“Amor pelo magistério”: professoras de Uberlândia destacam a dedicação ao ensino

Com quase 5 mil docentes na rede municipal de Uberlândia, duas professoras destacam as memórias, o carinho e os desafios do ensino para o Dia Nacional dos Profissionais da Educação

, em Uberlândia

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Seja uma professora, um coordenador, uma diretora, uma inspetora do intervalo, todo mundo tem aquela pessoa que foi marcante ao longo da trajetória na educação. São memórias que acompanham ao longo da formação e permanecem inspirando por toda uma vida. 

“Quando encontro um ex-aluno e ele diz que nunca me esqueceu e que gostaria de ser meu aluno novamente, isso me enche de orgulho e alegria!”, conta Ana Paula Barbaresco, professora da rede municipal de Uberlândia desde 2022.

O relato de Ana é um dos incontáveis que os educadores sempre têm orgulho de contar quando o assunto “docência” entra em discussão. “Tenho também ex-alunas, [hoje] professoras, que dizem ter escolhido a profissão por minha causa”, diz Solange Aparecida, também professora da rede municipal de Uberlândia, mas há 35 anos.

Greve estadual
Professoras de Uberlândia contam como é a realidade na sala de aula – Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil/Reprodução

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Dia Nacional dos Profissionais da Educação

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Uberlândia, a rede pública municipal de ensino conta atualmente com 4.908 professores em atividade, atendendo os 69.500 estudantes que estão distribuídos nas 178 unidades de ensino do município.

O Dia Nacional do Profissional da Educação, comemorado nesta quinta-feira, 6 de agosto, homenageia os diversos braços do ensino e também lembra daqueles que dedicam a vida ao desenvolvimento humano, à formação cidadã e à garantia do direito de aprender: professores e professoras.

Mas, por trás dos números e estatísticas oficiais, a rotina na sala de aula é construída diariamente por histórias de cuidado, dedicação e escuta. E são duas histórias, das professoras Ana Paula Barbaresco e Solange Aparecida, que revelam o dia a dia da educação.

Da idealização ao reencontro com a sala de aula

Para a professora Ana Paula Barbaresco Junqueira, de 32 anos, a trajetória no magistério começou quase ao acaso. Natural de Tupaciguara, Ana foi mãe jovem e apesar de nunca ter parado com os estudos, precisou readequar seus planos.

Assim que a filha completou um ano de idade, a jovem Ana, com ajuda do marido, foi atrás da única faculdade que havia em Tupaciguara. E entre as opções de cursos reduzidas, escolheu Pedagogia, formou em 2011 e no ano seguinte já assumiu as primeiras turmas.

Ela lembra que apesar do amor pela profissão, não foi um percurso fácil. “Quando acabei a faculdade, era muito sonhadora e imaginava a docência de forma romantizada. Com o tempo e os percalços, me senti muito abatida e pensei em desistir”, conta Ana Paula.

Ana Paula Barbaresco Junqueira, professora de uberlândia
Ana Paula é professora desde 2012 e atua na rede municipal de Uberlândia desde 2022 – Crédito: Arquivo Pessoal/Reprodução

O reencontro com a profissão aconteceu ao ingressar na rede municipal de Uberlândia em 2022, após ser aprovada no concurso público.“Na rede municipal me reencontrei, pois o trabalho é compartilhado e apoiado. Hoje leciono para o 3º e 4º anos e gosto muito dessa troca entre alunos, pais e professora. O meu maior orgulho é quando pego um aluno com muita dificuldade e, no fim do ano, entrego a criança lendo e escrevendo sozinha”, destaca a educadora.

35 anos de carreira e a transformação do respeito às famílias

A professora Solange Aparecida, de 61 anos, por outro lado, já dedicou mais da metade da vida à educação pública. Em Uberlandia, sua cidade natal, são 35 anos atuando como professora da rede municipal.

Ela conta que vivenciou de perto a evolução e as transformações do magistério ao longo das últimas décadas. Alfabetizada em casa brincando de “escolinha”, Solange já atuou na educação infantil do 5º ano, foi diretora escolar e hoje é professora readaptada.

A pedagoga reforça que o amor pelo magistério é pré-requisito inegociável para a permanência na carreira. “Eu brinco que não sei quem eu era antes de ser professora. O magistério é minha paixão”, relata.

Solange Aparecida, professora de uberlândia
Solange Aparecida aparecida dedidou 35 anos à educação municipal de Uberlândia – Crédito: Arquivo pessoal/Reprodução

Mas, apesar do amor, Solange ainda relata uma preocupação com a forma com que os professores são vistos e tratados. “A principal diferença que acompanho é a perceptível desvalorização e o desrespeito que algumas famílias têm demonstrado com os profissionais. Vemos episódios de agressividade e uma defesa irrestrita dos filhos, sem dar a chance de a escola explicar o que aconteceu”, pontua Solange.

A pedagoga ainda lembra que o momento mais crítico de toda a sua jornada foi a pandemia de Covid-19, quando a categoria precisou se reinventar do dia para a noite e batalhar pela manutenção do isolamento até a chegada da vacina. “Tivemos que aprender a dar aulas pelo WhatsApp e infelizmente perdemos muitos colegas. Ter superado tudo e seguir em frente foi uma vitória gigantesca”, comenta.

A disputa com as telas e a agilidade da rotina

Atuando com turmas do ensino fundamental, Ana Paula aponta que o maior desafio contemporâneo dos educadores é prender a atenção de crianças cada vez mais agitadas e ansiosas.

“As crianças chegam com muita agitação motora e emocional. Competir com as telas e os jogos de celular é um grande desafio. Por isso, tento criar materiais que os empolguem. Este ano, aproveitando a febre do álbum da Copa, fiz figurinhas dos próprios alunos vestindo a camisa da Seleção para que se sentissem protagonistas”, explica a professora.

Para além do conteúdo didático, Ana também ressalta a sobrecarga de mediação de conflitos dentro da escola. “O professor está cada dia mais sendo um adulto responsável por solucionar conflitos do que apenas transmitir conhecimento. Mas quando vejo o reconhecimento do aluno e percebo que ele aprendeu, dá uma sensação gostosa no peito.”

Professoras de Uberlândia deixam recado de quem vive a docência no dia a dia

Mesmo diante das cobranças e dos obstáculos cotidianos, as duas educadoras deixam conselhos para os colegas de profissão e para quem está ingressando na área.

Para Solange, exercer o magistério exige preparo técnico sem perder a humanidade. “Para quem está começando, digo que ser professora não é missão, não é amor, é profissão. Mas sem amor pelo magistério, sem gostar de gente, não dá para exercer. É fundamental ser empática e resiliente”, ressalta.

Já Ana Paula lembra da importância do autocuidado e da gratidão pela rede pública, onde sua filha caçula, diagnosticada com autismo nível 1 de suporte, também estuda e recebe o acolhimento das profissionais de apoio. “A educação é desafiadora, porém não devemos desistir. Cuide também de você e depois conseguirá cuidar bem da sua sala”.

A educadora ainda acrescenta que, apesar da cobrança e das demandas, é importante dar o melhor, da melhor forma que conseguir. “Sou muito grata por ser professora na rede municipal de Uberlândia. Acredito muito no carinho e competência de todos e, por esses profissionais que dedicam a vida à escola, espero ter dado uma demonstração de como é a nossa profissão”, finaliza.

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