a filha menor da vítima e tentar reatar o relacionamento com o ex-marido.

O documento final foi remetido ao Ministério Público e à Justiça. A médica permanece na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, enquanto o executor, um vizinho de Cláudia Soares, segue recolhido no Presídio Professor Jacy de Assis.

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médica que mandou matar farmacêutica
Cláudia Soares Alves, médica que sequestrou bebê em Uberlândia, está presa por mandar matar farmacêutica – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

Inquérito aponta crime planejado e destruição de provas

Segundo o delegado responsável, Eduardo Fernandes Pérez Leal, a investigação comprovou que Cláudia Soares organizou o assassinato com apoio do vizinho em Itumbiara, que executou os disparos. Na época, Renata chegava ao trabalho quando recebeu uma carta entregue pelo motociclista, instantes antes de ser atingida por seis tiros.

Farmacêutica Renata Bocatto Derani foi morta em 2020 em Uberlândia – Crédito: Reprodução/Redes sociais

A PC identificou que a médica:

  • Deu apoio logístico ao executor no dia do crime;
  • Destruiu provas ao longo da investigação;
  • Falsificou um prontuário médico e registrou uma ata notarial para tentar criar um álibi;
  • Adulterou sinal identificador de veículo utilizado na ação.

Os dois foram inicialmente presos temporariamente. Com novas provas, a Justiça converteu as prisões em preventivas, sem prazo determinado.

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Médica queria a filha da farmacêutica

Durante a apuração, a Polícia Civil constatou que Cláudia Soares havia se casado com o ex-marido de Renata Denari, mas o relacionamento terminou rapidamente após o homem perceber sinais de comportamento instável. A médica demonstrava obsessão pela filha do casal e queria exercer maternidade sobre a criança.

Renata, temendo a proximidade da médica com a filha e considerando-a perigosa, restringiu a convivência da menina com o pai quando ele estivesse com Claudia Soares, decisão que teria motivado a médica a planejar o assassinato.

Cláudia já havia sido presa anteriormente pelo sequestro de um bebê no Hospital de Clínicas da UFU, episódio que também pesou nas investigações.

Relembre o crime

No dia do assassinato, em 7 de novembro de 2020, a farmacêutica chegou à farmácia onde trabalhava, no bairro Martins, e foi surpreendida por um motociclista que lhe entregou um envelope. Em seguida, o homem atirou em Renata Denari e fugiu. Câmeras de segurança registraram a ação:

Com a conclusão do inquérito, o processo segue agora para análise do Ministério Público, que poderá oferecer denúncia e ir a julgamento.