Estudantes transformam cascas de ostras em placas para construção; entenda
Estudantes de Itapissuma, em Pernambuco, desenvolveram bioplacas a partir de cascas de ostras descartadas para uso na construção civil e reaproveitamento de resíduos da pesca
Duas estudantes de Itapissuma, no Grande Recife, transformaram cascas de ostras descartadas pela atividade pesqueira em uma bioplaca que pode ajudar a reduzir a temperatura dos ambientes. O material biodegradável foi desenvolvido para a construção civil e reúne reaproveitamento de resíduos e princípios de arquitetura sustentável.
A ideia surgiu em um clube de ciências formado exclusivamente por meninas na Escola Municipal João Bento de Paiva. A partir de um problema observado na própria comunidade, as estudantes começaram a pesquisar maneiras de transformar as cascas descartadas em um novo material.
O projeto “Bioplacas de cascas de mariscos: uma alternativa inteligente para comunidades sustentáveis” conquistou o 1º lugar na categoria Ensino Fundamental do 3º Desafio Liga Jovem, competição promovida pelo Sebrae.
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Bioplaca pode ajudar a reduzir o calor
O diferencial da proposta está no uso do material como uma alternativa para projetos que buscam melhor desempenho térmico dos ambientes.
As estudantes desenvolveram uma biocerâmica moldada em placas a partir das cascas de ostras. A proposta é que o material possa ser utilizado em elementos da construção civil e contribua para criar ambientes com menor temperatura interna.
A solução também utiliza materiais biodegradáveis, reforçando a proposta de reduzir o impacto ambiental associado à construção.
Cascas de ostras viraram matéria-prima
A ideia partiu da realidade de Itapissuma, onde a pesca e a mariscagem fazem parte do cotidiano de muitas famílias.
As estudantes observaram que as cascas de ostras eram descartadas após o consumo e a atividade pesqueira. A equipe decidiu investigar se o resíduo poderia ser aproveitado na criação de um novo material.
Com ajuda de familiares, moradores e comerciantes, as alunas coletaram as cascas. O material passou por etapas de limpeza, trituração e preparação antes de ser misturado aos componentes utilizados na produção das bioplacas.

Testes avaliaram resistência e absorção de água
O desenvolvimento da bioplaca passou por diferentes testes realizados pelas estudantes.
A equipe avaliou características como resistência, durabilidade e absorção de água. Algumas placas apresentaram problemas durante os experimentos, enquanto outras chegaram aos resultados esperados.
Segundo a pesquisa realizada pela equipe, as bioplacas apresentaram resistência mecânica semelhante à de placas de gesso nos testes feitos pelas estudantes. O material também registrou menor absorção de água.
Os resultados apontaram potencial para o uso das placas na construção civil. Novos estudos e testes, porém, são necessários para avaliar o desempenho do material em diferentes condições e aplicações.
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Ideia aposta em arquitetura sustentável
Além de reaproveitar um resíduo da atividade pesqueira, o projeto visa uma alternativa alinhada à economia circular.
A lógica é transformar um material que seria descartado em matéria-prima para um produto que pode ser utilizado na construção. Com isso, a proposta combina reaproveitamento de resíduos, materiais biodegradáveis e conforto térmico.
As estudantes também relacionaram o projeto aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente aos temas de inovação, infraestrutura, trabalho e renda e cidades sustentáveis.
Projeto também pode gerar renda
A proposta não se limita ao desenvolvimento da bioplaca. As estudantes avaliam que o reaproveitamento das cascas pode, futuramente, criar uma fonte complementar de renda para famílias ligadas à pesca e à mariscagem.
Para analisar a possibilidade de desenvolvimento e comercialização da ideia, a equipe conversou com pescadores, marisqueiras, arquitetos e engenheiros.
O trabalho começou nas atividades escolares e passou por feiras e competições científicas antes de chegar ao Desafio Liga Jovem.
Na edição de 2025, a equipe de Itapissuma venceu a categoria destinada ao Ensino Fundamental. O grupo é liderado pela professora Maria Eduarda Santos da Silva e pelas estudantes Giovana Andrade de Freitas e Maria Eloiza Ferreira dos Passos, com apoio de outras alunas.
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