Quase meio milhão a mais: motoristas de aplicativo disparam em três anos e chegam a 1,2 milhão
Número de trabalhadores que usam plataformas digitais cresceu 36,8% desde 2022; motoristas têm jornadas maiores e recebem menos por hora trabalhada
Trabalhar por aplicativo virou uma atividade cada vez mais comum no Brasil. Em 2025, 1,2 milhão de pessoas atuavam no transporte de passageiros por meio de plataformas digitais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa 58,9% dos cerca de 2 milhões de trabalhadores que utilizavam aplicativos ou plataformas digitais de serviços no país, considerando atividades principal e secundária.
O levantamento também mostra que o trabalho por aplicativo é marcado por jornadas mais longas, alta informalidade e baixa cobertura previdenciária.
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Trabalho por aplicativo cresce no Brasil
No terceiro trimestre de 2025, o Brasil tinha 102,4 milhões de pessoas ocupadas. Desse total, cerca de 2 milhões trabalhavam por meio de aplicativos ou plataformas digitais de serviços, o equivalente a 1,9% dos trabalhadores.
A maior parte, 1,8 milhão, tinha o trabalho por aplicativo como ocupação principal. Outras 182 mil pessoas exerciam esse tipo de atividade como trabalho secundário.
Entre os trabalhadores plataformizados, o transporte de passageiros concentrava a maior parcela, com 1,2 milhão de pessoas.
Desse total, 232 mil utilizavam aplicativos voltados especificamente para taxistas, enquanto cerca de 1,1 milhão trabalhavam com outros aplicativos de transporte de passageiros.
Os aplicativos de entrega de comida e produtos apareciam em seguida, com 585 mil trabalhadores. Já as plataformas de serviços gerais ou profissionais eram utilizadas por 313 mil pessoas.
Número de trabalhadores por aplicativo aumenta
Considerando apenas o trabalho principal, 1,8 milhão de pessoas trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços em 2025.
O contingente cresceu 36,8% em relação a 2022, primeiro ano da série, e 9,1% na comparação com 2024.
Entre os trabalhadores que tinham o aplicativo como atividade principal, o transporte de passageiros também liderava, com 1 milhão de pessoas, ou 57,5% do total.
Os aplicativos de entrega reuniam 531 mil trabalhadores.
Um dos destaques foi o crescimento dos entregadores. O número passou de 274 mil, em 2024, para 325 mil em 2025, alta de 18,6% em apenas um ano.
Quem trabalha por aplicativo?
O perfil dos trabalhadores plataformizados era predominantemente masculino. Segundo o IBGE, 84,4% eram homens, enquanto as mulheres representavam 15,6%. A faixa etária de 25 a 39 anos concentrava a maior parcela, com 47% dos trabalhadores.
Também predominavam pessoas com nível médio completo ou superior incompleto, que representavam 62,5% do total.
Outra característica marcante era a posição na ocupação: 86,8% dos trabalhadores plataformizados eram autônomos. O setor de transporte, armazenagem e correios concentrava 75% das pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais.
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Motoristas trabalham mais horas e ganham menos por hora
O rendimento mensal médio dos trabalhadores plataformizados era praticamente igual ao dos demais ocupados no setor privado: R$ 3.147, contra R$ 3.148. A jornada, porém, era maior. Os trabalhadores por aplicativo trabalhavam, em média, 44,7 horas por semana, enquanto os demais ocupados trabalhavam 39,3 horas. A diferença era de 5,4 horas semanais.
Quando o rendimento é calculado por hora trabalhada, a diferença aparece com mais clareza. Os plataformizados recebiam, em média, R$ 16,20 por hora, contra R$ 18,40 dos trabalhadores não plataformizados.
Motoristas de aplicativo têm jornada de quase 46 horas
Entre os condutores de automóveis, 2 milhões de pessoas exerciam a atividade no país em 2025. Desse total, 905 mil, ou 45,9%, eram trabalhadores plataformizados.
Os motoristas de aplicativo tinham rendimento mensal médio de R$ 2.873, enquanto os condutores que não trabalhavam por plataformas recebiam R$ 2.805. A diferença mensal, porém, vinha acompanhada de uma jornada maior.
Motoristas plataformizados trabalhavam, em média, 45,9 horas por semana, contra 40,4 horas dos demais condutores. Por hora trabalhada, o cenário se invertia: os motoristas de aplicativo recebiam R$ 14,40 por hora, enquanto os não plataformizados tinham rendimento médio de R$ 16.
Só 1 em cada 4 motoristas de aplicativo contribuía para a Previdência
A pesquisa também mostrou uma diferença expressiva na proteção previdenciária.
Entre os motoristas de aplicativo, apenas 25,5% contribuíam para algum instituto oficial de Previdência em 2025. Entre os condutores que não utilizavam plataformas, o índice era de 59,2%.
Considerando todos os trabalhadores plataformizados, independentemente da atividade, apenas 34% contribuíam para a Previdência.
Além disso, a taxa de informalidade chegava a 72,1% entre os trabalhadores por aplicativo, contra 42,7% entre os demais ocupados do setor privado.
Por que as pessoas trabalham por aplicativo?
Pela primeira vez, o IBGE perguntou aos trabalhadores qual era o principal motivo para utilizar plataformas digitais. A resposta mais comum foi a flexibilidade, apontada por 26,8% dos trabalhadores.
Em seguida, 24,6% disseram que não conseguiam encontrar outro trabalho. Outros 20,8% afirmaram considerar o rendimento maior do que o oferecido em outras opções disponíveis.
A possibilidade de complementar a renda foi apontada por 16,6%.
Dependência dos aplicativos
A pesquisa também investigou o quanto os trabalhadores dependiam das plataformas para exercer a atividade.
Entre os motoristas de transporte particular de passageiros, 81,1% afirmaram que a jornada era influenciada pela possibilidade de escolher de forma independente os dias e horários de trabalho.
Ao mesmo tempo, 56,3% relataram influência de incentivos, bônus ou promoções que alteravam os preços. Já 25,3% disseram que a rotina era influenciada por ameaças de punições ou bloqueios.
O levantamento mostrou ainda que 62,7% dos trabalhadores plataformizados exerciam a atividade exclusivamente por meio dessas plataformas. Quanto ao número de aplicativos utilizados, 62,5% trabalhavam com apenas uma plataforma, enquanto 30% utilizavam dois e 7,5% recorriam a três ou mais.
A combinação desses dados indica que 38,8% trabalhavam exclusivamente por aplicativo e com apenas uma plataforma.
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