AGU aciona a PF para apurar se Trump financiou ataques ao STF

Reportagem do The Guardian diz que Trump reservou verba para campanha contra o STF; AGU quer que PF e PGR apurem ingerência externa em plena eleição.

, em Uberlândia

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Uma denúncia colocou o governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos,  no meio de uma disputa que já mobiliza autoridades do Brasil. A Advocacia-Geral da União (AGU) formalizou pedido à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para esclarecer se a Casa Branca bancou iniciativas voltadas a enfraquecer o Supremo Tribunal Federal (STF) e a influenciar a eleição no país.

Governo Trump destinam US$ 1 milhão para campanha contra STF, diz jornal, e AGU responde
The Guardian informa que recurso financiaria grupos da sociedade civil – Crédito: Reprodução/Redes Socias/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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O gatilho foi um texto do jornal inglês The Guardian, divulgado na quarta-feira (30). O jornal britânico afirma que Washington separou US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,1 milhões, para uma frente de ataque à Suprema Corte brasileira. Como o calendário eleitoral já está em andamento, a AGU tratou o assunto como de alta gravidade.

Trump e a reação da AGU

Segundo o órgão, o episódio não surge isolado. Ele se soma a outras demonstrações recentes de pressão dos Estados Unidos sobre instituições nacionais. Por isso, a advocacia pública decidiu não esperar e levou a suspeita aos órgãos que podem investigá-la.

Em comunicado, a AGU alertou que, caso o caso se confirme, haveria dinheiro de fora sustentando ofensivas organizadas contra a soberania e contra o Sistema de Justiça. O órgão ainda apontou que verbas criadas para proteger direitos humanos teriam sido desviadas dessa função. Na avaliação da AGU, o conjunto poderia desenhar uma estrutura de ingerência estrangeira em assuntos internos do Brasil.

O comunicado faz questão de traçar uma fronteira. Criticar o Judiciário é direito garantido, assim como a liberdade de expressão. Já receber orientação ou recursos de governos e entidades de outros países para atuar na política é conduta que a Constituição rejeita, porque se apoia em soberania, independência e não intervenção. Como exemplo, a AGU lembrou a proibição de que partidos sejam financiados ou submetidos a governos estrangeiros.

O que diz o The Guardian sobre o dinheiro de Trump

De acordo com o The Guardian, a iniciativa levava o nome de Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil. O plano era abastecer grupos civis contrários ao que classifica como exagero de decisões judiciais e censura praticados pelo Supremo.

Os valores teriam sido destinados pelo Legislativo americano ao Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF). Falta esclarecer um ponto central: a matéria não informa se o dinheiro chegou a sair dos cofres ou se ficou apenas comprometido para projetos no exterior escolhidos pela Casa Branca.

O jornal também recorda o histórico de atritos. No ano passado, a administração Trump puniu o ministro Alexandre de Moraes, do STF, depois de pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente. Mais tarde, o Tribunal virou alvo de Washington durante o processo sobre a tentativa de golpe, que terminou com Jair Bolsonaro condenado a 27 anos de prisão. Há ainda a queixa americana contra limites impostos pelo Supremo a plataformas digitais dos Estados Unidos, medida adotada para conter crimes no ambiente online. Ao mesmo tempo, a gestão Trump pressiona outras nações a evitar qualquer regulação das big techs.

Trump espalha projetos por 43 iniciativas

O caso brasileiro seria só uma parcela de um esforço mais amplo. O Guardian diz ter consultado fontes e papéis do Departamento de Estado, chefiado por Marco Rúbio, que mostram US$ 176,9 milhões, aproximadamente R$ 918 milhões, divididos em 43 projetos para difundir a pauta do governo Trump pelo mundo.

A reportagem relata que auxiliares do presidente cobraram diretamente a liberação das verbas. Na leitura dos jornalistas Andrew Roth e Joseph Gedeon , o movimento atende a preocupações do vice JD Vance, que fala em colapso dos valores ocidentais tradicionais na Europa, e do assessor Stephen Miller, que combate a imigração e defende minorias brancas em países como a África do Sul.

No Reino Unido, a previsão era de US$ 5 milhões, perto de R$ 25,9 milhões, para uma organização que faz campanha contra normas de segurança online e de repressão ao discurso de ódio. Entre elas está a lei britânica de 2023 fiscalizada pela Ofcom, que exige verificação de idade e é tratada como censura pela gestão americana.

A maior fatia iria para a Fundação Memorial de Vítimas do Comunismo, com US$ 40 milhões, cerca de R$ 207,6 milhões. Andrew Bremberg, que foi assessor de política interna da Casa Branca no governo Trump, figura entre os dirigentes da entidade.

Questionado pelo próprio The Guardian, o Departamento de Estado afirmou que as ações na Europa pretendem ajudar aliados a defender seus direitos, princípios, autoconfiança civilizacional e soberania diante de quem tenta miná-los.

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